Nessa sexta-feira (18/8) o segundo dia do 1º Congresso de Políticas Públicas para a América Latina, realizado pelo Semesp – Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior, em São Paulo, abriu com a sessão “Os desafios do século 21 – O Ensino Superior em tempos de mudanças rápidas e incertas” e teve a participação do secretário-geral da União das Universidades da América Latina e Caribe (UDUAL), Roberto Escalante, do conselheiro da Câmara Nacional de Educação (CNE), Luiz Curi e do secretário de Regulação e Supervisão do Ensino Superior (SERES/MEC), Henrique Sartori de Almeida Prado.

Roberto Escalante alertou que “o maior desafio da educação superior para o século 21 é inserir socialmente os menos favorecidos na educação superior, criando projetos que atendam demandas da comunidade e da sociedade formando parcerias com a iniciativa privada”.

Luiz Curi,  da CNE, enfatizou que o processo avaliativo brasileiro ainda é muito pautado em indicadores de qualidade que têm funções de proteger a sociedade. “A avaliação no século 21 precisa apontar novos modelos, mais operacionais e sem limites prévios e muito mais flexibilizados como foi feito com o decreto da educação a distância, que autorizou a expansão de polos com projetos extensionistas e que vão mobilizar cada vez mais o conhecimento dos estudantes entre as fronteiras, trazendo mais qualidade”.

Henrique Sartori de Almeida Prado, da SERES/ MEC, afirmou que 50% dos processos de avaliação que estavam travados conseguiram caminhar, mas a  meta para o século 21 é melhorar a governança, a gestão dos processos e estabelecer marcos e objetivos claros compartilhando com as IES públicas e privadas. “No final do mês pretendemos lançar um decreto para mudança em toda regulação compondo com os sistemas de ensino público e privado para reconhecimento da qualidade”.

Cooperação entre público e privado

Na segunda sessão, “Cooperação entre o setor público e privado”, Pedro Henrique Guajardo, diretor do Instituto para a Educação Superior na América Latina e Caribe (IESALC/UNESCO) disse que a Conferência Regional de Educação Superior, que ocorrerá em 2018 em Córdoba (Argentina), tem como desafio discutir e buscar soluções para sete diretrizes da educação superior: o ensino superior privado e público como parte do sistema educacional da América Latina; diversidade cultural e interculturalidade na América Latina; internacionalização e integração regional; o papel da educação superior diante dos desafios sociais; pesquisa científica e tecnológica e inovação como motor de desenvolvimento humano, social e econômico, além do papel estratégico da educação superior no desenvolvimento sustentável e os 100 anos da reforma universitária de Córdoba rumo a um novo Manifesto da Educação Superio Latino-Americana.

Antonio Freitas, conselheiro da Câmara de Educação Superior (CNE),focou no tema novas tecnologias no Brasil. “Nós estamos ensinando pelo retrovisor. Não podemos ensinar nenhuma área do conhecimento sem pensar nas novas tecnologias – internet das coisas, tecnologia de redes de comunicação, inteligência artificial, Big Data, produção inteligente e conectada, bioprocessos e biotecnologias avançadas, nanotecnologia, materiais avançados e armazenamento de energias, além do que os nossos professores precisam ensinar menos disciplina com mais profundidade para criar uma base sólida de formação para os alunos que devem ficar motivados.”

Héctor Suaret, presidente do Conselho dos Reitores de Universidades Privadas e Presidente da Red Latinoamericana de Associações de Universidades Privada, questionou o desafio do crescimento substancial das matrículas entre  2030 e 2050 sem recursos para oferecer uma educação superior de qualidade. “Hoje os recursos dos países existem para atender demandas mais emergentes da sociedade. Com uma taxa de exclusão alta, uma perda de alunos porque o ingresso não se articula com a retenção e a conclusão da graduação, é preciso se fazer um ajuste sustentável para assegurar a formação que leve o aluno a ter emprego e contribua para o desenvolvimento econômico”.

Elizabeth Balbachevsky, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas (NUPPs) da USP, propôs maior cooperação entre o setor público e privado quebrando hierarquias e paradigmas de formação. “Por que alunos de formação pública não podem cursar uma formação mais técnica na rede privada? Precisamos inovar na cooperação entre partes e concordar que  alunos de uma determinada especialização na rede privada possam fazer outra especialização na pública e vice-versa, alunos especializados na rede pública cursarem outra especialização mais técnica  e voltada para o mercado de trabalho na rede privada”.

Em seguida a síntese propositiva dos debates das primeiras sessões contaram com a relatoria da professora Helena Sampaio, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da jornalista especialista em Políticas Públicas do Valor Econômico, Lígia Guimarães e de Tania Cristina Pithon-Curi, pró-reitora de pós-graduação e pesquisa da Universidade Cruzeiro do Sul. Na sessão de encerramento houve a assinatura do acordo de cooperação entre Semesp e o Conselho de Reitores Argentinos.

Sobre o Semesp – Fundado em 1979, o Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior congrega cerca de 200 mantenedoras no Estado de São Paulo e no Brasil. Tem como objetivo preservar, proteger e defender o segmento privado de educação superior, bem como prestar serviços de orientação especializada aos seus associados. Periodicamente, realiza uma série de eventos, visando promover a interação entre mantenedoras e profissionais ligados à educação. Dentre eles, destacam-se o Fórum Nacional: Ensino Superior Particular Brasileiro, o Congresso Nacional de Iniciação Científica e as Jornadas Regionais pelo Interior de São Paulo. Para saber mais, acesse www.semesp.org.br/portal/ ou www.facebook.com/semesp.

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