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“A universidade precisa ser construída com base em conceitos de liberdade, igualdade, justiça e equidade”, declarou Michael Crow. Foto: Guilherme Veloso/Semesp

Michael Crow, presidente da Arizona State University, também esteve no palco virtual do 22º FNESP, nesta terça (27), para falar sobre o tema do evento, o reset do modelo de negócio das instituições de ensino superior. Crow começou sua palestra criticando a dificuldade das IES em acompanharem um processo de modernização. Segundo ele, as IES não exploram devidamente seu papel como poderosos agentes de transformação para o avanço da democracia em países emergentes como o Brasil e Estados Unidos.

“A universidade precisa ser construída com base em conceitos de liberdade, igualdade, justiça e equidade”, declarou Michael Crow. “Infelizmente, o sistema de ensino superior ainda é muito elitista e desenvolvido com base na noção de seletividade, com IES isoladas e muito focadas em si mesmas, sem uma percepção da sociedade que as cerca. O resultado é a disparidade de acesso ao ensino superior de qualidade, gerando disparidades econômicas e sociais”, lamentou ele.

De acordo com Crow, esse sistema fechado em si mesmo chegou ao limite, e as universidades precisam ultrapassar essa ideia de que o único caminho para o sucesso é o elitismo. “Não estamos criando mobilidade social, e isso resulta na formação de profissionais sem preparo e capacidade de adaptação para enfrentar o atual cenário de competitividade”, afirmou. “Precisamos desenvolver um modelo totalmente diferente para pensar o ensino superior”.

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Michael Crow defendeu o reset no modelo do ensino superior durante palestra do FNESP. Foto: Guilherme Veloso/Semesp

Três elementos

Durante sua palestra, Michael Crow contou como foi o processo de mudança do modelo da Arizona State University. Segundo ele, a transformação da IES foi pensada a partir de três elementos. “O primeiro deles é que todos devem ter a mesma chance de acesso ao ensino superior, sem essa ideia de medir o sucesso com base em quem é incluído ou excluído”, citou. “É preciso que a universidade se responsabilize também pelo seu entorno, beneficiando a sociedade e formando profissionais para atuar e transformar essa sociedade”, prosseguiu.

“Em segundo lugar, é preciso mudar a cultura das IES. As instituições de ensino são criadas para os alunos e a comunidade, não para o corpo docente.  O foco deve migrar do corpo docente para os alunos e a comunidade”, explicou. “Quando se faz isso, toda a IES muda”.

Michael Crow criticou ainda a cultura de burocratização das instituições de ensino. “Por isso, o sistema educacional tem dificuldades de adaptação. É necessário deixar de lado essa noção de burocracia acadêmica e migrar para o empreendimento acadêmico”, afirmou. “O terceiro elemento é justamente uma mudança no conceito de tempo das IES. Perdemos a noção do tempo há anos e precisamos trabalhar de forma mais ágil e rápida, de acordo com a velocidade das transformações sociais”.

Crow finalizou destacando a importância da tecnologia para implementar as ações e ultrapassar esse conceito de tempo. “A mudança cultural no ensino superior está totalmente ligada à tecnologia. Os avanços tecnológicos nos ajudam a lidar com a diversidade dos alunos, a aumentar escala e a personalizar o aprendizado”, pontuou. “Temos que abraçar a tecnologia sem medo. Não podemos empurrar as pessoas para um modelo fechado de fábrica, o mundo é diverso e cheio de possibilidades. A universidade precisa ser democrática, igualitária, de pesquisa, não para poucos, mas para todos”.