Curso da UC Semesp analisa cenário do Ensino Superior

Rodrigo Capelato durante a aula interativa “Ensino Superior no Brasil: Panorama, Tendências e Indicadores de Qualidade”

Durante dois dias, o diretor Executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, apresentou dados do Ensino Superior, analisou indicadores de qualidade e apontou tendências para o futuro do setor em aula interativa da UC Semesp

Nos dias 27 e 28 de agosto, a UC Semesp realizou o curso “Ensino Superior no Brasil: Panorama, Tendências e Indicadores de Qualidade”, desenvolvido pela Assessoria Econômica do Semesp e apresentado em forma de Aula Interativa pelo diretor Executivo do Semesp, Rodrigo Capelato.

Capelato iniciou a aula interativa contextualizando a história do Ensino Superior no Brasil, destacando ser importante analisar a trajetória da expansão das vagas no setor nesse momento político atual inquietante e de recessão econômica. “Não há expansão do Ensino Superior se não houver políticas públicas indutoras de inclusão e qualidade”, defendeu o diretor Executivo do Semesp.

Ele citou alguns marcos importantes para a expansão do Ensino Superior no país, como a Lei das Diretrizes Básicas, que ampliou a oferta de vagas a partir da permissão da iniciativa privada no setor, e políticas públicas como o Prouni e o Fies. “O Brasil tinha o Ensino Superior muito elitizado e para poucos. Algumas dessas medidas dinamizaram a expansão das vagas do Ensino Superior, aumentando o ritmo de crescimento ao facilitar o ingresso de uma demanda reprimida nas faculdades e universidades”, explicou.

De acordo com Capelato, no entanto, essas políticas públicas não conseguiram superar o atraso histórico do país, o que ainda é refletido na baixa taxa de escolarização líquida do Brasil. “Nossa taxa de escolarização líquida, que mede a quantidade de jovens entre 18 e 24 anos que estão no Ensino Superior, é de apenas 17,8%, de acordo com o Censo da Educação Superior de 2018”, citou. “Estamos muito longes de uma situação ideal e de atingir a meta 12 do Plano Nacional de Educação, que prevê aumentar a taxa para 33% até 2024. Infelizmente, não devemos alcançá-la”, lamentou.

“Mais do que não bater a meta, esse baixo índice perpetua uma população adulta sem Ensino Superior, o que diminui o desenvolvimento do mercado de trabalho e a nossa competitividade em relação aos outros países”, analisou Rodrigo Capelato. “Precisamos melhorar nossos indicadores e buscar mecanismos que permitam o ingresso de uma população mais carente no Ensino Superior”, decretou.

Durante a aula, Rodrigo Capelato citou o exemplo do modelo de financiamento da Austrália e o de ensino vocacional como políticas interessantes que podem ser adotadas no Brasil. O diretor Executivo ainda citou um estudo do Semesp que aponta possíveis Profissões do Futuro.

Rodrigo Capelato durante aula interativa “Ensino Superior no Brasil: Panorama, Tendências e Indicadores de Qualidade”, realizada pela UC Semesp

Ensino a distância

A aula interativa “Ensino Superior no Brasil: Panorama, Tendências e Indicadores de Qualidade” apresentou uma série de dados referentes ao número de matrículas nos cursos presenciais e EAD, além de taxa de evasão e migração, cursos mais procurados e informações sobre mensalidades. Rodrigo Capelato analisou esses números.

Confira os dados do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2019

No caso do EAD, por exemplo, Capelato afirmou não acreditar que o aumento das matrículas na modalidade vá superar o número de estudantes presenciais. “Nosso modelos de EAD é ruim e pautado em preço baixo”, criticou. “É um modelo voltado para um público mais velho que não quer necessariamente uma formação superior, mas sim um diploma da forma mais rápida e barata possível”, ponderou.

“Esse modelo estático, sem interatividade e de baixo custo é pouco atrativo para os jovens”, afirmou Capelato. “Não acredito então que os jovens estejam migrando do presencial para o EAD e que esse modelo vá melhorar nossos indicadores, caso da taxa de escolarização líquida, até porque o índice de evasão da modalidade é altíssimo”, reforçou.

Segundo Capelato, o modelo EAD é rico em possibilidades. “Não sou contra o EAD. O uso da tecnologia pode gerar experiências riquíssimas para os estudantes, não para baratear custos. As IES precisam ter em mente que devem oferecer a mesma formação para o aluno, independente da modalidade presencial ou EAD. Acho que nem deveria existir uma separação, é tudo Ensino Superior”, disse.

Os participantes da aula interativa podem acessá-la durante 15 dias aqui.

 

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