IES conhecem instituições que oferecem bolsas e crédito estudantil

A chefe dos Serviços Financeiros a Estudantes da Universidad de Los Andes, Ana Maria Neiza, explica o programa “Quiero Estudiar”. Crédito estudantil próprio também foi tema do seminário

O Semesp, por meio de sua Universidade Corporativa, realizou nos dias 11 e 12 de abril, em sua sede, o seminário “Como captar recursos e gerir programas sustentáveis de bolsas de estudos e crédito estudantil”. O objetivo foi apresentar às IES cases exitosos de instituições que oferecem bolsas de estudo de forma filantrópica ou criaram programas de crédito estudantil próprio.

Um dos exemplos apresentados durante o seminário foi o programa “Quiero Estudiar”, desenvolvido pela Universidad de Los Andes, da Colômbia. Criado em 2006, o programa seleciona anualmente cerca de 120 estudantes com bom potencial acadêmico e sem recursos financeiros para serem beneficiados com bolsas de estudo de 95% na universidade, considerada uma das 10 melhores da América Latina.

Para ingressar no programa, primeiros os estudantes entram na Universidad de Los Andes e passam por um processo de seleção com milhares de inscritos. A instituição desenvolveu uma série de ferramentas que medem as competências, valores e motivações dos estudantes para definir os mais capazes a serem bem sucedidos. Os alunos não selecionados para o “Quiero Estudiar” são destinados a outros programas de financiamento já oferecidos pela instituição.

Programa inclusivo

Durante o seminário, a chefe dos Serviços Financeiros a Estudantes da Universidad de Los Andes, Ana Maria Neiza, mostrou um panorama de todos os programas de bolsas oferecidos pela IES colombiana, enfatizando que o “Quiero Estudiar” é “a menina dos olhos” da instituição ao buscar diversidade e ter como objetivo uma sociedade mais inclusiva.

Neiza explicou que o programa passou por mudanças a partir de um novo planejamento estratégico da universidade, realizado em 2013, tornando-se mais sustentável e menos custoso. “O planejamento identificou pontos a serem melhorados e levantou informações relevantes para a criação de um fundo de capital humano para sustentar o programa”, afirmou. Segundo ela, a partir dessa reforma, toda a universidade possui uma responsabilidade em relação ao fundo, que é separado das contas financeiras da instituição. “O planejamento também garantiu uma melhor comunicação entre todos os processos para que o programa seja bem sucedido”, contou.

Outra alteração sofrida pelo “Quiero Estudiar” foi a construção da ideia de que o programa oferece bolsas colaborativas e com compromisso, estabelecendo um acordo de reciprocidade entre a universidade e os beneficiários. “Esse acordo cria uma ligação moral entre o programa e os estudantes, que ficam comprometidos a contribuir com ele durante o dobro do tempo de concessão da bolsa”, esclareceu a diretora de Inovação do programa, Carolina Salguero.

A diretora de Filantropia da Universidad de Los Andes, Carolina Angel, falou sobre como a universidade trabalha com o conceito de filantropia

Compromisso e reciprocidade

 “É graças ao retorno dos próprios estudantes e de doadores em geral que o ‘Quiero Estudiar’ se mantém e se tornou um programa revolucionário na América Latina ao dar oportunidades a pessoas talentosas e com poucos recursos”, pontuou Carolina. “Mesmo os estudantes que terminam o programa e não conseguem emprego contribuem, ainda que simbolicamente. É isso, aliado ao compromisso de reciprocidade, que garante a continuidade do programa”, esclareceu.

Um programa que aponta para um caminho do bem comum e que quer ser um motor de transformação social. É assim que as colombianas descrevem o “Quiero Estudar”. Além de despertar o sentimento de reciprocidade e pertencimento, o programa ainda trabalha com a ideia de solidariedade, a partir das doações que recebe.

“Nosso programa funciona como uma ‘carreira de solidariedade’ em que muitas pessoas se unem para mudar a Colômbia por meio da educação superior”, defendeu a diretora de Filantropia da Universidad de Los Andes, Carolina Angel, que explicou também como são feitas as doações e a relação entre os doadores e os beneficiários.

O diretor Administrativo e Financeiro da Fundação Hermínio Hometo (Uniararas), Francisco Eliseo Fernandes Sanches, explicou o crédito próprio da IES, o PagFácil.

Experiências das IES brasileiras

 Três IES brasileiras também contaram suas experiências durante o seminário “Como captar recursos e gerir programas sustentáveis de bolsas de estudos e crédito estudantil”. Uma delas está desenvolvendo um programa inspirado, inclusive, no “Quiero Estudiar”.

João Otávio Bastos Junqueira, reitor da Unifeob, IES localizada em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, contou durante o seminário que conheceu o programa em uma visita à Universidad de Los Andes e comprou a ideia de implantá-lo na sua instituição por achá-lo inovador, ainda que com diferenças em relação ao original, como o oferecimento de bolsas de 100% e a não necessidade de comprovação da situação econômica do estudante.

“Estamos selecionando alunos de escolas públicas, por exemplo”, explica João Otávio sobre o processo de seleção dos estudantes do “Quero Estudar”. “Essa característica, no Brasil, já é um indicador de que o aluno não pode pagar uma faculdade privada. Diferente de outros programas, nós também abrimos mão de garantias judiciais e focamos na questão da confiança entre o estudante e a universidade”, relatou, citando que o programa está em fase de estruturação para uma campanha de doações.

Localizada na cidade de Araras, também interior de São Paulo, a Fundação Hermínio Hometo (Uniararas) está apostando em seu próprio crédito estudantil, o PagFácil. “Em 2016, elaboramos um planejamento estratégico e percebemos uma mudança de perfil de nossos alunos, com uma maior participação das classes C e D”, lembrou o diretor Administrativo e Financeiro da instituição, Francisco Eliseo Fernandes Sanches.

“Na ocasião, procuramos várias instituições bancárias para criarmos juntos uma linha de financiamento, mas nenhuma se interessou”, lamentou ele. “Decidimos então financiarmos nós mesmos, sem a cobrança de juros, com o objetivo de aumentarmos a captação e a redução da evasão, evitando assim o risco de ter uma carteira vazia nas salas de aula”.

Outra IES que apresentou seu programa de bolsas de estudos foi a Fundação Getúlio Vargas, que oferece bolsas reembolsáveis e bolsas não reembolsáveis dentro da EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo). Segundo Arthur Ridolfo Neto, coordenador do Programa de Bolsas de Estudos da EAESP, no caso das bolsas reembolsáveis, a IES não cobra juros porque tem a preocupação que seus estudantes mantenham-se nos cursos. “O objetivo do nosso programa não é aumentar nosso patrimônio e sim mantê-lo, daí a opção de não cobrar juros. Aplicamos apenas uma correção para manter o fundo responsável por alimentar os financiamentos”, afirmou.

Em relação às bolsas não reembolsáveis, elas são divididas entre as de méritos, entregues aos primeiros colocados no vestibular e as classificadas como de necessidade econômica, que seleciona estudantes que comprovem condições socioeconômicas desfavoráveis. Para manter as bolsas, a FGV recebe recursos financeiros de dez empresas e doações regulares de alunos, ex-alunos e professores.

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