Um dos trabalhos em destaque na 2ª Seção de Apresentações do 7º Congresso de Iniciação Científica do SEMESP – CONIC-SEMESP tratou do tema “Famílias sentenciadas – Um estudo acerca do impacto da pena sobre as famílias dos presos”. O projeto teve como objetivo elaborar um diagnóstico a respeito do impacto da pena privativa de liberdade sobre as famílias dos condenados e também estudar a realidade dessas famílias e suas dificuldades.

“Embora o ditame da legislação penal de que a pena não pode ultrapassar a pessoa do condenado seja cumprido formalmente, na prática, o que se observa é que a família sofre as conseqüências materiais e imateriais indiretas da pena privativa de liberdade”, diz a autora, Rúbia Evangelista. Segundo ela, as famílias acabam por receber o olhar destinado ao recluso como uma espécie de extensão do castigo destinado a ele.

Ao mesmo tempo em que se preocupam com a situação de seu familiar preso e são um elemento importante na ressocialização do mesmo, as famílias se sentem excluídas moralmente diante da sociedade. 34% dos entrevistados afirmaram que sentiam vergonha por terem um parente preso. A pesquisa constatou, ainda, que 68% das famílias estudadas acreditam que a prisão não recupera o criminoso. Na opinião da autora, as famílias deveriam se organizar no sentido de se fortalecer e enfrentar a discriminação, cobrando um melhor atendimento por parte do poder judiciário.