O Semesp realizou nesta segunda, 23, a segunda Conferência de Marketing Educacional, discutindo os impactos das ferramentas de Inteligência Artificial nos processos de comunicação e marketing das instituições de ensino superior. Fruto da Rede de Marketing do Semesp, o evento aconteceu na FAPCOM, em São Paulo, e teve foco temas como prompts, growth hacking, lifelong learning e branding.

No primeiro painel do evento sobre o papel dos prompts na conversão, Rodrigo Cutri, reitor do Centro Universitário Fundação Santo André, decretou que a IA veio para fazer uma transformação no mercado de trabalho e só sobreviverá quem souber se adaptar à tecnologia. Ele apontou também a importância da base conceitual. “A IA não vai substituir o ser humano, mas quem não se adaptar será substituído por alguém que sabe usar a IA”, alertou ele.

“Não devemos transferir toda a responsabilidade para a IA, e as IES precisam focar no potencial criativo para melhorar suas métricas”, prosseguiu. “Para isso, as instituições precisam treinar suas equipes, apostar no monitoramento contínuo e criar uma diretriz de uso da IA”, listou.

Sobre growth hacking, o CEO da On.Stride Strategy, Gustavo Reis, começou sua fala destacando o momento singular que vivemos atualmente. “Nosso ambiente de negócios está cada vez mais complexo, com a aceleração do processo de digitalização, busca por uma maior conexão com o consumidor e diferenciação frente a concorrentes diretos”, definiu.

Segundo ele, é fundamental que o setor de educação saiba o que está acontecendo em outros setores. “Ficar mergulhado em seu próprio negócio é fazer mais do que mesmo. É preciso mudar estruturas, modelos e formas de pensar, mesmo que isso seja difícil. As pessoas não gostam de mudanças, e as empresas falam que sim, mas também não gostam. As grandes empresas de tecnologia nos ensinam a olhar para os negócios de forma diferente, com foco nas oportunidades de crescimento e diversificação”.

Lifelong learning

“Os profissionais de marketing possuem um viés profundamente enraizado: a obsessão pela juventude”, disparou Ricardo Cruz, da Tecnológico de Monterrey, IES mexicana exemplo em estratégias de lifelong Learning. “Eles pensam que os jovens são os que marcam tendências e mais adotam as tecnologias”, acrescentou ele apontando esse tipo de pensamento como um grande desafio. “O marketing é muito voltado para o novo, o fresco e o jovem”, prosseguiu alertando que esses conceitos têm mudado.

Segundo Cruz, atualmente, mais grupos de pessoas de diferentes gerações têm convivido entre si, obrigando as marcas a adaptar suas mensagens para audiências multigeracionais. “Cada geração tem valores, expectativas e formas distintas de se comunicar, moldados por seu contexto histórico. Por isso, o marketing precisa ser mais personalizado do que nunca, compreendendo as motivações comportamentais únicas de cada geração, isso em um universo de saturação dos canais digitais e de abundância de informação”, apontou ele.

Para Cruz, as IES precisam adotar uma estratégia multivariada para atrair diferentes públicos com objetivos educacionais distintos. “Três pilares que ajudam na construção de estratégias nesse mundo hiperconectados são plataformas, cultura e contexto”, defendeu citando a busca por narrativas que humanizam os consumidores, especialmente no caso do público sênior cuja história de vida é mais longa do que os mais jovens.

Branding Inteligente

“A construção de uma marca forte leva tempo e não é algo fácil”, disparou Marcos Hiller, sócio-fundador da THE HILLER AND BRANDING. Segundo ele, o mercado educacional é muito fragmentado, mas o percurso para a construção de uma marca forte é universal para qualquer categoria. “É necessário explorar e entender dados e análises de players, mergulhar nos consumidores com pesquisa de qualidade e entrevistas, transformar insights em elementos visuais e textuais e, claro, ter obsessão por detalhes”, listou ele.

“Marcas fortes se constróem no detalhe porque tudo comunica a marca”, destacou Hiller elencando que a personalidade vem das cores, ilustrações e outros elementos visuais e verbais. “As marcas precisam usar o design a serviço de um posicionamento. E se posicionar é fazer escolhas e renúncias”, acrescentou. “Construir uma marca é um exercício complexo e é preciso ter cuidado com generalizações e categorizações, elas são reducionistas. Construir uma marca é ocupar um espaço que ninguém ocupa’, finalizou.

Além de debates com profissionais de marcas como Somos Young, CRM Educacional e POK, segunda Conferência de Marketing Educacional apresentou ainda cases de sucesso relacionados ao marketing de IES como Unimar, PUCPR e Centro Universitário Clarentiano.