Capítulo Especial
Agrossistema
Cenário e Tendências
dos Cursos
Relacionados ao
Agrossistema
Os cursos relacionados ao Agrossistema estão em expansão, impulsionados pela importância do setor de agronegócio na economia brasileira e pelo crescente protagonismo das questões ambientais e de sustentabilidade em um cenário global de desafios climáticos cada vez mais urgentes. Este cenário ganha ainda mais relevância em 2025, ano em que o Brasil sedia a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, no Pará, reforçando a necessidade de integrar práticas sustentáveis na formação acadêmica e no setor produtivo. Nesse contexto, o Semesp também definiu a sustentabilidade como um dos principais eixos de suas ações voltadas ao ensino superior para 2025 e será, ainda, o tema central do 27º Fnesp.
Para explorar de forma mais aprofundada a importância e os desafios relacionados a essas questões, e ajudar na formulação de estratégias para aprimorar a formação acadêmica e ampliar a consciência ambiental, a 15ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil apresenta o capítulo especial Cenário e Tendências dos Cursos Relacionados ao Agrossistema. Este estudo reúne dados estatísticos e análises de especialistas que abordam as tendências e as oportunidades de cursos como Agronegócio, Agrocomputação, Ecologia, Meio ambiente, Meteorologia, Energias renováveis, Biotecnologia, Ciências ambientais, entre outros (veja aqui a relação completa de cursos relacionados ao Agrossistema).
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
*Matrículas em Cursos relacionados ao Agrossistema em 2023.
**Exterior: 35 matrículas (100% na EAD na rede privada).
Mas o que significa, afinal, Agrossistema? Embora o termo ainda não seja amplamente difundido, ele se refere a um sistema integrado de produção, que envolve a interação entre diferentes componentes do meio ambiente, como solo, clima, plantas, animais, recursos hídricos e tecnologias aplicadas à produção, buscando equilibrar eficiência econômica e conservação ambiental. Dessa forma, o Agrossistema propõe um desenvolvimento sustentável que harmoniza as cadeias produtivas com a preservação ambiental e bem-estar das comunidades.
A importância do agronegócio para a economia brasileira é incontestável, como demonstram os números. Segundo dados de 2023 do Ministério da Agricultura e Pecuária, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, da Companhia Nacional de Abastecimento e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o setor agropecuário representou 24,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e foi responsável por mais de 20% do total de empregos no país. Além disso, o agronegócio é fundamental para o saldo positivo da balança comercial brasileira.
Em 2023, o Brasil registrou um superávit comercial de 99 bilhões de dólares, resultado de exportações do setor agropecuário que somaram 150 bilhões de dólares. O país é líder mundial na produção de suco de laranja, café, soja e açúcar, bem como o principal exportador desses produtos e de carne de frango e bovina.
Apesar da relevância econômica e de sustentabilidade, o interesse dos estudantes por cursos de graduação relacionados ao Agrossistema ainda é relativamente baixo. Apenas 31,1% das Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras ofertam cursos vinculados ao Agrossistema. No que se refere às matrículas, a participação também é reduzida: em 2023, apenas 6,6% das matrículas presenciais no país foram registradas em cursos relacionados ao Agrossistema. Na Educação a Distância (EAD), esse percentual foi ainda menor, representando apenas 2,3% do total de matrículas.
Embora a representatividade dos cursos relacionados ao Agrossistema ainda seja baixa em comparação ao total do ensino superior, esses cursos apresentaram crescimento acima da média dos demais, especialmente na modalidade presencial. Entre 2013 e 2023, as matrículas em cursos presenciais relacionados ao Agrossistema cresceram 26%, com aumento de 43,2% na rede privada e 12,5% na rede pública. Esse crescimento contrasta com a queda de 29,1% nas matrículas presenciais de outras áreas. No mesmo período, as matrículas na modalidade EAD em cursos relacionados ao Agrossistema cresceram 259,5%, com maior expressividade na rede privada (271,5%).
Além do crescimento das matrículas acima da média, os cursos relacionados ao Agrossistema também apresentam remuneração superior à média de outras áreas. Dados indicam que profissionais formados nesses cursos ganham, em média, 9,4% a mais do que trabalhadores de outras áreas.
De qualquer modo, ainda que a representatividade dos cursos relacionados ao Agrossistema no ensino superior não seja grande, as áreas do agronegócio e do meio ambiente têm se profissionalizado cada vez mais, em especial graças a uma tendência de evolução tecnológica do setor, o que requer profissionais mais capacitados e especializados. Isso fica evidente com o crescimento no número de empregos formais de profissionais com graduação de 2019 a 2022, 15,4%, o dobro do aumento em relação às demais profissões no mesmo período (7,6%).
A questão ambiental também tem papel central no futuro dos cursos relacionados ao Agrossistema. O Brasil, frequentemente alvo de debates sobre sustentabilidade no agronegócio, estará no centro das atenções globais com a realização da COP30. Cursos como Biocombustíveis, Ciências Ambientais, Ecologia, Energias Renováveis e Engenharia Ambiental têm ainda mais relevância nesse contexto, mas ainda possuem um número reduzido de matrículas em comparação a cursos mais tradicionais, como Agronomia e Medicina Veterinária, o que aponta a necessidade de uma melhor distribuição de estudantes entre estes cursos.
Matrículas
• Apenas 25,4% são na modalidade EAD, mostrando a vocação presencial dos cursos relacionados ao Agrossistema;
• 62,4% estão na rede privada;
• 34,3% são em Medicina Veterinária* (153 mil) e 31,2% em Agronomia (139 mil).
*Grande parte dos estudantes do curso, especialmente nos grandes centros urbanos, busca a graduação para atuar na medicina voltada a animais de pequeno porte, como cães e gatos, e não na medicina de animais de grande porte, característicos da pecuária, por exemplo. Esse fator gera uma distorção que influencia no aumento do número de matrículas dos cursos relacionados ao Agrossistema em algumas regiões.
Vocação presencial e perfil dos alunos
Em relação à distribuição das matrículas das graduações relacionadas ao Agrossistema, ela segue a própria dinâmica populacional do Brasil, com regiões mais populosas detendo mais matrículas. Os estados do Centro-Oeste, onde o agronegócio é forte, sobem no ranking com mais matrículas, quando considerado apenas esses cursos.
Conforme observado, outra característica peculiar dos cursos relacionados ao Agrossistema é a maior presença na modalidade presencial, contrariando a tendência de crescimento da EAD. Esses dados podem ser explicados na análise do perfil diferenciado dos estudantes desses cursos, que, em geral, fazem escolhas mais vocacionadas, possuem renda familiar mais elevada, preferem o período diurno e, em média, são mais jovens em comparação à faixa etária dos alunos de outras áreas.
Crescimento das Matrículas em Cursos Relacionados ao Agrossistema
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
Crescimento em Cursos Relacionados ao Agrossistema x Geral (Variação 2022 – 2023)
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
Cursos Relacionados ao Agrossistema
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
Com a palavra, os especialistas
Número de matrículas
“Muitos jovens ainda associam esses cursos, exclusivamente, à questão da agricultura tradicional, por exemplo, com pouca valorização das oportunidades modernas que envolvem tecnologia, inovação e sustentabilidade. A falta de divulgação clara sobre as possibilidades de inovação e tecnologia no segmento é um fator que distancia os jovens. A oferta de cursos tende a se concentrar em áreas com forte atuação no agronegócio, como o Centro-Oeste e o Sul do Brasil.”
“Existe uma questão ligada a um certo desconhecimento da relevância e da importância que o setor de produção de alimentos, do agronegócio e das questões ambientais têm para o Brasil. Mas isso está mudando. Historicamente, nosso país ficou muito tempo focado em cursos como Medicina, Direito, Engenharia e só recentemente nosso portfólio de cursos está ampliando. Acredito que é uma questão de tempo para os jovens e quem está ingressando no ensino superior realmente compreender a abrangência, a complexidade e o significado desse tipo de curso.
É preciso entender que esses cursos não são apenas um corte segmentado do que consideramos como ciências agrárias. Quando falamos de agrossistema, não é simplesmente Agronomia, Medicina Veterinária ou Engenharias Ambientais, por exemplo. Temos que ter um olhar mais avançado sobre o conceito e pensarmos em termos mais relacionados à segurança alimentar, segurança energética e segurança climática e também social, por exemplo.”
“A oferta dos cursos em apenas 31% das IES deve ser analisada do ponto de vista geográfico, com concentração de oferta em regiões voltadas para o mercado agrícola, no interior do Brasil. Como boa parte das matrículas se concentra nos grandes centros urbanos, a procura pela área tende a ser menor. Para além desse aspecto geográfico, falta, por parte da maioria das IES brasileiras, um entendimento mais claro sobre esse potencial do agrossistema nacional e qual a formação/ currículo adequado para suprir essa demanda.”
“Os números baixos podem ser explicados por fatores como a falta de informação e valorização dessas profissões. Apesar de o Brasil ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo, com destaque na exportação de carne, grãos e outros produtos de origem vegetal e animal, muitos jovens desconhecem o potencial e a diversidade de carreiras no setor. Profissões como Medicina Veterinária, Agronomia e Zootecnia ainda são associadas a nichos específicos, o que limita o interesse.
Além disso, algumas áreas relacionadas ao agrossistema, como Agrocomputação e Ciências Ambientais, são relativamente novas e carecem de maior visibilidade. Também é importante considerar o desinteresse gerado por vagas ociosas e a percepção de que o setor não exige, em sua totalidade, formação superior. Entretanto, com o aumento das discussões sobre mudanças climáticas, sustentabilidade e inovação tecnológica, espera-se que esse cenário mude gradualmente.”
“O conceito de agronegócio não envolve somente as atividades realizadas da porteira para dentro, mas toda uma parte de gestão, comercialização, manutenção, etc. Se contarmos esses outros alunos envolvidos, com certeza o percentual de matrículas é maior. Mas acredito que esses números têm potencial para crescer, e esses cursos são uma oportunidade para as instituições de ensino. O agronegócio passou por muitas modificações nos últimos anos com a incorporação de tecnologia e mais uma série de inovações não só nos processos produtivos como também na prestação de serviços. Acredito que uma maior aproximação das IES com o setor pode ser uma fonte boa de oportunidades para que as instituições com essa vocação ofereçam cursos mais ajustados às necessidades do agronegócio, que são muitas.”
Como atrair mais alunos?
“A solução passa por iniciativas conjuntas entre governo, instituições de ensino, setor privado e sociedade, reconhecendo que a formação de profissionais qualificados no agrossistema é essencial para o desenvolvimento sustentável e a competitividade global do Brasil no setor.”
“As instituições de ensino superior precisam perceber a importância do setor para a oferta de cursos regulados, formais ou não. Sim, o setor do agronegócio, por exemplo, ainda emprega muitos profissionais sem graduação superior, mas as IES também não precisam oferecer só cursos regulados. Existe uma infinidade de oportunidades de capacitação, atualização e recolocação de profissionais que podem atuar na área sem necessariamente precisarem fazer um curso de graduação superior regulado. As possibilidades são infinitas para se trabalhar com agrossistema de forma direta ou indireta, com demanda para profissionais de marketing, tecnologia, engenharias, direito, administração, gestão, etc.”
“As instituições de ensino não conseguem promover a atratividade das formações relacionadas ao agrossistema. Essa atratividade deve ser acompanhada de uma completa modernização curricular, um marketing diferente para além da agronomia tradicional e a exploração positiva das parcerias com as potentes empresas do setor.”
“É necessário investir em estratégias de conscientização e divulgação nas escolas, mostrando o impacto dessas carreiras na sustentabilidade, na produção de alimentos e na saúde ambiental. Outro ponto-chave é valorizar os profissionais graduados, destacando as oportunidades de mercado e a diferença que o conhecimento técnico e científico faz na eficiência e competitividade do setor.”
“Acredito que o agronegócio não exigir o diploma não é um grande problema, mas sim que essas formações não estão adequadas ao que o mercado precisa. Existe um conjunto de competências que o setor tem demandado e que tem dificultado o preenchimento dessas vagas. Essas competências deveriam estar sendo desenvolvidas por cursos tecnológicos ou de graduação, mas não é isso que está acontecendo. Então acho que à medida que os cursos relacionados ao agrossistema se tornarem mais ajustados às necessidades do setor, eles serão mais aceitos pelo mercado e, com isso, mais alunos também vão procurá-los.”
Perfil de estudantes mais vocacionados
“A maioria dos estudantes desses cursos demonstra uma clara vocação e interesse pelo setor antes mesmo de ingressar na universidade. Isso se reflete em uma busca mais consciente por formação e em um alto índice de participação em atividades extracurriculares, como eventos do agronegócio, feiras e competições acadêmicas. Como estamos inseridos em uma região com forte presença do agronegócio [Uberaba e Uberlândia, interior de Minas Gerais], o perfil dos nossos alunos é influenciado pela proximidade com as demandas do setor.”
“O que percebemos na Unifeob é que aos darmos a oportunidade para que os estudantes destes cursos possam cursá-los no período noturno, tivemos um aumento em sua procura. Adaptamos nosso campus com uma maior iluminação, por exemplo, e fizemos outras modificações necessárias para que aulas realizadas tradicionalmente no período diurno pudessem ser atendidas à noite. O aumento dessa procura é de estudantes que precisam trabalhar e não podiam cursar a graduação no período diurno, mostrando uma demanda reprimida.”
“A grande maioria de nossos estudantes trabalha, e mais da metade, trabalha no campo, em propriedades de suas famílias ou como funcionários de empresas ligadas à área. Essa é a principal característica de nosso estudante, ele já está inserido no agrossistema desde antes de ingressar na graduação, e isso faz com que sejam realmente mais vocacionados à área de atuação.”
“O perfil dos estudantes mudou ao longo dos anos, com maior diversidade socioeconômica e um crescimento expressivo de mulheres na área. Comparando com décadas passadas, quando muitos estudantes vinham de famílias de produtores rurais, hoje encontramos um público mais urbano e interessado em áreas como saúde ambiental, inspeção de alimentos e biotecnologia. Essa mudança reflete tanto as transformações do mercado quanto o esforço das IES em atrair novos perfis de alunos.”
Meio ambiente, tecnologia e sustentabilidade
“A evolução dos cursos relacionados ao agrossistema nos próximos anos estará profundamente alinhada às crescentes demandas por sustentabilidade e com as respostas às mudanças climáticas. Esses temas já são protagonistas nas discussões globais, e a educação no setor agropecuário precisa refletir essa urgência.
A evolução dos cursos relacionados ao agrossistema é inevitável, impulsionada pela necessidade de equilibrar produção agrícola e conservação ambiental. Essa transformação não apenas atenderá às demandas do mercado, mas também contribuirá para um futuro mais sustentável e resiliente.”
“Nosso setor de agronegócio é de primeiríssimo mundo, com tecnologias como agricultura de precisão e uso de inteligência artificial no campo sendo uma realidade há muito tempo. Nosso agronegócio é um setor avançado na corrida da inovação tecnológica que consegue disputar espaço com países do primeiro mundo. O problema é um acesso maior a essas tecnologias. Nesse sentido, a responsabilidade das IES é levar esse conhecimento para todas as pontas.”
“É imperativo que os cursos da área contemplem as demandas de ESG que o mercado vem discutindo, mas sempre de forma crítica. Nosso curso de graduação em Agronomia, por exemplo, tem como característica uma formação mais técnica ao longo dos três primeiros anos, e trabalha temas emergentes nos dois últimos. No quarto ano do curso, um semestre inteiro é dedicado à inovação e agenda ESG, abordando temas atuais referentes à agricultura de precisão, tecnologias de aplicação, sistemas produtivos, inteligência artificial e agricultura digital.”
“Tecnologias como a agricultura de precisão e a inteligência artificial são cada vez mais integradas aos cursos, mesmo de forma transversal, sem a necessidade de criarmos disciplinas específicas. É fundamental que os professores mantenham esse olhar atual e que os conteúdos acompanhem as demandas do setor. É importante manter um equilíbrio entre tradição e inovação. A formação precisa respeitar os fundamentos teóricos e práticos da área, mas deve trazer metodologias e equipamentos atualizados. Isso inclui desde o uso de implementos agrícolas modernos até o aprendizado de bioestatística aplicada, que ajuda os alunos a compreender e analisar dados para resolver problemas reais.”
“Na minha visão, a sustentabilidade transversal a todas as áreas. Essa é uma e o meio ambiente impactarão não apenas os cursos relacionados ao agrossistema, mas todos os cursos de graduação e atividades de formação nos próximos anos. Cada vez mais a preocupação com a questão da sustentabilidade fará com que esse tipo de conhecimento seja preocupação que as IES precisarão enfrentar nos próximos anos. Toda a formação profissional estará muito ligada às questões ambientais porque todos os processos relacionados às atividades produtivas também estarão, o que afetará os profissionais que vão ingressar no mercado de trabalho.”
Estudo de casos das IES
“A Uniube tem se empenhado em desenvolver estratégias inovadoras para atrair estudantes e melhorar a experiência acadêmica nos cursos relacionados ao agrossistema. Um dos passos mais significativos foi a criação da Universidade do Agro, uma iniciativa estratégica que visa fortalecer o vínculo entre educação, tecnologia e as demandas do setor agropecuário. Dentre as ações estratégicas estão as seguintes práticas: parcerias com o setor agroindustrial; campanhas de divulgação; oferecimento de bolsas e incentivos; infraestrutura especializada, com modernização de laboratórios, fazendas experimentais e ferramentas tecnológicas como drones, sensores e softwares de gestão agrícola; e adoção de metodologias ativas de ensino, em que incorporamos estudos de caso, projetos interdisciplinares e simulações para engajar os alunos em situações reais enfrentadas no campo. Essas iniciativas reforçam nosso compromisso em posicionar os cursos do agrossistema como pilares estratégicos da IES, alinhados às necessidades do mercado e ao desenvolvimento sustentável.”
“Na Unifeob, criamos um programa chamado Sustentar, remetendo à ideia de sustentabilidade. Nesse programa congregamos uma diversidade de cursos para explorarmos a transversalidade dessa temática. Trabalhamos com linhas de pesquisa em que tentamos dar uma transversalidade que não se restringe apenas a esses cursos da chamada “ciências agrárias”.”
“Para o Grupo Integrado, os cursos relacionados ao agrossistema estão entre os mais estratégicos, principalmente pela tradição da instituição e pela vocação da região, que é tipicamente agrícola [Campo Mourão, interior do Paraná]. Foi por isso que criamos, no ano de 2022, a BeAgro Integrado, a primeira vertical de educação, inovação e tecnologia para o agronegócio do Brasil. Na vertical foram acopladas aos cursos de graduação da área, uma série de soluções para o desenvolvimento da carreira do profissional do agronegócio, desde antes da entrada na graduação, até o momento em que o profissional, já formado, começa a atuar no mercado de trabalho.”
“Na Unimar, destacamos estratégias inovadoras e práticas, como a fazenda experimental modelo, diferencial que permite aos estudantes de Medicina Veterinária e Agronomia vivenciarem a realidade do campo; a integração entre cursos, com projetos que unem Medicina Veterinária, Agronomia e outras áreas para trabalhar questões como sustentabilidade e saúde única (animal, humana e ambiental); atividades práticas e eventos, com organização de dias de campo para estudantes do ensino médio e técnico, desmistificando a visão limitada sobre as profissões; e apoio ao ensino noturno, atendendo alunos que precisam conciliar trabalho e estudo, mantemos a qualidade das aulas práticas, inclusive em horários alternativos. Essas ações reforçam a relevância dos cursos e preparam os alunos para um mercado que exige competências técnicas e visão holística.”
Visão de mercado
“Quando falamos de agrossistema ou do sistema de produção como um todo, estamos remetendo tanto ao meio ambiente, solo, clima, plantas, animais, recursos hídricos e tecnologias agrícolas que têm uma interação com todo esse sistema. Um ponto fundamental é que os alunos saem do ensino médio sem uma preparação adequada e um entendimento mais complexo sobre a questão, o que dificulta o trabalho das instituições de ensino superior. Precisamos evoluir nesse sentido para termos mais sucesso no ensino superior. Aliado a isso, é preciso despertar o interesse dos mais jovens esclarecendo que o compromisso do agronegócio não é apenas com a economia, mas com a sustentabilidade. As IES precisam melhorar essa comunicação para tirar o estigma do agro como algo ruim.
Em relação à formação que esses estudantes estão recebendo nas graduações, há uma falta de conhecimento básico que nos assusta bastante, com um despreparo mais claro sobre o nosso sistema produtivo. Os alunos precisam desse conhecimento fundamental para em seguida serem direcionados para áreas mais específicas como agricultura, pecuária, etc. Nesse sentido, acredito nas parcerias entre IES e o mercado, uma aproximação com as empresas do setor, em especial com foco na parte tecnológica e da sustentabilidade.
Às vezes, por falta de investimento e mesmo estrutura, as IES não conseguem acompanhar as evoluções do mercado. Acredito que essas parcerias possam possibilitar esse avanço, o que ofereceria condições ideais para os alunos se formarem para enfrentar o mercado de trabalho e contribuiria para que as empresas consigam contratar profissionais realmente preparados e qualificados.”
Instituições
77,8% das IES que ofertam cursos relacionados ao Agrossistema são da rede privada: no ensino presencial são 76,3% e no EAD, 93,2%. De 2022 a 2023, houve um aumento de 3,5% no total de IES que ofertam esse tipo de curso: um crescimento de 4,0% na rede privada e 1,7% na rede pública.
De 2013 a 2023, o número de IES que ofertam cursos relacionados ao Agrossistema cresceu 31,9%. O aumento na rede privada foi de 43,3%, enquanto na rede pública o crescimento foi de apenas 2,9%, evidenciando que a expansão desse tipo de curso na última década ocorreu na rede privada.
Em 2023, das 2.580 IES do país, 31,1% (803) ofertam cursos relacionados ao Agrossistema. Do total de IES com cursos presenciais, 27,6% da rede privada oferecem esse tipo de curso, enquanto, na rede pública, esse percentual sobe para 56,3%.
Na modalidade EAD, 29,1% das IES da rede privada possuem cursos relacionados ao Agrossistema, enquanto, na rede pública, apenas 11,2% ofertam essa formação.
Número de IES que Ofertam Cursos Relacionados ao Agrossistema
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
Matrículas
A dinâmica da distribuição das matrículas entre os estados no que diz respeito às graduações relacionadas ao Agrossistema é um pouco diferente das matrículas totais, com estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul subindo posições e apontando uma vocação do Centro-Oeste para a área do agronegócio, por exemplo. O maior percentual dessas matrículas na rede privada de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul também mostra a vocação dos estados. Na rede pública, Mato Grosso e Goiás lideram o percentual de matrículas nesse tipo de curso.
Matrículas x Unidade da Federação
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
Percentual de Matrículas em Cursos do Agrossistema em Relação ao Total
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
A participação dos cursos relacionados ao Agrossistema é maior na rede pública, o que indica que o setor privado ainda tem grande potencial de crescimento na área. Se há interesse nesses cursos, comprovado pela quantidade de matrículas nas instituições públicas, também existe demanda a ser explorada pelas IES privadas.
Matrículas em Cursos Presenciais
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
O crescimento das matrículas nos cursos presenciais relacionados ao Agrossistema vai na contramão da tendência de queda das matrículas totais nessa modalidade. Entre 2022 e 2023, por exemplo, o número de matrículas presenciais nesse tipo de curso aumentou 2,1%, com um acréscimo de 7,5% na rede privada e uma redução de 2,7% na pública. Atualmente, 50,0% dessas matrículas estão concentradas na rede privada.
Em 2023, 6,6% das matrículas em cursos presenciais no ensino superior foram em áreas relacionadas ao Agrossistema, percentual que tem apresentado crescimento ao longo da última década. Entre 2013 e 2023, as matrículas em cursos presenciais relacionados ao Agrossistema na rede privada aumentaram 43,1%.
Outro dado que reforça esse crescimento é a comparação com o total geral de matrículas nos cursos presenciais, independente da área, na rede privada, que apresentou uma queda de 27,2% de 2013 a 2023. Excluindo os cursos relacionados ao Agrossistema, essa queda foi um pouco mais acentuada, atingindo 29,1%.
*Apenas cursos presenciais relacionados ao Agrossistema com mais de 100 matrículas em 2023.
Matrículas em Cursos EAD
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
Entre 2022 e 2023, o número de matrículas em cursos EAD relacionados ao Agrossistema aumentou 24,4%: 23,2% na rede privada e 330% na pública. 98,6% das matrículas EAD nesse tipo de curso estão na rede privada, o que espelha a própria predominância da modalidade em IES privadas.
Do total de matrículas em cursos EAD, apenas 2,3% estão em cursos relacionados ao Agrossistema. No entanto, houve crescimento significativo dessas matrículas na última década na rede privada. Entre 2013 e 2023, o número de matrículas em cursos EAD voltados ao Agrossistema aumentou 272%, embora esse crescimento tenha sido inferior ao registrado nas matrículas EAD em geral no mesmo período (372%). Considerando apenas os cursos EAD da rede privada, exceto os relacionados ao Agrossistema, o aumento foi ligeiramente maior (375%), o que indica uma maior tendência desses cursos para a modalidade presencial.
*Apenas cursos EAD relacionados ao Agrossistema com mais de 100 matrículas em 2023.
Ingressantes
Ingressantes em Cursos Presenciais
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
Entre 2022 e 2023, o número de ingressantes/calouros em cursos presenciais relacionados ao Agrossistema aumentou 2,0%: 1,3% na rede privada e 2,9% na pública. 58,1% dos calouros nesse período ingressaram em IES privadas.
Na última década, a rede privada registrou crescimento de 28,2% no número de calouros em cursos presenciais relacionados ao Agrossistema.
Do total de ingressos em cursos presenciais, apenas 6,1% são em cursos relacionados ao Agrossistema.
*Apenas cursos presenciais relacionados ao Agrossistema com mais de 100 calouros em 2023.
Ingressantes em Cursos EAD
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
Entre 2022 e 2023, o número de ingressos em cursos EAD relacionados ao Agrossistema aumentou 16,4%: 14,5% na rede privada e 1.018% na pública. 98,2% dos calouros ingressaram na rede privada. Na última década, o número de calouros em cursos EAD relacionados ao Agrossistema aumentou 415% na rede privada.
Do total de ingressos em cursos EAD, apenas 2,5% estão em cursos relacionados ao Agrossistema.
*Apenas cursos EAD relacionados ao Agrossistema com mais de 100 calouros em 2023.
Concluintes
Concluintes em Cursos Presenciais
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
Entre 2022 e 2023, o número de concluintes em cursos presenciais relacionados ao Agrossistema aumentou 2,7%: 1,5% na rede privada e 4,0% na pública. 50,7% destes concluintes eram da rede privada.
Do total de egressos em cursos presenciais, em 2023, 5,3% são de cursos relacionados ao Agrossistema.
*Apenas cursos presenciais relacionados ao Agrossistema com mais de 100 egressos em 2023.
Concluintes em Cursos EAD
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
Entre 2022 e 2023, o número de concluintes em cursos EAD relacionados ao Agrossistema aumentou 12,8%: 12,6% na rede privada e 69,6% na pública. 99,6% destes concluíram a graduação em uma IES da rede privada.
Do total de egressos em cursos EAD, apenas 1,5% é de cursos relacionados ao Agrossistema.
*Apenas cursos EAD relacionados ao Agrossistema com mais de 100 egressos em 2023.
Cursos
Cursos Presenciais
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
Entre 2022 e 2023, o número de cursos presenciais relacionados ao Agrossistema aumentou 2,0%: 1,5% na rede privada e 2,5% na pública. 49,3% desse tipo de curso são ofertados pela rede privada.
Do total de cursos presenciais, em 2023, 5,7% estão relacionados ao Agrossistema.
Cursos EAD
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
Entre 2022 e 2023, o número de cursos EAD relacionados ao Agrossistema aumentou 22,9%: 21,6% na rede privada e 60,0% na pública. 95,6% desse tipo de curso são ofertados pela rede privada.
Do total de cursos EAD, em 2023, 3,5% estão relacionados ao Agrossistema.
Cursos Presenciais Mais Procurados – Rede Privada
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
*Cursos presenciais relacionados ao Agrossistema da rede privada com maior número de alunos matriculados e o percentual de alunos em relação ao total.
Cursos Presenciais Mais Procurados – Rede Pública
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
*Cursos presenciais relacionados ao Agrossistema da rede pública com maior número de alunos matriculados e o percentual de alunos em relação ao total.
Cursos EAD Mais Procurados
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
*Cursos EAD relacionados ao Agrossistema da rede privada e da rede pública com maior número de alunos matriculados e o percentual de alunos em relação ao total.
Indicadores de Trajetória
Taxa de Permanência
Percentual de ingressantes que estão com vínculo ativo no curso no ano de referência
Taxa de Conclusão Acumulada
Percentual de ingressantes que concluíram o curso até o ano de referência
Taxa de Desistência Acumulada
Percentual de ingressantes que desistiram do curso ou faleceram até o ano de referência
Modalidade – Rede Privada
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP – Ciclo 2019-2023
Por se tratar de uma área de nicho e vocacionada (como será detalhado no perfil dos estudantes), as taxas de desistência são elevadas, embora menores do que as observadas em outros cursos presenciais da rede privada. Por outro lado, devido ao maior número de disciplinas práticas, as taxas de desistência na EAD são mais altas em comparação aos demais cursos. Os dados indicam que a falta de atividades práticas no ensino a distância contribui significativamente para o aumento da evasão nesses cursos.
Modalidade – Rede Pública
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP – Ciclo 2019-2023
Por Curso Presencial
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP – Ciclo 2019-2023
Obs.: foram considerados apenas cursos presenciais com mais de 100 ingressos em 2019 na rede privada.
Por Curso EAD
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP – Ciclo 2019-2023
Obs.: foram considerados apenas cursos EAD com mais de 100 ingressos em 2019 na rede privada.
Mensalidades
O valor médio das mensalidades dos cursos relacionados ao Agrossistema é superior ao dos demais cursos, incluindo Medicina, tanto na modalidade presencial quanto na EAD. Isso se deve, em parte, ao fato de ser uma área de nicho, com poucas IES oferecendo esses cursos, o que resulta em menor concorrência e menos disputas de preços, explicando, assim, o valor mais alto das mensalidades.
Mensalidade no Ensino Superior (em Reais)
Fonte: Pesquisa de Mensalidades Semesp 2024
Perfil dos Alunos
De modo geral, o perfil dos alunos matriculados em cursos relacionados ao Agrossistema é bem distinto dos demais cursos. Eles têm maior poder aquisitivo, ingressam mais motivados pela vocação, sem se preocupar tanto com os valores das mensalidades. Além disso, são estudantes mais jovens que optam por cursos presenciais, frequentam a faculdade no período diurno e, em sua maioria, não trabalham durante a graduação.
Sexo
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
A participação masculina em cursos relacionados ao Agrossistema é superior à dos demais cursos, atingindo 49,2%. Quando excluído o curso de Medicina Veterinária, o percentual de mulheres matriculadas nesses cursos cai para 40,5%, evidenciando uma predominância ainda maior de estudantes do sexo masculino. Vale ressaltar que a Medicina Veterinária atrai um grande número de estudantes interessados na medicina de pequenos animais, como cães e gatos, em vez de animais de grande porte, mais característicos do setor agropecuário.
Procedência – Ensino Médio
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
No geral, a procedência dos estudantes em cursos relacionados ao Agrossistema é semelhante à dos demais cursos.
A presença de egressos do ensino médio privado é ligeiramente maior apenas em cursos mais específicos, como Engenharia de Bioprocessos e Engenharia de Biossistemas.
Turno
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
Em razão da própria natureza de parte desses cursos, há um número maior de estudantes matriculados em cursos presenciais e diurnos. O número de alunos matriculados em cursos EAD é quase metade do observado nos demais cursos, o que reforça a vocação presencial dos cursos relacionados ao Agrossistema.
Cor / Raça
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
*Exceto respostas classificadas como “Não Declarado”.
Faixa Etária
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
Em consonância com a maior procura por cursos presenciais, o público matriculado nos cursos relacionados ao Agrossistema é formado por alunos mais jovens. Os dados seguem a tendência geral de um público de faixa etária mais elevada nos cursos EAD.
Renda Familiar
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
Os cursos relacionados ao Agrossistema atraem alunos com renda mais elevada do que os estudantes dos demais cursos. Como será observado adiante, a maioria deles, inclusive, não trabalha, ao contrário dos alunos dos demais cursos.
* Os cursos não são os mesmos porque são dados retirados do Enade.
Trabalho
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
* Os cursos não são os mesmos porque são dados retirados do Enade.
Situação Financeira
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
* Os cursos não são os mesmos porque são dados retirados do Enade.
1º da Família a Ingressar no Ensino Superior
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
* Os cursos não são os mesmos porque são dados retirados do Enade.
Escolha do Curso
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
* Os cursos não são os mesmos porque são dados retirados do Enade.
Escolha da IES
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
* Os cursos não são os mesmos porque são dados retirados do Enade.
Nota Média no Enade
Fonte: Instituto Semesp | Base: INEP
Por serem estudantes mais vocacionados e com maior renda familiar, muitos dos quais não trabalham durante o período da graduação, eles têm mais tempo para se dedicar aos estudos, o que reflete em uma média mais alta no Enade, conforme os dados abaixo.
Empregabilidade e Renda
Os dados indicam uma profissionalização, com um saldo positivo de admissões em relação às demissões nos últimos anos.
Embora ainda contrate um grande número de pessoas sem ensino superior, o aumento no número de empregos formais para profissionais graduados em cursos relacionados ao Agrossistema foi de 15,4% entre 2019 e 2022. Nos demais cursos, esse crescimento foi de apenas 7,6%.
Esses dados indicam que os cursos relacionados ao Agrossistema têm grande potencial de crescimento, inclusive com a oferta de salários mais altos. Profissionais com ensino superior completo que trabalham em áreas dos cursos relacionados ao Agrossistema, com uma carga horária aproximada de 40 horas semanais, ganham, em média, 9,4% a mais do que trabalhadores formados em cursos das demais áreas.
Empregos Formais no Brasil – Profissionais com Ensino Superior Completo (em milhares)
Fonte: Instituto Semesp | Base: RAIS (número de vínculos ativos em 31/12)
Empregos com Ensino Superior Completo – Carreiras Relacionadas ao Agrossistema
Fonte: Instituto Semesp | Base: Novo Caged
*jan-out
Salários nos Empregos Formais
Fonte: Instituto Semesp | Base: RAIS
Salários nos Empregos Formais – Carreiras Relacionadas ao Agrossistema
Fonte: Instituto Semesp | Base: RAIS








