Capítulo Especial

14ª edição / 2024

Cursos de Licenciaturas:
cenário e perspectivas

17,7% do total das matrículas do ensino superior brasileiro são em cursos de Licenciaturas, ou seja, 1,67 milhão de alunos. Deste montante, 64,2% são de matrículas no EAD.
Destaca-se que, no EAD, 63,8% dos alunos de Licenciaturas têm 30 anos ou mais, demonstrando que esta modalidade desperta maior interesse de faixas etárias mais elevadas e já inseridas no mercado de trabalho.

Diante de um cenário conturbado, que será contextualizado logo a seguir, a 14ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil dedica seu capítulo especial aos cursos de Licenciaturas, cruciais para a sustentabilidade e o desenvolvimento socioeconômico de um país.

Nas próximas páginas, além de dados e análises referentes às Licenciaturas, os especialistas em educação convidados falam sobre a predominância de matrículas no ensino a distância, reformulação na formação docente e medidas e políticas públicas para evitar a falta de professores.

Ao final do capítulo especial, é possível ainda conferir a pesquisa inédita Perfil e Desafios dos Professores da Educação Básica no Brasil, realizada pelo Instituto Semesp em março de 2024, com a participação de docentes dos ensinos infantil ao médio, das redes privada e pública, de todas as regiões do país.

Para contextualizar o cenário das Licenciaturas, vale lembrar que, em 2022, o Instituto Semesp divulgou uma pesquisa apontando um possível déficit de 235 mil professores em todas as etapas da educação básica até 2040. Os principais fatores destacados por este estudo, e reiterados nesta nova pesquisa com docentes, que contribuem para o futuro apagão de professores são: o envelhecimento do corpo docente; o desinteresse dos jovens em seguir a carreira de professor em decorrência do processo de precarização da profissão; a violência em sala de aula, as condições de trabalho precárias, como infraestrutura ruim das escolas, falta de equipamentos e materiais de apoio e higiene, além de problemas de saúde mental dos docentes.

Apesar da diversidade de cursos de Licenciaturas ofertados, praticamente metade dos estudantes está matriculada nos cursos de Pedagogia, 49,2%, ou seja, 822 mil alunos.

O Brasil pode enfrentar falta de docentes também em áreas específicas, como Química, Física e Biologia.

Outros pontos em discussão sobre as Licenciaturas incluem as constantes quedas nas matrículas presenciais e aumentos na modalidade a distância; a faixa etária mais elevada de alunos no EAD, que pouco contribui para a melhora da taxa de escolarização líquida; a predominância de estudantes em cursos de Pedagogia, em ambas as modalidades, que reforça a possível falta de profissionais também em disciplinas específicas, como Química, Física e Biologia; a polêmica em torno de uma portaria do Ministério da Educação, publicada no final de 2023, que proíbe temporariamente a criação de novos cursos de Licenciaturas no ensino a distância, bem como o anúncio do Inep de aprofundamento da avaliação da formação inicial dos professores com a realização do Enade anualmente em 17 Licenciaturas, e não mais apenas a cada três anos.

Com a apresentação desses dados, esperamos ajudar a elucidar essas questões, contribuir para o desenvolvimento sustentável das IES e auxiliar a formulação de políticas públicas para aprimorar a educação acadêmica em todo o país, independentemente da modalidade de ensino.

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.
*Matrículas em Cursos de Licenciaturas em 2022.
**Exterior: 460 matrículas (100% no EAD na rede privada).

A distribuição de alunos em cursos de Licenciaturas nas regiões é um pouco diferente daquela das matrículas gerais. A região Sudeste ainda lidera o número de matrículas, com 37,1% de alunos contra 26,1% no Nordeste, uma diferença de apenas 11 pontos percentuais (no geral das matrículas essa diferença entre as regiões é de 22,3 pontos percentuais). Essa diminuição na diferença pode indicar uma maior atratividade da carreira, com um perfil de aluno de renda mais baixa, no Nordeste, daí um maior índice de alunos também na rede pública. Já no Sudeste, um índice menor de matrículas na área de Licenciaturas pode ser decorrente de mais oportunidades de carreira em outras áreas. Outra peculiaridade é que, enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste possuem um alto índice de matrículas no EAD (74,1%, 72,2% e 60,7%), a região Nordeste detém praticamente a metade das matrículas na modalidade, 50,6%.

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.
*Matrículas em Cursos de Licenciaturas em 2022.
**Exterior: 460 matrículas (100% no EAD na rede privada).

Mapa-14-ESP-Introdução-Região-Norte
Mapa-14-ESP-Introdução-Região-Nordeste
Mapa-14-ESP-Introdução-Região-Centro-Oeste
Mapa-14-ESP-Introdução-Região-Sudeste
Mapa-14-ESP-Introdução-Região-Sul

Cursos (nomenclatura CINE) considerados como Licenciaturas para a construção das informações:

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Mapa-14-ESP-Introdução-Cursos

Com a palavra, os especialistas

Apagão de professores de Licenciaturas

“A preocupação com o apagão de docentes na educação básica não é de hoje. Esse é um problema estruturante que o Brasil não consegue resolver. De acordo com dados do Inep, a taxa de evasão dos alunos no ensino superior é de 57,2%, considerando o período de 2018 a 2022. Uma das razões para isso é o déficit de aprendizagem desses estudantes na educação básica, que decorre também da baixa qualidade na formação dos docentes, que junto com a escassez de professores termina tendo um grande impacto nesse problema que já é histórico.

Essa escassez tem raiz também no baixo interesse dos jovens pelo magistério, que, aqui no Brasil, difere de outros países mais desenvolvidos onde a profissão é um objeto de desejo. Isso impacta no crescimento tímido do número de docentes na educação básica, agravada pelo envelhecimento e aposentadoria dos professores.”

Mozart Ramos

Docente da USP de Ribeirão Preto, em São Paulo

“Há uma crise no ensino superior em geral causada por fatores diversos. Os alunos já não mais se identificam tanto com as carreiras “clássicas”, uma das quais é o magistério, em um mundo em que o mercado de ocupações se diversifica com alternativas atraentes em outras áreas como as relacionadas à tecnologia, mídia e comunicação, marketing, entre outras.

No Brasil convivem duas narrativas contraditórias sobre a profissão docente na educação básica, dificultando estabelecer uma percepção clara da profissão: de um lado o discurso perpétuo do valor e importância do professor; de outro, o lamento também perpétuo da falta de valorização, dos salários baixos e das péssimas condições de trabalho. Há pelo menos duas décadas dois fatos relacionados chamam a atenção: os vestibulandos que se dirigem às pedagogias ou licenciaturas são os que não conseguem, no ENEM, classificação para outra carreira e são também os que se originam nas camadas mais pobres da população de candidatos.”

Guiomar Namo de Mello

Doutora em Educação pela PUC-SP; e consultora de projetos educacionais na formação de professores e desenvolvimento curricular

Políticas públicas voltadas aos cursos de Licenciaturas

“O Brasil precisa de uma política de Estado que independa de governos para estabelecer uma articulação federal, estadual e municipal, envolvendo também as instituições de ensino superior. Precisamos de um ecossistema que forme, desenvolva e contrate professores, buscando a valorização da profissão e visando a criação de um programa estratégico de formação focado não apenas no ingresso de estudantes, mas de permanência destes no ensino superior. Muitos alunos desistem da graduação por falta de uma política de formação continuada que desenvolva um plano de carreira para os docentes.

Esse ecossistema desenvolveria a captação e a formação dos professores, sob a responsabilidade do governo federal, mas com articulação dos estados e dos municípios, que são os principais contratantes, e também das IES, que formam esses profissionais. Esse é um problema histórico que resulta na baixa qualidade da educação básica, já que são os professores os principais vetores de aprendizagem e formação dos alunos.

Outro problema é a reformulação profissional desses docentes que saem das IES sem uma formação prática. Os cursos de Licenciaturas possuem um forte caráter teórico, então há uma necessidade de formação continuada para tapar esse buraco na formação dos docentes. Deveria existir, por exemplo, um FIES voltado para a formação de docentes que possibilitasse que esses alunos frequentem cursos de qualidade e com formação sólida, não apenas cursos muitos teóricos. Há muita coisa a ser feita.”

Mozart Ramos

Docente da USP de Ribeirão Preto, em São Paulo

“Primeiro, é preciso haver um fortalecimento da carreira docente, não apenas referente à questão salarial, mas também no que diz respeito às vantagens de ser um professor. Infelizmente, a imagem da profissão é muito ruim, então se faz necessário políticas públicas que valorizem o vínculo entre educação básica e fundamental com o ensino superior. As Licenciaturas precisam estabelecer um diálogo mais próximo com a educação superior. Essas políticas públicas precisam focar ainda na reformulação da profissão.”

Fábio Reis

Presidente do Consórcio STHEM Brasil

“Em relação aos governos, os atuais processos de regulação institucional e curricular precisam ser complementados e aperfeiçoados com perfis de egressos que de fato sejam indicadores das competências docentes indispensáveis para que os futuros professores possam dar os primeiros passos na carreira. Essas competências e os conhecimentos e valores, que devem ser por elas mobilizados e colocados em ação, deveriam ser os critérios para avaliar os cursos bem como a base para um eventual sistema de certificação.

Além disso, os alunos das Licenciaturas e Pedagogias são os de origem social mais desfavorecida, egressos do ensino público de má qualidade, que em muitos casos fizeram o ensino médio à noite. Se o Brasil quiser ter professores competentes nas salas de aula da educação básica precisa garantir não apenas a gratuidade da formação de professores como também bolsas de manutenção que permitam dedicação aos estudos em período integral e diurno. Só assim haverá tempo para recompor o que não foi aprendido na educação básica e, principalmente, trabalhar a dimensão prática dos currículos.

A disponibilidade discente também facilita a participação em vivências culturais e sociais que ajudam a constituir um sistema de referências aberto a novas aprendizagens e sensível à diversidade de perspectivas e visões de mundo.”

Guiomar Namo de Mello

Doutora em Educação pela PUC-SP; e consultora de projetos educacionais na formação de professores e desenvolvimento curricular

Papel das IES na melhoria dos cursos de Licenciaturas

“A PUC-Campinas tem feito algumas ações sempre para qualificar nossos cursos de Licenciaturas presenciais; por exemplo, a relação bastante próxima com as duas Diretorias de Ensino da cidade de Campinas, em São Paulo. A articulação foi construída por meio de uma parceria de vários anos e documentada a partir do Termo de Cooperação Técnica, um convênio firmado entre a universidade e cada uma das Diretorias de Campinas. O convênio fortalece a parceria, permitindo o desenvolvimento de uma sistemática de cooperação técnica, operacional, científica e acadêmica, voltada para o desenvolvimento de atividades de interesse comum, no âmbito de suas respectivas competências. Para atender aos objetivos do convênio, as partes concordam em estabelecer ações de forma integrada para o alcance das metas de melhorias da formação docente.

Destacamos que, em relação aos estágios supervisionados de Licenciaturas, a PUC-Campinas trabalha de forma próxima às escolas, que passam a se chamar Escolas Parceiras. Nelas, os professores são convidados a participar ativamente das atividades de estágio, inclusive do processo avaliativo do estudante da PUC-Campinas, uma vez que emitem pareceres individuais sobre a atuação de cada um dos estudantes. Por fim, representantes indicados pelas Diretorias de Ensino são convidados a visitar e conhecer a Unidade de Licenciaturas, alocada na Pró-Reitoria de Graduação, momento em que são apresentados os projetos desenvolvidos pela universidade e são avaliadas novas possibilidades de trabalho em conjunto, incluindo eventos de Divulgação Científica e Cultural com Feiras de Ciências, Tecnologia e Inovação.”

Cyntia Andretta
Pró-reitora de Graduação da PUC-Campinas, em São Paulo

Luciane Kern
Gerente Educacional de Graduação da PUC-Campinas, em São Paulo

Vanessa Zago
Gerente da Unidade de Licenciaturas da PUC-Campinas, em São Paulo

“Em relação às instituições de ensino superior, em primeiro lugar o óbvio, elas precisam dar qualidade à formação de professores no ensino superior. O Brasil já tem DCNs para formação e uma Base Nacional Comum para a formação docente que podem ser orientadores e servir de referência aos currículos dos estados e municípios ou das redes de escolas privadas.

É preciso que as IES desenvolvam também projetos integrados de formação. Recomendações nesse sentido não são tão recentes e já constam do Parecer CNE/CP 01, de 1999. Há muito que se critica a formação totalmente fragmentada dos professores, tanto do ponto de vista pedagógico como do ponto de vista institucional. Várias normas indicaram a necessidade de existir um espaço institucional próprio para a formação de professores (não existem as politécnicas, os cursos de medicina?), bem como projetos pedagógicos integrados. Essa indicação se tornou mais clara com a organização por área dos currículos da educação básica sugerindo o óbvio: que os professores deveriam experiências formativas organizadas também por áreas.

Finalmente, a BNCC do ensino médio elimina os componentes curriculares presentes na BNCC do ensino fundamental e médio. Até hoje são poucos os esforços de organizar cursos nos quais, mesmo mantendo a organização disciplinar, existam tempos e espaços dedicados a aprendizagens nas quais as disciplinas se integrem por meio de um projeto, uma investigação ou outra experiência de ensino e aprendizagem.

No entanto, não são muitas as experiências de organização das Licenciaturas que comportem esse tipo de experiências. Está na hora das IES empreenderem esforços nessa direção, até para que se avaliem esses esforços e deles se retirem lições para avançar, criticar, suspender experiências integradas de aprendizagem na docência.”

Guiomar Namo de Mello

Doutora em Educação pela PUC-SP; e consultora de projetos educacionais na formação de professores e desenvolvimento curricular

Predominância das matrículas na modalidade EAD

“O crescimento no número de matrículas no EAD não é um fenômeno isolado dos cursos de Licenciaturas, mas uma questão generalizada entre os cursos de graduação. Não sou um radical em relação aos cursos EAD. É preciso ter em mente que um curso presencial não necessariamente é de boa qualidade.

O aumento nas matrículas no EAD está ligado a vários fatores, como os avanços tecnológicos e uma perda de poder econômico, potencializada pela pandemia de Covid-19 e fim do FIES. É preciso que se entenda também que os cursos de EAD não podem oferecer a mesma formação dos presenciais. Eles possuem características diferentes que precisam ser levadas em consideração, como a necessidade de bons tutores, um material didático apropriado, o uso de uma tecnologia amigável e a necessidade de mais prática profissional, necessidade que também precisa ser ampliada nos cursos presenciais.

Nossa baixa qualidade na educação básica é um desafio para a sustentabilidade do país. O problema já existia antes da expansão da modalidade EAD, em parte graças a essa formação muito teórica e pouco prática.”

Mozart Ramos

Docente da USP de Ribeirão Preto, em São Paulo

“O problema não é a modalidade em si. O que precisa ser repensado é como o EAD proporciona vivências práticas e vínculos sociais que contribuam com as experiências docentes. Esse é o desafio do EAD, que precisa oferecer projetos pedagógicos que preparem realmente os profissionais. Os cursos de licenciatura precisam ter um vínculo maior com a realidade, com estágios realmente efetivos que ofereçam prática para esses futuros docentes. Esses profissionais precisam de prática docente, de prática de sala de aula, de vivência na escola e com os estudantes. Sem essas mudanças, haverá uma intensificação da crise das Licenciaturas.”

Fábio Reis

Presidente do Consórcio STHEM Brasil

“Os cursos desqualificados de formação de professores existem há muito mais tempo do que as próprias mídias digitais quanto mais da recente expansão do EAD. Na verdade, seu primeiro ciclo de crescimento desqualificado começou há muitas décadas quando da expansão acelerada do ensino superior nos anos de 1970 e 1980. Desde essa época a formação de professores sempre esteve entre os cursos mais “malvistos” da academia, de pouco prestígio institucional nas estruturas universitárias, crescendo na iniciativa privada e em período noturno principalmente.

Pode-se dizer que a EAD foi a “sopa no mel” nesse cenário, oferecendo às IES uma maneira barata de expandir e massificar o que já havia sido objeto de um crescimento sem qualidade. Isto posto é preciso considerar alguns pontos em relação ao EAD tal como está atualmente:

– É comum que cursos presenciais de qualidade tenham também qualidade nas modalidades a distância, sugerindo que a má qualidade decorre menos da modalidade e mais do planejamento, projeto pedagógico e sua execução;

– O EAD, tal como previsto na legislação sobre o assunto para formação de professores, a distância com momentos presenciais, exige um esforço de formulação e execução pedagógica que não é trivial. A boa educação a distância não aceita improvisação, coisa que é comum nas aulas presenciais, sobretudo no ensino superior. No EAD tudo é previsto antes, antecipado e simulado qual a reação ou resposta do cursista. Isso significa um grande planejamento dos conteúdos com curadoria sólida e rigorosa; aulas com atividades de alunos e eventuais tutores previamente desenhadas; atividades de autoavaliação e alimentação de portfólio para exame posterior do professor ou tutor; roteiros de leitura, de cobrança de leitura, exercícios, enfim, muitos procedimentos além de trilhas e percursos de aprendizagem. Sendo assim, fossem nossos cursos de formação docente sérios, fossem os mecanismos de supervisão e análise de projetos pedagógicos criteriosos, nem todos teriam se aventurado na EAD e menos ainda teriam sido autorizados;

– Pensando prospectivamente, vale considerar que o EAD clássico já está com data marcada para acabar porque no futuro próximo tudo tenderá a ser híbrido, com espaços e tempos presenciais, espaços e tempos remotos síncronos, espaços totalmente on-line individuais, espaços e tempos totalmente presenciais. Acho que será importante no curto prazo pactuar critérios de qualidade que balizem a organização pedagógica e logística dos cursos existentes e que possam ser utilizados para autorizar e reconhecer novos cursos.”

Guiomar Namo de Mello

Doutora em Educação pela PUC-SP; e consultora de projetos educacionais na formação de professores e desenvolvimento curricular

Reformulação dos cursos de Licenciaturas

“Escrevi um artigo para o Correio Braziliense em que já desenhava algumas estratégias para desenvolver atratividade para a carreira de docência, buscando que mais jovens seguissem a profissão. Uma delas é buscar uma maior atração entre o ensino médio e o ensino superior, estimulando ainda nas escolas que os estudantes sigam as carreiras de Licenciaturas por meio de parcerias e bolsas que inseriam esses estudantes já nas faculdades e universidades.

Uma espécie de Programa de Iniciação à Docência, similar aos Programas de Iniciação Científica, com bolsas para estimular os alunos a seguirem a carreira do magistério ao estimular essa aproximação, com os estudantes do ensino médio já tendo uma visão do que é a carreira. A questão do engajamento é fundamental para a atratividade.

Outro ponto é a presença de professores inspiradores do ensino médio no ensino superior, dando visibilidades a esses talentos, aumento sua participação na formação de futuros profissionais e proporcionando uma relação direta com as escolas por meio de convênios entre elas e as IES. Isso aumentaria também a questão da prática, a concentração teórica na formação dos professores sem a prática não os levam muito longe.

A criação de um FUNDEB voltado para carreira seria um outro fator. O FUNDEB é voltado apenas para a questão do salário. Mas o salário inicial dos professores não é o problema (graças não só ao FUNDEB como à lei do piso salarial). O problema está no desenvolvimento da formação e na falta de um plano de carreira. O Brasil precisa de um órgão que fique responsável pela criação desse ecossistema de colaboração entre governos e IES e que crie políticas públicas consistentes não só para a formação como para o desenvolvimento profissional.”

Mozart Ramos

Docente da USP de Ribeirão Preto, em São Paulo

“Na PUC-Campinas, acreditamos que os cursos de Licenciaturas merecem uma revisita para a reflexão sobre a sua aderência aos jovens; entretanto, não podem perder de vista a importância da solidez dos conhecimentos específicos e de como ensiná-los, sob a perspectiva também do aluno e do seu processo de aprendizagem.

Neste contexto, é importante ressaltar que os cursos de Licenciaturas devem proporcionar a articulação de conhecimentos e práticas no ambiente escolar de forma gradativa, inserindo o estudante no seu futuro ambiente de trabalho onde ele possa desenvolver suas competências profissionais e socioemocionais compreendendo a complexidade da educação, da escola e dos estudantes. Há, de fato, a necessidade de refletir se o currículo está desconectado da realidade da sala de aula, não podemos ser uma ilha separada do continente. Refletir sobre isso com os professores traz uma escuta-ativa com os alunos em seus contextos de prática docente e ajuda a entender o futuro papel do estudante da licenciatura e fazer trocas de boas práticas dos futuros docentes.

Ainda, a inserção da tecnologia nos currículos de Licenciaturas se faz uma realidade, mas que deve ter propósito e intencionalidade, servindo à amplitude de possibilidades do processo de ensinar e aprender em diferentes contextos.”

Cyntia Andretta
Pró-reitora de Graduação da PUC-Campinas, em São Paulo

Luciane Kern
Gerente Educacional de Graduação da PUC-Campinas, em São Paulo

Vanessa Zago
Gerente da Unidade de Licenciaturas da PUC-Campinas, em São Paulo

Instituições

Número de IES que ofertam Cursos de Licenciaturas

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

84,9% das IES que ofertam cursos de Licenciaturas são privadas. No ensino presencial esse índice é um pouco menor (83,9%). No EAD, 78,2% das IES que ofertam cursos de Licenciaturas são privadas.
Entre 2021 e 2022, houve estabilidade no número de IES que ofertam cursos de Licenciaturas, com uma queda de 0,1% no total (nenhuma alteração na rede privada e queda de 0,5% na rede pública). Do total de IES do país (2.595), 51,4% ofertam algum tipo de curso de Licenciaturas: 49,6% na rede privada e 64,4% na rede pública. Em uma década, 2012 a 2022, houve um crescimento de 4,6% no número de IES que ofertam cursos de Licenciaturas.
Mapa-14-ESP-Instituições-Número-IES

Matrículas

Matrículas x Unidade da Federação

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Assim como nas matrículas entre todos os cursos, Santa Catarina é o estado com maior número de alunos de cursos de Licenciaturas matriculados na rede privada, 90,7%, seguido por São Paulo (79,0%) e Rio Grande do Sul (76,1%). O Maranhão é o estado com menor índice de alunos de Licenciaturas matriculados na rede privada, apenas 39,5%.
Mapa-14-ESP-Matrículas-Unidade-Federação

% Matrículas em Cursos de Licenciaturas em Relação ao Total de Matrículas na UF

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Enquanto 17,7% das matrículas em cursos superiores no Brasil são em cursos de Licenciaturas, essa dinâmica varia bastante em cada estado, principalmente se considerarmos as diferenças entre redes privada e pública. No Amapá, por exemplo, mais da metade das matrículas do ensino superior (54,2%) em IES públicas são em cursos de Licenciaturas. No Maranhão, esse percentual é de 49,4%. O estado com menor percentual na rede pública é Santa Catarina, com apenas 13,4%.
Na rede privada, o Amapá também lidera o percentual de matrículas em cursos de Licenciaturas em relação ao total (21,5%). O Distrito Federal possui o menor percentual, apenas 10,5% das matrículas da rede privada são em cursos de Licenciaturas.
Mapa-14-ESP-Matrículas-Porcentagem-Licenciaturas

Matrículas em Cursos Presenciais

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Do total de matrículas em cursos presenciais, 11,7% são em cursos de Licenciaturas. Entre 2021 e 2022, o número de matrículas presenciais nesses cursos caiu 7,0%: 21,2% na rede privada e 2,1% na pública. Apenas 22,0% dessas matrículas estão na rede privada, apontando uma predominância de alunos presenciais desse tipo de curso na rede pública.
Em uma década, 2012 a 2022, a queda no número de matrículas presenciais em cursos de Licenciaturas foi de 34,8%, o que demonstra uma falta de interesse dos mais jovens pelas carreiras de docência (historicamente os cursos presenciais atraem um público de faixa etária mais baixa). Na rede privada, a queda no período foi ainda mais preocupante, 68,8%. Em Pedagogia, a queda nas matrículas da rede privada foi de 58,1%.
Mapa-14-ESP-Matrículas-Cursos-Presenciais

Matrículas em Cursos de Licenciaturas – Rede Privada – Presencial

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Mapa-14-ESP-Matrículas-Cursos-Presenciais-Licenciaturas

*Apenas cursos de Licenciaturas presenciais com mais de 100 matrículas em 2022.

Matrículas em Cursos EAD

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Pedagogia é o curso EAD com mais matrículas. Já Licenciaturas representam 24,7% das matrículas na modalidade. E 90,2% dessas matrículas são em IES da rede privada.
Entre 2021 e 2022, o número de matrículas em cursos de Licenciaturas EAD aumentou 6,7%: crescimento de 8,1% na rede privada e queda de 4,9% na pública. Em uma década, 2012 a 2022, enquanto a rede pública perdeu 3,3% dos alunos em cursos de Licenciaturas, a rede privada cresceu 183%. O crescimento das matrículas EAD em Pedagogia, na rede privada, foi de 136%.
Mapa-14-ESP-Matrículas-Cursos-EAD

Matrículas em Cursos de Licenciaturas – Rede Privada – EAD

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Mapa-14-ESP-Matrículas-Cursos-Presenciais-EAD

*Apenas cursos de Licenciaturas EAD com mais de 300 matrículas em 2022.

Ingressantes

Ingressantes em Cursos Presenciais

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Em uma década, 2012 a 2022, a rede privada registrou uma queda de 74,8% no número de calouros em cursos de Licenciaturas na modalidade presencial. Um dado positivo, que pode apontar uma pequena melhora, é o aumento de 19,2% em ingressantes na rede privada de 2021 para 2022 (aumento de 5,3% no geral).
28,1% dos ingressantes em cursos de Licenciaturas no período foram em IES privadas. Do total de ingressos em cursos presenciais em 2022, apenas 8,8% são em cursos de Licenciaturas.
Mapa-14-ESP-Ingressantes-Cursos-Presenciais

Ingressantes em Cursos de Licenciaturas – Rede Privada – Presencial

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Mapa-14-ESP-Ingressantes-Cursos-Presenciais-Licenciaturas

*Apenas cursos de Licenciaturas presenciais com mais de 100 calouros em 2022.

Ingressantes em Cursos EAD

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Entre 2021 e 2022, o número de ingressos em cursos de Licenciaturas EAD aumentou 37,4%: 37,7% na rede privada e 32,9% na pública.
Do total de ingressos em cursos EAD, 20,7% estão em cursos de Licenciaturas. 95,4% deles estão na rede privada.
Em uma década, 2012 a 2022, o número de calouros em cursos de Licenciaturas EAD aumentou 299% na rede privada.
Mapa-14-ESP-Ingressantes-Cursos-EAD

Ingressantes em Cursos de Licenciaturas – Rede Privada – EAD

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Mapa-14-ESP-Ingressantes-Cursos-EAD-Licenciaturas

*Apenas cursos de Licenciaturas EAD com mais de 300 calouros em 2022.

Concluintes

Concluintes em Cursos Presenciais

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Entre 2021 e 2022, o número de concluintes em cursos de Licenciaturas presenciais caiu 2,4%: queda de 20,5% na rede privada e aumento de 15,0% na pública.
Do total de egressos em cursos presenciais, em 2022, 11,4% são de cursos de Licenciaturas. 39,9% destes eram da rede privada.
Em uma década, 2012 a 2022, o número de concluintes nos cursos de Licenciaturas caiu 58,8%, o que pode ser justificado pela queda no número de matrículas presenciais e também pelas altas taxas de evasão desses cursos.
Mapa-14-ESP-Concluintes-Cursos-Presenciais

Concluintes em Cursos de Licenciaturas – Rede Privada – Presencial

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Mapa-14-ESP-Concluintes-Cursos-Presenciais-Licenciaturas

*Apenas cursos de Licenciaturas presenciais com mais de 100 concluintes em 2022.

Concluintes em Cursos EAD

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Entre 2021 e 2022, o número de concluintes em cursos de Licenciaturas EAD caiu 12,5%: 11,6% na rede privada e 23,5% na pública.
Do total de egressos em cursos EAD, 34,3% são de cursos de Licenciaturas. 92,9% destes eram da rede privada.
Na contramão dos cursos presenciais, em uma década, 2012 a 2022, a rede privada apresentou crescimento de 146% no número de concluintes em cursos EAD, resultado da crescente tendência de aumento de ingressantes na modalidade no período.
Mapa-14-ESP-Concluintes-Cursos-EAD

Concluintes em Cursos de Licenciaturas – Rede Privada – EAD

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Mapa-14-ESP-Concluintes-Cursos-EAD-Licenciaturas

*Apenas cursos de Licenciaturas EAD com mais de 300 concluintes em 2022.

Cursos

Cursos Presenciais

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

O número de cursos de Licenciaturas presenciais caiu 1,9%: queda de 5,0% na rede privada e aumento de 0,4% na pública de 2021 para 2022.
Do total do número de cursos presenciais, em 2022, 16,5% são Licenciaturas. Destes, 42,0% são ofertados pela rede privada.
De 2012 a 2022, a queda no número de cursos presenciais de Licenciaturas na rede privada foi de 29,0%.
Mapa-14-ESP-Cursos-Presenciais

Cursos EAD

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Entre 2021 e 2022, o número de cursos de Licenciaturas EAD aumentou 12,5%: 15,5% na rede privada e 3,1% na pública.
Do total de cursos EAD, em 2022, 20,9% são licenciaturas. E 77,8% deles estão na rede privada.
O número de cursos de Licenciaturas EAD, de 2012 a 2022, chegou a crescer 630% na rede privada, demonstrando a força que a modalidade tem ganhado ao longo dos anos na área, sobretudo entre as faixas etárias mais elevadas já inseridas no mercado de trabalho.
Mapa-14-ESP-Cursos-EAD

Cursos Presenciais Mais Procurados

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Pedagogia agrupa 63,7% das matrículas presenciais em cursos de Licenciaturas. A predominância reforça a pesquisa do Instituto Semesp, lançada em 2022, prevendo um déficit de professores da educação básica até 2040, principalmente em disciplinas específicas, como Química, Física, Biologia, entre outras.
Mapa-14-ESP-Cursos-Presenciais-Mais-Procurados

Obs.: Cursos de Licenciaturas presenciais da rede privada com maior número de alunos matriculados e o percentual de alunos em relação ao total. Cursos CINE.

Cursos EAD Mais Procurados

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

A exemplo dos cursos presenciais, Pedagogia detém 63,0% das matrículas EAD entre os cursos de Licenciaturas mais procurados, também reforçando o possível déficit de professores nos próximos anos apontado na pesquisa do Instituto Semesp.
Mapa-14-ESP-Cursos-EAD-Mais-Procurados

Obs.: Cursos de Licenciaturas EAD da rede privada com maior número de alunos matriculados e o percentual de alunos em relação ao total. Cursos CINE.

Ociosidade das Vagas

Na rede privada, há uma alta taxa de ociosidade das vagas no ensino superior, tanto no ensino presencial quanto no EAD, de 86,4% e 81,5%, respectivamente. Apesar do elevado percentual de ociosidade, a oferta de cursos EAD ainda segue em expansão.

Ociosidade das Vagas – Cursos de Licenciaturas – Brasil – 2022

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

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Indicadores de Trajetória

Taxa de Permanência
Percentual de ingressantes que estão com vínculo ativo no curso no ano de referência

Taxa de Conclusão Acumulada
Percentual de ingressantes que concluíram o curso até o ano de referência

Taxa de Desistência Acumulada
Percentual de ingressantes que desistiram do curso ou faleceram até o ano de referência

Por Modalidade

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP – Ciclo 2018-2022.

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Por Cursos Presenciais

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP – Ciclo 2018-2022.

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Por Cursos EAD

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP – Ciclo 2018-2022.

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Mensalidade

Mensalidade no Ensino Superior (em Reais)

Fonte: Pesquisa de Mensalidades Instituto Semesp 2024

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Obs.: Referência 1º semestre de 2024

Perfil dos Alunos de Licenciaturas

Sexo – 2022

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Os cursos de Licenciaturas ainda mantêm o estereótipo de “cursos para mulheres”. 73,3% das matrículas nesses cursos são de alunas, 17,5 pontos percentuais acima do percentual dos demais cursos de graduação. Esse índice de participação feminina é ainda maior em cursos como Educação especial formação de professor (93,3%), Educação infantil formação de professor (92,8%) e Pedagogia (91,9%). Há uma inversão nesses índices nos cursos de Licenciaturas de caráter mais específicos, como Física formação de professores (68,7% de alunos) e Computação formação de professor (67,7% de alunos).
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Procedência – Ensino Médio – 2022

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

78,5% dos alunos matriculados em cursos de Licenciaturas são provenientes do ensino médio público, 10,4 pontos percentuais a mais do que nos demais cursos de graduação. Os dados apontam, junto com questões de renda e de salário, que esses cursos acabam atraindo um público com menor renda, e talvez também em razão da baixa concorrência o que facilita o ingresso no ensino superior.
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Turno – 2022

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

64,2% dos alunos matriculados nos cursos de Licenciaturas estão na modalidade EAD, 22,3 pontos percentuais a mais do que na média dos demais cursos de graduação, daí uma proporção menor de alunos nos turnos diurno e noturno em relação aos outros cursos presenciais. No curso de Pedagogia, o campeão de procura nas Licenciaturas, esse percentual de matrículas no EAD salta para 79,1%.
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Cor/Raça – 2022

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Diferente dos demais cursos de graduação que concentram 53,2% das matrículas em pessoas que se autodeclaram brancas, os cursos de Licenciaturas possuem mais matrículas entre pessoas pretas e pardas (52,9%), 8,5 pontos percentuais a mais do que nos demais cursos do ensino superior.

*Exceto respostas classificadas como “Não Declarado”

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Faixa Etária – 2022

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

Apenas 52,0% dos estudantes de Licenciaturas são da faixa etária mais jovem, até 29 anos, contra 66,9% dos demais cursos de graduação, diferença de 14,9 pontos percentuais. No EAD, 63,8% dos alunos possuem 30 anos ou mais, o que mostra maior atratividade de pessoas mais velhas já inseridas no mercado de trabalho.
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Faixa Etária

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP.

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Renda Familiar

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP – Ciclo Enade 2019-2022.

A inversão na diferença de renda familiar entre os cursos de Licenciaturas e demais cursos de graduação comprova que a área atrai um público mais carente, com 70,6% das matrículas concentradas entre alunos com renda familiar de até 3 salários mínimos (nos demais cursos esse índice é de 47,2%). Isso pode ser validado também por outros dados que serão mostrados a seguir, como situação financeira e ser o primeiro da família a ingressar no ensino superior.
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*Os cursos não são os mesmos porque são dados retirados do ENADE.

Trabalho

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP – Ciclo Enade 2019-2022.

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Situação Financeira

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP – Ciclo Enade 2019-2022.

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Políticas Públicas de Ação Afirmativa ou Inclusão Social

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP – Ciclo Enade 2019-2022.

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1º da Família a Ingressar no Ensino Superior

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP – Ciclo Enade 2019-2022.

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Escolha do Curso

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP – Ciclo Enade 2019-2022.

A vocação ainda é a maior justificativa para a escolha de uma licenciatura, com um percentual maior, inclusive, do que nos demais cursos de graduação.
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Escolha da IES

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP – Ciclo Enade 2019-2022.

Em relação à escolha da IES, a questão financeira predomina entre os alunos matriculados em cursos de Licenciaturas: 37,1% apontaram gratuidade ou preço da mensalidade como fator de decisão.
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Auxílio Mensalidade

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP – Ciclo Enade 2019-2022.

A falta de auxílios e bolsas para estudantes de cursos de Licenciaturas evidencia uma lacuna nas políticas públicas voltadas para o aprimoramento na formação de professores. Isso pode, de certa forma, explicar a queda no número de matrículas, especialmente entre os mais jovens.
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Nota Média no ENADE

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: INEP – Ciclo Enade 2019-2022.

A nota média do Enade entre os alunos de Licenciaturas em cursos EAD é 15,8% pior do que a nota média dos alunos de Licenciaturas que se formam no presencial. Ao comparar com os demais cursos de graduação (exceto Licenciaturas) a nota chega a ser menor em 4,9 pontos percentuais.
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Empregabilidade e Renda

Profissionais com ensino superior completo e que atuam em áreas ligadas à licenciatura, como docentes e pedagogos, entre outros, ganham, em média, 43,9% a menos do que trabalhadores de outras áreas (exceto Licenciaturas), evidenciando a falta de valorização dessa profissão.

Empregos Formais no Brasil – Profissionais com Ensino Superior Completo (em milhares)

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: RAIS (número de vínculos ativos em 31/12)

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*Estimativa

Empregos com Ensino Superior Completo – Licenciaturas

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: Novo CAGED

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Salários nos Empregos Formais – Brasil – 2022

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: RAIS

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Salários nos Empregos Formais – Educação Básica – Brasil – 2022

Elaborado por Instituto Semesp. Fonte: RAIS

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Pesquisa

Perfil e Desafios dos Professores
da Educação Básica no Brasil

O capítulo especial do 14º Mapa do Ensino Superior no Brasil, elaborado pelo Instituto Semesp, que nesta edição é dedicado aos cursos de Licenciaturas, traz também a pesquisa inédita Perfil e Desafios dos Professores da Educação Básica no Brasil, realizada no período de 18 a 31 de março de 2024, com a participação de 444 docentes dos ensinos infantil ao médio, das redes privada e pública (municipal, estadual e federal), de todas as regiões do país.

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A partir de uma amostra significativa, a pesquisa dá voz a toda uma categoria insatisfeita com as condições de trabalho e desanimada em relação ao futuro, e apresenta uma série de comentários e relatos dos docentes, que falam não só sobre os desafios e dificuldades da profissão, mas também sobre o que ainda os motivam a persistir na carreira.

De acordo com os dados, chama a atenção que 79,4% dos professores já pensaram em desistir da carreira de docência. Em relação ao futuro profissional, 67,6% se sentem inseguros, desanimados e frustrados. Esses são apenas dois indicadores que comprovam a ausência de políticas públicas e de plano de carreira para assegurar melhores condições de trabalho, e que evidenciam a desvalorização da profissão que toda a categoria sofre atualmente no país.

Os professores ouvidos destacam a necessidade de melhorias não só em questões ligadas à carreira e formação profissional, mas também à segurança das escolas. Entre os respondentes, por exemplo, 52,3% já sofreram algum tipo de violência no desempenho da profissão.

A pesquisa aponta outros números preocupantes sobre remuneração, formação continuada, quantidade de horas semanais trabalhadas, saúde mental dos alunos e docentes, uso de tecnologias e infraestrutura das escolas, desde falta de mobiliário, salas superlotadas, até necessidade de produtos de higiene.

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