
Simon Roy (Team Lead, Higher Education Policy), da OCDE, durante o Conectando Campus e Carreira: Ensino Superior por Competências (Foto: Wilson Camargo/Mackenzie)
Dentro do São Paulo REALCUP 2025, o evento Conectando Campus e Carreira: Ensino Superior por Competências, promovido pelo Semesp, OCDE e REALCUP, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, nesta sexta (14), apresentou uma série de questões sobre a questão da empregabilidade e da relevância do ensino superior para o mercado de trabalho. Em uma das plenárias centrais do encontro, representantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), UNESCO‑IESALC e da Organização dos Estados Ibero‑Americanos (OEI) compartilham lições essenciais para que as instituições de ensino superior se tornem mais relevantes, conectadas e preparadas para atuar em ecossistemas de aprendizagem orientados para habilidades e impactos sociais.
Na manhã, os especialistas da OCDE, Simon Roy (Team Lead, Higher Education Policy) e François Staring (Analyst, Higher Education Policy), conduziram uma sessão sobre as principais lições da OCDE para o fortalecimento da relevância do ensino superior no mercado de trabalho. Outra sessão, chamada de “Lições-chave para o futuro da política de ensino superior na América Latina”, contou com as contribuições de Jordi Plana Arrasa (Director Adjunto UNESCO/IESALC) e Ismael Gómez García (Director de Estratégia Digital Global da OEI) e, novamente, Simon Roy.
Simon Roy e François Staring, da equipe de políticas de educação superior da OCDE, destacaram que a transição para uma economia baseada em competências, inovação contínua e atualizações tecnológicas rápidas exige que governos e instituições repensem o papel do ensino superior. Roy enfatizou que o diploma ainda desempenha forte impacto na empregabilidade, mas alertou para a persistência de baixas taxas de conclusão do ensino superior na maioria dos países da América Latina. Segundo ele, a próxima década será marcada por um declínio no número de jovens, exigindo que as instituições ampliem sua atenção à formação de adultos, requalificação profissional e aprendizagem ao longo da vida, oportunidades ainda subexploradas em escala global.
Roy também ressaltou que há uma lacuna evidente entre a formação oferecida e as necessidades reais do mercado de trabalho. Em muitos países, formandos não atuam em suas áreas de estudo, o que evidencia a urgência de fortalecer competências e habilidades transversais, promover percursos multidisciplinares e renovar práticas pedagógicas sustentadas por evidências. Para a OCDE, políticas públicas mais articuladas com a economia e a sociedade serão essenciais para ajudar as IES a se adaptarem a esse cenário.
Na sequência, François Staring apresentou ações concretas que diversos países têm adotado para ampliar a relevância e o acesso à educação superior. Ele destacou iniciativas que incluem novos modelos de credenciais, programas mais flexíveis, parcerias interinstitucionais e mecanismos de garantia de qualidade capazes de equilibrar autonomia das IES e regulação estatal. Staring também apontou que muitos sistemas estão revisando políticas para remover barreiras que têm limitado a participação estudantil.

Sessão “Abordagens na América Latina para o avanço do ensino superior orientado para habilidades” (Foto: Wilson Camargo/Mackenzie)
OCDE e América Latina
Também foi realizada a sessão “Abordagens na América Latina para o avanço do ensino superior orientado para habilidades”, que reuniu Claudio Ruff (Universidad Bernardo O’Higgins, Chile), Rodolfo De Vincenzi (REALCUP / Universidad Abierta Interamericana, Argentina), Harold Castilla (Corporación Universitaria Minuto de Dios, Colômbia) e Arapuan Motta Netto (Unisuam, Brasil).

Sessão “Lições-chave para o futuro da política de ensino superior na América Latina” encerrou a Jornada OCDE na tarde desta sexta (14) (Foto: Wilson Camargo/Mackenzie)
Acesso x qualidade
Durante à tarde, finalizando a Jornada da OCDE, dentro do São Paulo REALCUP 2025, as discussões giraram em torno da questão acesso versus qualidade. Jordi Plana Arrasa, diretor Adjunto do UNESCO/IESALC, destacou que o debate acesso versus qualidade já deveria ser considerado superado, pois os dois pontos não são polos opostos, mas “dois lados da mesma moeda”: evidências mostram que avanços em qualidade ampliam o acesso e fortalecem a equidade.
Ele ressaltou que garantir qualidade não é um favor das IES aos estudantes, mas uma condição essencial para a missão do ensino superior. Plana Arrasa chamou atenção para a necessidade de repensar profundamente modelos de ensino, aprendizagem e organização universitária, já que grande parte das instituições ainda opera com estruturas concebidas há décadas, pouco adaptadas às transformações do mundo contemporâneo. Segundo ele, “os estudantes de hoje vivem realidades distintas das gerações anteriores, o que exige modelos mais dinâmicos, flexíveis, capazes de incorporar diversidade e promover adaptação contínua. Nesse contexto, currículos tornam-se elementos estratégicos de mudança e inovação para orientar o futuro das instituições e o fortalecimento da qualidade.
Na sequência, Simon Roy, chefe da equipe de Política de Educação Superior da OCDE, reforçou que, embora acesso e qualidade sejam complementares, existe uma tensão real quando os sistemas passam por processos de expansão acelerada. Segundo ele, ampliar o ensino superior rapidamente sem comprometer padrões exige condições estruturais robustas — como a formação adequada de docentes e quadros acadêmicos — o que nem sempre acompanha o ritmo do crescimento da demanda. Roy enfatizou que a qualidade permanece um pilar incontornável e que essa dinâmica tem efeitos diretos sobre a formulação de políticas públicas, que precisam equilibrar pressão por expansão, sustentabilidade institucional e garantia de padrões acadêmicos sólidos.
Encerrando o painel, Ismael Gómez García, diretor de Estratégia Digital Global da OEI, destacou que o avanço das grandes empresas privadas tem influenciado diretamente a narrativa sobre o tipo de sociedade que está sendo construída, o que pressiona as universidades a responderem a novas expectativas e a revisarem seus próprios referenciais. Para ele, esse movimento intensifica a crise de definição do que é “qualidade” no ensino superior, tornando ainda mais urgente que as instituições reconstruam esse conceito a partir de valores públicos, impacto social e alinhamento com as necessidades reais das comunidades que servem.































