Fundador do Imagine Creativity Center, Xavier Verdaguer participou do segundo dia do São Paulo REALCUP 2025 (Foto: Wilson Camargo/Mackenzie)

As discussões do segundo dia do São Paulo REALCUP 2025 apresentaram nesta quinta-feira (13) um debate dedicado a compreender como a educação superior pode se projetar para o futuro a partir da integração bem-sucedida dos estudantes ao mercado de trabalho. Na sessão “Promover cidadãos globais”, o fundador do Imagine Creativity Center, Xavier Verdaguer, compartilhou experiências e provocou as instituições de ensino superior a repensarem sua cultura formativa.

Verdaguer relembrou sua trajetória no Vale do Silício e o papel que a vivência naquele ecossistema teve em sua dedicação à transformação: ali, aprender a empreender significava muito mais do que abrir empresas. “O mais importante é a atitude empreendedora”, afirmou. Segundo ele, trata-se de desenvolver a capacidade de transformar protesto em proposta, estimular a criação de soluções e desenhar experiências que gerem mudanças reais.

Ao discutir o papel das IES na formação de cidadãos globais, destacou que uma parte decisiva dessa preparação nasce de experiências disruptivas, marcadas por trabalho em equipes diversas, uso de ferramentas tecnológicas e comunicação eficaz. Para Verdaguer, a convivência forçada em equipes multidisciplinares — reunindo estudantes de diferentes cursos e formações — gera incômodos produtivos, que ampliam perspectivas e fortalecem competências fundamentais. “Diversidade é essencial e está na base de tudo”, reforçou.

Ele defendeu ainda que formatos educacionais que acontecem fora da sala de aula são cruciais para gerar transformação. Gamificação, desafios reais e metodologias que envolvem experimentação criam, segundo ele, “um vírus de otimismo” que contagia os estudantes e os motiva a agir. A metáfora do empreendedorismo como andar de bicicleta sintetizou esse raciocínio: aprende-se tentando, errando e ajustando — e, uma vez aprendido, não se esquece mais.

Outro ponto central destacado por ela é a necessidade de que as universidades tenham equipes responsáveis por disseminar o empreendedorismo de forma transversal. Para Verdaguer, inovação floresce quando há motivação, não imposição: desafios reais inspiram engajamento e geram as melhores respostas. Essa abordagem, acrescentou, também contribui para normalizar a relação entre empresas e universidades, aproximando expectativas e fortalecendo a empregabilidade.

Verdaguer ressaltou ainda que, embora as instituições de ensino formem bons cidadãos e ofereçam sólida base acadêmica, ainda há um caminho a percorrer na criação de uma cultura empreendedora voltada à geração de valor. O mercado de trabalho demanda profissionais capazes de identificar oportunidades, propor soluções e atuar com iniciativa, competências diretamente ligadas ao espírito empreendedor.

Para ele, viver ao menos uma experiência empreendedora durante a formação — seja participando de desafios, seja criando o próprio projeto ou até o próprio emprego — amplia repertórios e fortalece a empregabilidade. “Essa bagagem de conhecimento faz diferença para conquistar melhores oportunidades”, concluiu reforçando a necessidade de criação de ecossistemas adequados para o empreendedorismo e inovação, com boas universidades e atração de talentos e investimentos.