A reitora da Universitat Oberta de Catalunya (UOC), Àngels Fitó, falou sobre a centralidade do estudante (Foto: Wilson Camargo/Mackenzie)

Durante o encontro São Paulo REALCUP 2025, nesta quarta, 12, a reitora da Universitat Oberta de Catalunya (UOC), Àngels Fitó, destacou a urgência de repensar o papel das instituições de ensino superior diante das transformações sociais, tecnológicas e culturais que marcam o século XXI. Durante uma sessão com o tema “Os estudantes como protagonistas”, Fitó defendeu que as universidades precisam se reorganizar para colocar os alunos no centro do processo de aprendizado — não apenas dentro da sala de aula, mas em todas as dimensões da vida acadêmica.

“Vivemos um tempo de incertezas, e o papel das universidades é preparar os estudantes para navegar por esse futuro imprevisível. Os perfis dos alunos mudaram profundamente: são diversos, vêm de trajetórias distintas e têm expectativas muito variadas. Temos a obrigação de responder a essa heterogeneidade e oferecer experiências formativas ao longo da vida”, afirmou Fitó.

A reitora lembrou que a UOC foi a primeira instituição de ensino superior inteiramente online, pioneira no conceito de aula virtual e com mais de 100 mil estudantes exclusivamente no ambiente digital. Ainda assim, ressaltou, o foco da universidade está em humanizar o processo de ensino e aprendizagem. “A tecnologia é fundamental, mas nossa prioridade é o acompanhamento humano. O verdadeiro valor está em entender nossos alunos, ouvi-los de todas as formas possíveis e garantir que sua experiência seja significativa do início ao fim da graduação”, destacou.

Fitó apontou que o futuro da educação exige equilíbrio entre inclusão e personalização, enfrentando preconceitos e desafios estruturais sem abrir mão da qualidade. “Avançamos muito na personalização do ensino, e isso precisa vir acompanhado de mecanismos que garantam qualidade e reconhecimento. Queremos que o estudante participe do projeto curricular e se sinta protagonista de sua trajetória acadêmica”, explicou.

Segundo a reitora, muitas instituições ainda não fizeram as adaptações necessárias para colocar o aluno verdadeiramente no centro. Isso requer mudanças culturais profundas e uma nova postura das lideranças universitárias. “As IES precisam se tornar mais abertas, mais interdisciplinares e colaborativas. Internamente, devem ser mais digitais, mais ágeis e mais preparadas para lidar com a inteligência artificial, que já está transformando tudo”, afirmou.

Fitó enfatizou que a inovação tecnológica deve preservar os traços humanos do processo educativo. “Temos mais perguntas do que respostas, e o primeiro passo é assumir isso. Essa mudança não é algo que possamos governar, mas sim navegar. Como instituições, também precisamos aprender continuamente, porque nossa capacidade de controle é limitada. A IA deve estar a serviço de um cidadão mais consciente, responsável e empoderado”, disse.

Para a reitora, o debate sobre a inteligência artificial traz dilemas éticos e acadêmicos que exigem uma resposta coletiva. “Precisamos formar estudantes competentes para atuar com a IA, compreendê-la e usá-la de forma ética. Isso passa pela integridade acadêmica e pela humanização do aprendizado”, reforçou.

Fitó concluiu destacando que as universidades têm um papel insubstituível na formação para o futuro. “Vivemos dilemas complexos, sem soluções únicas. Ainda assim, é nas universidades que se gera conhecimento e que se formam as pessoas capazes de enfrentar esses desafios. Precisamos reivindicar esse valor com clareza. O conhecimento deve ser acessível, desejável e compartilhado — e isso só é possível quando colocamos os estudantes no centro do processo educativo”, finalizou.