José Escamilla, diretor associado do Instituto para o Futuro da Educação do Tecnológico de Monterrey, durante o Sãp Paulo REALCUP 2025 (Foto: Wilson Camargo/Mackenzie)

Ainda nesta quarta, 12, no período da tarde, o São Paulo REALCUP 2025 abriu espaço para a discussão de mais um eixo temático do evento: o desenho de um ecossistema de aprendizagem adaptável e personalizado, com uma sessão em que José Escamilla, diretor associado do Instituto para o Futuro da Educação do Tecnológico de Monterrey, IES mexicana, falou sobre os desafios da inovação na criação de ecossistemas personalizados de aprendizagem.

Reconhecido internacionalmente por seu trabalho à frente de iniciativas de inovação educacional, Escamilla destacou que o propósito central das universidades deve ser melhorar a vida das pessoas por meio da educação ao longo da vida, oferecendo soluções concretas para os desafios contemporâneos da formação e do trabalho. Ele explicou que o Instituto para o Futuro da Educação busca colaborar com instituições de ensino superior em todo o mundo — inclusive no campo da educação de adultos — para promover modelos de aprendizado mais flexíveis, personalizados e socialmente relevantes.

Ao apresentar as quatro dimensões que estruturam o processo de inovação nas universidades, Escamilla começou pela dimensão institucional, ressaltando que a mudança é lenta, difícil e carece de incentivos. Segundo ele, “as universidades vivem sob pressão para se reinventar”, mas enfrentam estruturas rígidas e ciclos de decisão longos, como a aprovação de currículos, que pode levar anos. Esse cenário, afirmou, dificulta respostas ágeis às novas demandas sociais e tecnológicas.

Para o especialista, cada país, estado e região enfrenta realidades distintas, e o desafio está em reconectar as universidades com seus estudantes e comunidades, de modo que o aprendizado seja relevante tanto academicamente quanto em termos de empregabilidade e impacto social. Ele defendeu que o estudante deve estar no centro das decisões institucionais e que é preciso reorganizar a universidade para garantir igualdade de oportunidades de sucesso. A evasão, lembrou, é um problema que ultrapassa o âmbito acadêmico e reflete uma desconexão mais ampla com a sociedade.

“Se quisermos continuar atendendo nossos estudantes, precisamos abraçar a ideia da educação ao longo da vida — esse é o caminho para o futuro das instituições”, concluiu José Escamilla (Foto: Wilson Camargo/Mackenzie)

Escamilla também propôs que as instituições se tornem organizações de aprendizagem ao longo da vida. “Não deveríamos falar em currículos de quatro ou cinco anos, mas em um currículo de 60 anos”, afirmou, ao defender uma nova visão para as universidades do futuro, marcada pela diversidade institucional e pela não-linearidade da aprendizagem.

Nesse contexto, os microcredenciamentos e portfólios de evidências de competências ganham destaque como instrumentos de reconhecimento flexível do aprendizado. Escamilla explicou que a educação continuada pode ser avaliada em diferentes níveis de impacto — desde o informativo até o retorno sobre o investimento —, e que medir esses resultados de forma consistente ainda é um desafio.

O palestrante também abordou o papel crescente da inteligência artificial na educação superior. Segundo ele, o tema começa a ganhar força na América Latina, mas poucas instituições ainda têm códigos de ética ou estratégias claras para seu uso. Escamilla alertou para um “estado de emergência” na necessidade de debater as implicações da IA, tanto na gestão e operação das universidades quanto na redefinição do ensino, da aprendizagem e dos currículos.

Encerrando sua fala, o diretor enfatizou que a inovação educacional não é um fim em si mesma, mas um meio para garantir a relevância e a sustentabilidade das universidades diante de transformações sociais, demográficas e tecnológicas profundas. “Se quisermos continuar atendendo nossos estudantes, precisamos abraçar a ideia da educação ao longo da vida — esse é o caminho para o futuro das instituições”, concluiu.