O diretor executivo do Semesp – Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior, Rodrigo Capelato, apresentou nessa quarta-feira (5), um panorama econômico completo e atualizado das Regiões Administrativas de São Carlos (26 municípios), Ribeirão Preto (25) e Franca (23) durante a 13ª edição das Jornadas Regionais que aconteceu no Araucária Hotel, em Ribeirão Preto.

“As matrículas nos cursos presenciais no Brasil, segundo o Censo de 2015, cresceram 3%, mas houve queda de 8,7% nos ingressantes, o que mostra um quadro de crise econômica. Segundo projeções feitas pela Assessoria Econômica do Semesp também houve uma queda de cerca de 5% nas matrículas em 2016 e tudo indica que em 2017, vamos estabilizar as matrículas nesse patamar, ou seja, estamos em retrocesso na inserção de jovens no ensino superior”, disse Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp.

Segundo levantamento da Assessoria Econômica do sindicato, as matrículas em cursos presenciais na rede privada em São Carlos tiveram um crescimento  de 1,3% (eram 22.519 alunos matriculados em 2014, contra 22.813 em 2015). Já em Ribeirão Preto, ao contrário, houve uma queda de 3,3% em 2015 (em 2014 eram 38.851 alunos matriculados no ensino superior particular e, em 2015, esse número passou a 37.576). Em Franca, o crescimento chegou a 7,8% na rede privada (eram 14.752 alunos matriculados em 2014 e chegou a 15.901 em 2015).

No entanto, no levantamento de ingressantes (que iniciam o 1º ano do curso) na rede privada, em São Carlos, houve uma queda de 12,9% (9.135 ingressantes em 2014 para 7.953 em 2015). Em Ribeirão Preto, a redução ficou em 11,6% (16.034 ingressantes em 2014 para 14.175 em 2015). Em Franca, no entanto, houve crescimento de ingressante na rede privada de 10,2% (eram 6.570 ingressantes em 2014 e passou para 7.241 em 2015).

O estudo levantou ainda os cinco cursos presenciais mais procurados na rede privada em São Carlos: Direito, Administração, Engenharia Civil, Pedagogia e Engenharia da Produção. Em Ribeirão Preto os preferidos foram:: Administração, Direito, Pedagogia, Engenharia Civil, e Ciência Contábeis. E, em Franca, os mais procurados são: Direito, Administração, Pedagogia, Medicina Veterinária e Psicologia.

EAD

Já as matrículas em educação a distância na rede privada na Região Administrativa de São Carlos tiveram uma queda de 2,1% (5.817 alunos matriculados em 2014 para 5.694 em 2015). Em Ribeirão Preto a redução chegou a 19% (11.968 matrículas em 2014 contra 9.666 em 2015). Em Franca, ao contrário, houve aumento de 5% nas matrículas em EAD na rede privada (de 4.648 alunos matriculados em 2014, passou para 4.881 alunos em 2015). Segundo Capelato, “muita gente apostou que com a crise e a redução brusca do Fies, o EAD ia crescer muito no Brasil, e isso não ocorreu porque além do perfil dos alunos que ingressam no presencial e no EAD ser completamente diferente no EAD a faixa etária é dos 25 aos 44 anos) a crise que bate no aluno do presencial, bate também no aluno de EAD”.

Em São Carlos, no entanto, houve aumento de 10% de ingressantes na rede privada (3.128 ingressantes em 2014 para 3.453 em 2015). Em Ribeirão Preto o número de ingressantes na rede privada também sofreu queda de 28% (6.715 ingressantes em 2014 para 4.854 em 2015). Em Franca, o número de ingressantes na rede privada também cresceu cerca de 19% (eram 2.738 alunos ingressantes em 2014 e chegou a 3.257 em 2015).

Entre os cursos mais procurados pelos estudantes de EAD na rede privada em São Carlos estão: Pedagogia, Administração, Gestão de Pessoal/Recursos Humanos, Ciências Contábeis e Serviço Social. Em Ribeirão Preto os mais buscados são: Pedagogia, Administração, Ciências Contábeis, Gestão de Pessoal/Recursos Humanos e Serviço Social. Em Franca, os cursos mais procurados são: Pedagogia, Administração, Gestão de Pessoal/Recursos Humanos, Educação Física e Ciência Contábeis.

Graduação tecnológica

Ainda segundo o panorama, em São Carlos a porcentagem de queda nas matrículas de graduação tecnológica na rede privada chegou a 14,4% (1.428 matrículas em 2014 para 1.223 em 2015). Em Ribeirão Preto ocorreu um declínio de 3,5% (2.304 matrículas em 2014 para 2.224 em 2015), Em Franca, no entanto, houve crescimento de 2,5% (1.426 matrículas em 2014 para 1.461 em 2015).

“Hoje em vários países desenvolvidos como EUA, Alemanha e Coreia do Sul mais da metade dos cursos são tecnólogos e vocacionados para o mercado de trabalho, com duração de dois a três anos. No Brasil, infelizmente, as graduações tecnológicas não respondem nem por 10% das matrículas porque aqui muitos alunos formados nesses cursos não têm as mesmas chances de empregabilidade que os formados em graduações tradicionais, segundo resultados de uma pesquisa encomendada pelo Semesp a Folks Netnográfica e a Numbr”, lembrou Capelato.

Para ele, os tecnólogos são vistos como subgraduados e há preconceito, inclusive, por parte de empresas públicas que não selecionam tecnólogos nos concursos públicos. “As próprias empresas privadas não entendem o que é e os alunos têm receio de que não terão as mesmas oportunidades no término do curso.”

O estudo também revela que os estudantes da graduação tecnológica geralmente são pessoas mais velhas (entre 25 e 34 anos), na maioria homens (60%), da classe C (73%), que residem em sua maioria nos Estados de São Paulo (73%) e Minas Gerais (15%), que já atuam em uma área e veem no curso tecnólogo uma oportunidade para ascender profissionalmente,  “Hoje a modalidade está desgastada, há muita burocracia para autorizar novos cursos e o nome adotado para esse tipo de graduação no Brasil foi infeliz porque remete a cursos técnicos de ensino médio. Vamos levar ao governo propostas de recuperação dessa modalidade”, afirmou Capelato.

Evasão é maior sem financiamento estudantil 

Nos cursos presenciais na rede privada, no Brasil, houve evasão de 28,6% em 2015 e na rede pública 18,4%. No EAD a situação é ainda pior, no país a evasão é de 34,2% na rede privada e 28,7% na rede pública. Nos tecnólogos a evasão na rede privada chegou a 37,2% e na pública 26,2%.

No entanto, segundo cálculos da taxa de evasão para alunos que estão no 1º ano de um curso, feita pela Assessoria Econômica do Semesp baseada em microdados do Censo da Educação, os que ingressam com algum tipo de financiamento estudantil evadem menos. “Em 2015, apenas 7,5% dos alunos com Fies evadiram, já sem nenhum tipo de financiamento a evasão ficou em 25%”, enumerou Capelato.

Já em São Carlos a taxa de evasão nos cursos presenciais chegou a 24,3%. Em Ribeirão Preto ficou em 28,6% e, em Franca, atingiu 27,7%. No EAD, a taxa de evasão em São Carlos chegou a 34,9%. Em Ribeirão Preto ficou em 38,7%  e, em Franca, a evasão está em 35,5%.

 

 

*A taxa de evasão é calculada pela matrícula trancada + aluno desvinculado de curso + falecido dividido pelo total de matrícula + matrícula trancada + aluno desvinculado do curso e + falecido.

As próximas edições das Jornadas Regionais acontecerão em São José dos Campos (3 de maio) e São José do Rio Preto (7 de junho).

Sobre o Semesp – Fundado em 1979, o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo – Semesp congrega cerca de 200 mantenedoras no Estado de São Paulo e no Brasil. Tem como objetivo preservar, proteger e defender o segmento privado de educação superior, bem como prestar serviços de orientação especializada aos seus associados. Periodicamente, realiza uma série de eventos, visando promover a interação entre mantenedoras e profissionais ligados à educação. Dentre eles, destacam-se o Fórum Nacional: Ensino Superior Particular Brasileiro, o Congresso Nacional de Iniciação Científica e as Jornadas Regionais pelo Interior de São Paulo. Para saber mais, acesse www.semesp.org.br/portal/  www.facebook.com/semesp/ https://www.linkedin.com/company/semesp.

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