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Alex Beard abriu o 22º FNESP falando sobre a importância do professor para o futuro da educação. Foto: Guilherme Veloso/Semesp

Para o autor e professor Alex Beard, ensinar é a grande profissão do século XXI. Na primeira palestra do 22º FNESP, nesta terça (27), o renomado pesquisador contou aos participantes por que ele acredita nisso, um posicionamento que vai na contramão das discussões atuais sobre como a Inteligência Artificial pode automatizar algumas profissões, inclusive a do docente.

Ao longo de sua fala, Beard, que passou dois anos viajando por seis continentes e visitando vários países para conhecer bons exemplos de professores inovadores e escolas que têm transformado a aprendizagem, citou exemplos de casos ao redor do mundo que fizeram com que ele acredite que a tecnologia é uma ótima ferramenta, mas que ela sempre vai depender de um ser humano. “A tecnologia ajuda e amplia a aprendizagem. Ela também está cada vez mais inteligente, provocando mudanças rápidas em toda a sociedade, inclusive nas salas de aula”, afirmou ele. “Mas será que a afirmação de que os professores serão automatizados é correta?”, questionou.

Segundo Beard, essa abordagem de que a Inteligência Artificial irá substituir os professores apresenta duas falhas. “A primeira delas é uma falta de entendimento de como nós seres humanos aprendemos”, declarou. “A tecnologia é ótima para atingir algo objetivo e que demanda respostas claras, mas isso é apenas uma pequena parte da educação. Restringir o papel do professor em prol da tecnologia é restringir também as conexões dos alunos, limitando a aprendizagem”, disse.

“A próxima revolução da aprendizagem será melhorada pela tecnologia, mas será liderada por professores”, afirmou Alex Beard durante palestra no FNESP. Foto: Guilherme Veloso/Semesp.

A outra falha, de acordo com Alex Beard, é uma falta de entendimento da própria Inteligência Artificial. “Estamos fazendo a pergunta errada. A questão não é o que a IA pode automatizar, mas sim como essa tecnologia pode melhorar o desempenho humano”, colocou. “A ideia de que o professor será automatizado é uma utopia que restringe oportunidades  e pode criar um monopólio do mercado, limitando de uma forma geral o papel do professor. Mas a IA irá, na verdade, melhorar o trabalho dos professores, redefinindo o papel do profissional para o século XXI”, pontuou.

De acordo com Alex Beard, pesquisas mostram que o aprendizado dos alunos depende dos professores. “Os professores enfrentarão desafios inéditos, em um mundo com mais questões ambientais, maior desigualdade e globalização crescente. O docente terá então que preparar alunos pensadores e cidadãos críticos. Eles serão cultivadores do potencial humano”, defendeu. “As ferramentas tecnológicas têm função de melhorar a aprendizagem, não uma automatização dela. Para isso, devemos saber aproveitar a oportunidade de redesenhar, redefinir e retreinar os professores. A próxima revolução da aprendizagem será melhorada pela tecnologia, mas será liderada por professores”, finalizou.

Abertura do 22º FNESP

O presidente do Semesp, Hermes Ferreira Figueiredo, abriu o 22º FNESP, evento que acontece de forma virtual pela primeira vez. Foto: Guilherme Veloso/Semesp.

Antes da palestra do autor e professor Alex Beard, a abertura do evento contou com a presença virtual de Hermes Ferreira Figueiredo, que destacou que o setor não podia imaginar os desafios que enfrentaria ao longo de 2020 por causa da pandemia da Covid-19 e comentou o tema do FNESP. “Dar ‘reset’ no modelo de negócio significa reinventar a organização e a dinâmica das nossas instituições, nas dimensões administrativa e acadêmica. Em um contexto de pandemia, nós, do Semesp, entendemos que, definitivamente, não é possível continuarmos a fazer mais do mesmo”, apontou em seu discurso.

Segundo ele, “resetar” é recomeçar de determinado ponto, de forma que essa mudança não represente a perda de tudo que foi construído. “Resetar é sim uma circunstância em que vamos desfazer as opções escolhidas, investir na nossa qualificação como instituição e restabelecer as configurações acadêmicas e administrativas com base em novos modelos necessários, sem perda de qualidade, que nos permitam enxergar o futuro”, decretou.

Também participaram da abertura do evento a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria Helena Guimarães, e o presidente da Câmara da Educação Superior do CNE, Joaquim José Soares Neto. Maria Helena disse acreditar que o setor da educação superior está se preparando para uma grande mudança estrutural e destacou o comprometimento da rede privada com o ensino superior, já que ela detém 75% das matrículas do país. Já Joaquim Soares afirmou que nos últimos trintas anos o país tem presenciado um grande avanço na educação superior, com um maior números de matrículas, mais pessoas formadas e mais possibilidades de formação.

O diretor Jurídico do Semesp, José Roberto Covac, lançou no palco do evento o livro “A Educação como vocação e o Direito como expressão”. Foto: Guilherme Veloso/Semesp

Lançamento de livro

Após a palestra de Alex Beard, o diretor Jurídico do Semesp, José Roberto Covac, lançou no palco do evento o livro “A Educação como vocação e o Direito como expressão”, de José Roberto Covac. Considerado o maior especialista do Brasil em Direito Educacional e principal referência nessa área, José Roberto Covac faz um relato na primeira pessoa da trajetória da Educação Superior e do Direito Educacional do Brasil nas últimas três décadas.