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Walter Longo destacou, durante palestra no FNESP, que, em relação à educação, os negócios passam a ser geridos de outra maneira (Foto: Semesp/Guilherme Veloso)

“A pandemia acelerou o processo de transformação digital e aumentou ainda mais o abismo entre o mundo atual que olha para o futuro e aqueles que seguem abraçando uma concepção já ultrapassada de educação”: foi dentro dessa lógica que o palestrante Walter Longo, especialista em Inovação e Transformação Digital e sócio-diretor da Unimark Comunicação, defendeu durante o 23º FNESP a transformação das instituições de ensino superior em ecossistemas, o que segundo ele já está ocorrendo com as empresas mais avançadas, e que já perceberam que não faz mais sentido resistir às mudanças.

“O que faz diferença não é a tecnologia, que virou commodity, mas as pessoas”, afirmou o palestrante, para quem “a tecnologia não veio para roubar nossos empregos, mas para devolver a nossa humanidade”. Segundo Walter Longo, vivemos um tempo em que “as transformações estão ocorrendo, não na tecnologia, mas dentro de cada um de nós”.

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Ele destacou que as pessoas estão adotando novos comportamentos e que a tecnologia é apenas um componente desse processo. “Nas relações de consumo éramos tratados como média, massa, grupo, e não como indivíduos, Na educação, por exemplo, nos habituamos a ser divididos em classes de acordo com a capacidade média do grupo. Mas essa ‘idade média’ está acabando para na nossa geração. Agora estamos dando a chance do ensino híbrido, em que o aluno faz a sua escolha individualizada na busca do conhecimento”, afirmou

Segundo Walter Longo, “não vamos mais ser avaliados e tratados pela média, inclusive na educação, e isso trará mudanças profundas no nosso cotidiano, porque chegamos à ‘idade mídia’, na qual seremos agentes de mídia, formadores de opinião e geradores de conhecimento, capazes de influenciar a sociedade”.

Lembrando que a internet das coisas está acumulando e transferindo informação através de chips para identificar as necessidades em todas as atividades humanas, o palestrante ressaltou que a revolução tecnológica traz mudanças no comportamento humano e está mudando a nossa relação com o mercado e com a sociedade. “Fazemos escolhas e compramos sem sair de casa. As máquinas de café oferecem 130 tipos diferentes de café, a programação de TV é individual, e até o cardápio das residências hoje é individualizado, com escolhas de cada membro da família. Os produtos se adaptam ao indivíduo, como no caso dos hotéis cinco estrelas, que oferecem menus de travesseiro aos hóspedes”.

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Para Longo, “a nova premissa básica é tratar desigualmente pessoas apenas aparentemente iguais com tratamento diferenciado. A Nike permite ao cliente construir o tênis individualizado, a Levis escaneia o corpo do cliente e desenha a calça para cada indivíduo. Óculos, maquilagem, xampu, cerveja atualmente são todos individualizados. Mesmo as empresas que produzem alimentos industrializados estão criando receitas individualizadas. Saímos do mass costumization para o individualismo, porque o mundo está nos exigindo oferecer simplicidade dos produtos, flexibilidade dos processos e a possibilidade de escolhas individuais. Ou seja, o mundo mudou e a sociedade ficou mimada com a ampla possibilidade de escolhas individuais proporcionada pela tecnologia”, afirmou.

“Nós precisaremos ser revolucionários em um mercado cada vez mais competitivo, no qual a mudança é o único estado permanente”, afirmou Walter Longo em sua palestra no FNESP (Foto: Semesp/Guilherme Veloso)

O palestrante destacou que, em relação à educação, os negócios passam a ser geridos de outra maneira. “Não podemos mais tratar os nossos clientes, no caso os alunos, da mesma forma. Precisamos entender que, como instituições de ensino superior, passaremos a ser ecossistemas, cujo objetivo é realizar os sonhos dos estudantes, que são os nossos clientes, saindo da educação genérica para educação individual, gerando inclusão e meritocracia, inspirando as pessoas a realizar seus objetivos”, disse Longo.

“Nós precisaremos ser revolucionários em um mercado cada vez mais competitivo, no qual a mudança é o único estado permanente. E vamos ter que mudar a relação que temos com os alunos: uma IES não pode mais pensar no genérico, mas no atendimento aos anseios e aspirações dos indivíduos, porque as pessoas não vão mais passar quatro anos se capacitando numa instituição, mas sim passar a aprender uma vida inteira na mesma instituição, porque elas precisarão se reinventar durante toda a carreira. E com esse conceito de life long learning, uma IES deixará de ser tutora e passará a ser mentora”, ressaltou Longo.

Segundo o palestrante, essa deve ser obrigação de quem educa, “e para isso as IES precisarão criar as suas próprias plataformas de streaming, saindo do EAD para a educação tecnológica e corporativa, aproximando a academia das empresas”. Walter Longo considera que “a nossa nova missão neste mundo é impedir que a tecnologia cerceie a nossa imaginação, já que universo digital nos desobriga de saber o que a gente não quer”. Desse modo, segundo ele, “a nova forma é desenvolver a imaginação e a curiosidade do aluno para o que é importante, para ele imaginar e sonhar cada vez mais, e não apenas produzir o rotineiro e o usual”.

Lembrando que a tecnologia está mais preparada para fazer mais do mesmo, em relação a processos repetitivos e equações previsíveis, com mais velocidade e a custo menor, o palestrante afirmou que “a nova missão de futuro de uma IES é pensar no impossível, utilizando ampliando a capacidade de imaginação”. Para Walter Longo, as escolas devem se posicionar como capazes de rever conceitos, e sonhar mais.

“Inovação não é uma questão de tecnologia, mas de como vemos as coisas, como podemos ser agentes de transformação, e formar seres mais imaginativos, criativos, sonhadores, para serem protagonistas nessa nova era. As novas gerações não querem mais fazer ou ser aquilo que nós queríamos até este momento. Não teremos jovens preparados para o futuro com as mesmas premissas que nos trouxeram até aqui. Nada mais é impossível. E essas são questões que devemos reavaliar daqui para frente”, concluiu.