Em painel sobre Economia e Desenvolvimento do 12° FNESP, especialistas apontam caminhos para as instituições de ensino particular nos próximos anos

Os gestores das instituições de educação superior privadas devem aumentar suas pesquisas econômicas regionais para administrar as novas demandas de ensino em suas escolas. Esta a orientação do economista e professor Roberto Macedo, durante o 12° FNESP, na tarde desta quinta-feira (23), em São Paulo, durante o painel que discutiu os investimentos e a geração de emprego a partir da nova dinâmica econômica e dos grandes eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.

O motivo são os diferentes impactos que cada setor, como agricultura, comércio, petróleo ou mineração, têm em cada região. Como exemplo, Macedo citou a criação pela Petrobras de uma divisão na cidade de Santos, que está gerando um grande número de contratações de pessoal e de crescimento de alguns setores como a construção civil, numa intensidade diferente quando comparada a outras regiões do país.

Avaliando que as previsões de crescimento da economia pelo menos até o final do ano devem se refletir também em relação às matrículas no setor de ensino privado, Macedo informou que, para o próximo ano, estudos apontam para uma taxa menor de crescimento, em torno de 4% do PIB, contra pouco mais de 7% este ano.

“O mercado financeiro considera não haver informações suficientes sobre como o próximo governo irá se comportar, se fará ou não ajustes ou em quais áreas irá interceder, bem como que o Brasil, de uma forma geral, não investe o suficiente para garantir um crescimento chinês”, analisa o economista.

Participando do mesmo painel, o ex-ministro do Turismo e presidente licenciado da São Paulo Turismo, Caio Luiz de Carvalho, ressaltou que os próximos grandes eventos a serem realizados no Brasil – a Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada em 2016 – devem gerar demandas transitórias para capacitação e qualificação de mão de obra que devem ser percebidas pelas instituições de ensino privadas.

Citando um artigo do jornalista norte-americano Simon Koper, no qual, segundo ele, “a Copa deixa o país mais pobre e as pessoas mais felizes”, Caio Carvalho  mostrou-se bastante preocupado com a organização dos eventos. Ele alertou para a necessidade de um planejamento muito detalhado para os custos de construção de estádios e outras instalações. “Sem isso não haverá garantias de que os gastos não causem danos econômicos como os que contribuíram para os problemas atualmente enfrentados pela Grécia – agravados pelas contas geradas na organização dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004”.

O ex-ministro lembrou que muitos dos equipamentos não terão uma demanda que os sustente após a realização dos jogos e que as demais obras de infraestrutura como aeroportos, metrôs, rede hoteleira e a capacitação da mão-de-obra, formarão o legado dos grandes eventos.

“Um planejamento como o que está sendo feito pelos ingleses na organização dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, vai ser imprescindível para que o próximo governo não fique com uma conta que pode não fechar, por causa dos muitos contratos de emergência que precisarão ser firmados para a construção da infraestrutura necessária”, completou.