O presidente da Kroton Educacional, Walter Luiz Diniz Braga, afirmou no painel “O impacto das políticas de fusões e aquisições”, realizado na tarde de hoje (28), que o processo de aquisições de instituições de ensino superior particular também cumpre um papel social. “Além de acelerar o crescimento e desenvolvimento de instituições com o investimento de recursos, há um aumento considerável na abertura de novos postos de trabalho”, disse o executivo ao relatar a experiência de sua organização. O painel integrou o 9º Fórum Nacional: Ensino Superior Particular Brasileiro – FNESP, que está sendo realizado desde ontem no Novotel Jaraguá, em São Paulo.

Braga não considera a política de aquisições como mercantilização da educação. “Os investidores que direcionam aportes para o ensino não pensam em obter lucro imediato. Leva-se em conta o equilíbrio dos resultados empresariais com geração de aprendizado”, analisou. Segundo ele, o setor tem um desafio pela frente, que é prover a educação de massa. “Não podemos mais fazer educação artesanal. Com parcerias, fusões e aquisições de instituições isso será possível”. Porém, alerta ele, o processo de aquisição não pode ser o de “compra pela compra, a qualquer preço. A aquisição é uma estratégia para acelerar a expansão com garantia de qualidade”, concluiu.

João Grandino Rodas, ex-presidente do CADE, diretor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e segundo conferencista da tarde, alertou para que se tenha atenção ao direito concorrencial em um processo de fusão ou aquisição de instituições. “É preciso estar atento para não cair nos ‘buracos’ do direito concorrencial, por simples desconhecimento. Além disso, o empresário tem que se preocupar com a concentração, no âmbito do mercado relevante, e em não incidir em cartel ou abuso de poder econômico”, finalizou.

A entrada do capital estrangeiro nas IES

O presidente da Sociedade Baiana de Educação e Cultura S/A, Eugênio Barreto da Silva, afirmou que em uma instituição que conta com capital estrangeiro todos os defeitos e fraquezas daquele estabelecimento são expostos. “Com a necessidade da adoção de um modelo de governança corporativa, auditorias e também da transparência em todas as ações, é necessário que as IES sejam requalificadas e isso contribui para a profissionalização do setor”, explicou.

Por outro lado, José Roberto Covac, sócio-presidente da MBSC Advogados Associados, defende que os modelos de governança corporativa não sejam aplicados somente pelas instituições que contam com participação internacional. “É importante que toda a transparência da instituição, não só em relação aos acionistas, mas a todos os que estão vinculados às IES, seja de conhecimento de todos”, ressaltou.

“Muita gente acredita que formar um conselho de administração, ter um CEO, fazer auditorias, enfim, adotar um modelo de governança corporativa gera custos. Mas, isso deve ser visto como um investimento em lucratividade e credibilidade que traz melhores resultados”, conclui Braga.

Serviço

9° Fórum Nacional: Ensino Superior Particular Brasileiro
Data: 27 e 28 de setembro de 2007
Local: Novotel Jaraguá São Paulo Conventions
Endereço: Rua Martins Fontes, 71 – Centro – São Paulo
Mais informações: www.semesp.org.br

Walter Luiz Diniz Braga afirma que investimento em compras de instituições promove crescimento do setor e dá origem a empregos diretos