Primeira mesa do Admirável Futuro da Educação Superior

O Semesp, em parceria com o Consórcio Sthem Brasil e a Universidade de Coimbra, promoveu, nesta quinta (14), mais uma edição de O Admirável Futuro da Educação Superior, reunindo especialistas de seis países para debater o papel transformador das Instituições de Ensino Superior (IES) e os caminhos para enfrentar os desafios e oportunidades que moldam o presente e o futuro da educação.

Na abertura, a professora Lúcia Teixeira, presidente do Semesp e da Unisanta, destacou que a união entre as três instituições organizadoras é “tão proveitosa quanto necessária”, pois cria um espaço qualificado para discutir temas centrais para o avanço do conhecimento. Segundo Lúcia, as IES “são espaços estratégicos de diálogo e debate — cada vez mais necessários — para manter viva a missão e o propósito do ensino superior”.

O professor Fábio Reis, presidente do Consórcio Sthem e diretor de Inovação Acadêmica e Redes de Cooperação do Semesp, ressaltou a importância de pensar coletivamente sobre o que está por vir. Para ele, “devemos olhar para o futuro com otimismo, identificando os bons caminhos que precisamos seguir, de forma colaborativa, para fortalecer o ensino superior”.

Durante a primeira mesa de discussão do evento, o professor Dale P. Johnson, diretor de Inovação Digital da ASU University Design Institute, apresentou os três grandes desafios universais da educação superior, defendendo que as universidades devem redesenhar, reimaginar e reconstruir sua relação com os estudantes. Ele apontou quatro “pontes” essenciais: aconselhamento profissional para lidar com a não linearidade da vida; conexão com as mudanças constantes nas profissões; integração de experiências reais ao aprendizado; e a oportunidade de vivência do mundo profissional antes da formação.

A professora Cristina Maria Pinto Albuquerque, vice-reitora da Universidade de Coimbra, provocou a reflexão sobre a essência e o propósito do ensino superior em um mundo em transformação. Ela defendeu que as universidades não podem se orientar apenas pelo utilitarismo, mas precisam se manter como espaços de inquietação, pensamento crítico e construção de liberdade. Cristina destacou ainda a importância da interdisciplinaridade, do impacto social e da paixão pela aprendizagem, lembrando que o ensino superior “forma cidadãos capazes de tomar decisões racionais, responsáveis e socialmente conscientes”.

Já o professor Dante J. Salto, da University of Wisconsin-Milwaukee, trouxe à discussão a questão da relevância das IES. Para ele, não existe um único modelo ideal, mas sim a necessidade de respeitar a diversidade institucional e avaliar a relevância pela coerência entre missão e prática. Salto defendeu que a diversidade é uma fortaleza e que a relevância deve ser repensada considerando o impacto real das instituições na sociedade.

Segunda mesa do Admirável Futuro da Educação Superior

Durante a segunda mesa de discussão do evento, Jamil Salmi, economista marroquino e professor Emérito na Universidade Diego Portales, destacou a importância de motivar o aluno a aprender em grupo. “A falta de motivação do aluno é uma das grandes falhas de muitos programas de professores em IES. O aprendizado precisa ser feito em grupo, os professores precisam ser capazes de estimular os alunos a estudar, além de desenvolver habilidades para o mundo do trabalho. Eu quero destacar a Olin College of Engineering (https://www.olin.edu), em Boston, onde todo aprendizado tem de ser feito em grupo, porque observou-se que na vida profissional não trabalhamos desconectados. Só que somos avaliados de forma individual. As pessoas trabalham juntas e o currículo dessa instituição vai ser aprendido na medida que os alunos tentam resolver problemas na vida real, entender em equipe noções de química, física, biologia, como construir um pulsômetro que funciona e o professor os acompanha, guiando, norteando. É um novo papel do professor, um arquiteto dos conhecimentos, e cada estudante tem suas próprias metas de aprendizado”.

Professor e diretor de Mestrado na Universidade Diego Portales, Mario Alarcón falou da importância da relevância universitária e da produção acadêmica. “Universidade produz conhecimento confiável e reproduz esse conhecimento, ou seja, produção acadêmia sem utilidade não tem continuidade. Para essa continuidade a universidade precisa escutar e cooperar com a sociedade, proteger o trabalho acadêmico e o financiamento tem de estar de acordo com a necessidade para se fazer a pesquisa. Temos de colocar foco na pesquisa e na criação de cultura”.

Jorge Adrián Azzario Hernández, diretor executivo de Educação Continuada Internacional no Tecnológico de Monterrey, enfatizou o pensamento crítico, a curiosidade em tempos de globalização e o avanço tecnológico, além da mudança de mentalidade que os líderes das IES precisam ter. “Há uma grande falta de competências, de atitude e de ética nas pessoas. Hoje tem mais relevância o pensamento crítico e sistêmico, a curiosidade, porque vivemos em um mundo que tem diversas partes interagindo de forma complexa. Os líderes das IES precisam ter empatia, inclusão, inovação e empreendedorismo. É um desafio para as IES formar pessoas competentes, conectadas com o papel no mundo do trabalho e com capacidade para transmitir conhecimento, ter capacidade de mobilidade social para fechar as lacunas das diversas comunidades nos diversos países. O impacto local e global gerado por guerras e movimentos migratórios leva a ter mais líderes que possam gerar esse impacto. Hoje o ensino tem certificações, conexões com empresas, a educação é mais flexível, mais híbrida. E tem o propósito social, formar líderes que podem enxergar o mundo de uma forma diferente, criar empresas diferentes para ter estabilidade social e um entorno favorável ao desenvolvimento”, finalizou.

Confira vencedores do Prêmio de Inovação no Ensino Superior Gabriel Mario Rodrigues:

Categoria: Instituição de Ensino Superior
Modalidade Ações junto à Comunidade: O voo das raízes: quando a universidade se planta no território e floresce em transformação, da Faculdades Associadas de Uberaba – FAZU
Modalidade Gestão Pedagógica: Acelere sua carreira, da Universidade Anhanguera – UNIDERP
Modalidade Inovação na Aprendizagem: Inovação Educacional com IA: resultados em aprendizagem de alunos de Pedagogia, da Universidade Anhanguera – UNIDERP

Categoria: Educador
Modalidade Ações junto à Comunidade: Monuem – Simulação da ONU para o ensino médio: diplomacia e cidadania para jovens do Grande ABC, de Rodrigo Fernando Gallo, do Instituto Mauá
Modalidade Gestão Pedagógica: Dashboard CPA: Transparência, participação e qualidade em foco, de Marciele Rosália Siveres, da Faculdade Biopark
Modalidade Inovação na Aprendizagem: A Gamificação como estratégia pedagógica sociointeracionista associada a metodologias ativas para a pedagogia das competências no ensino superior, de Alexandre Farbiarz, da Universidade Federal Fluminense (UFF)