“Vamos resolver esse Bug: educação digital não é sinônimo de on-line, IA e algoritmos” foi o tema do painel 3 que aconteceu nesta quarta-feira (18) durante a 26ª edição do FNESP. Participaram do painel François Staring, analista de Políticas de Educação Superior da OCDE, Francesc Pedró, diretor da IESALC/UNESCO, e José Escamilla, diretor associado do Instituto para o Futuro da Educação e TecMonterrey. A coordenação do debate foi feita por José Mata Temoltzin, reitor da Universidade Anáhuac, de Puebla e Membro da Realcup.

O coordenador José Mata Temoltzin chamou a atenção dos presentes sobre a transformação digital ter mudado muito nos últimos 15 anos e o quanto é difícil “navegar nessa onda” onde antes ninguém usava a cibersegurança, os algoritmos, a internet das coisas e que agora armazenamos tudo na nuvem, e questionou os palestrantes sobre o tema.

François Staring, analista de Políticas de Educação Superior da OCDE, durante apresentação no 26º FNESP (Foto: Gustavo Peres)

François Staring, analista de Políticas de Educação Superior da OCDE, enfatizou que “para a transformação digital acontecer de forma equitativa, é necessário o papel dos governos no apoio às IES na inovação. Outra área muito importante é ajudar países na garantia da qualidade do ensino superior. Relatório publicado em 2018 nos traz orientações para melhorar a qualidade da educação, trabalhar de forma colaborativa, com atendimento mais personalizado. O relatório aponta ainda que o sistema educacional deve ser misto, suplementar e com ferramentas digitais”.

Outros aspectos que Staring destacou foram que “mesmo depois dos três anos após a pandemia, o crescimento e interesse pelo ensino digital continuou. Os jovens querem flexibilizar seus estudos, ter maior acessibilidade e há necessidade de requalificar também os adultos. E também uma tendência que está alavancando o crescimento do ensino digital, as microcredenciais”.

O representante da OCDE salientou ainda que “as taxas de conclusão no Brasil estão muito abaixo de países vizinhos e para que isso melhore é preciso fazer uso eficaz das ferramentas digitais, com indicadores e princípios de qualidade”.

Entre os princípios, Staring citou: “usar a digitalização para melhoria de qualidade, criar pontes entre instituição, professores e alunos e a conexão com o mercado de trabalho, facilitar essas conexões por meio de IES mediadoras, apoiando professores e alunos para melhorar as práticas de ensino, usar centros de ensino e aprendizagem para melhorar a prática de ensino, com recursos, para apoiar os centros acadêmicos, ter apoio dos governos, usar a digitalização mapeando os dados do que o aluno faz, e a governança para garantir que as IES entreguem qualidade, avaliação externa conduzida por agências de qualidade, e sistemas de regulação”.

Francesc Pedró, diretor da IESALC/Unesco, durante palestra no 26º FNESP (Foto: Gustavo Peres)

Francesc Pedró, diretor da IESALC/Unesco, falou que “não se faz transformação digital sem a transformação dos processos educacionais. Depois tem de ter uma mudança nas pessoas, não só do aumento de suas capacidades, mas apoio da IES e a mudança de cultura. Temos de modificar as nossas operações e isso requer pessoas capacitadas e com uma cultura institucional totalmente diferente”.

Pedró destacou também que “é difícil fazer a transformação digital na América Latina e Caribe quando 32% da população continua sem acesso a internet, e onde 75% dos professores têm insegurança no uso digital. Não podemos deixar para traz os mais vulneráveis. A transformação digital pode democratizar o ensino superior e uma IES moderna precisa se territorializar não apensa no acesso geográfico, mas na questão da experiência de trabalho”.

José Escamilla, diretor associado do Instituto para o Futuro da Educação, detalhou o modelo de educação digital usado no Tecnológico Monterrey no México. “Nós temos 90 mil estudantes em Monterrey, campi em 22 cidades no México e esses campi foram obrigados a criar essa conexão a distância. Dentro do TEC criamos um instituto para o futuro da educação superior e a aprendizagem ao longo da vida. Fazemos pesquisa em inovação, temos uma plataforma colaborativa, e grandes desafios na educação como o desenvolvimento de habilidades, educação de qualidade para todos, ensino e aprendizagem participativos motivadores e sistemas eficazes baseados em competências”.

Por fim Escamilla listou pontos importantes da educação digital: “aumento do acesso e da flexibilidade, experiências de aprendizagem imersivas (realidade virtual e aumentada), criação de espaços educativos, aprendizagem adaptativa utilizando a IA, criar relatórios de medição de impacto, acompanhar os alunos no uso dos chatbots como o GPT, fornecer feedback rápido e relevante para os alunos e avaliar competência no trabalho, além de priorizar a equidade, inclusão ética e privacidade”.