Painel Como uma universidade pode se reinventar: inovar sem perder a essência”

O Semesp, o Consórcio STHEM Brasil e a Universidade Coimbra realizaram nesta quinta (27) mais uma edição de “O Admirável Futuro da Educação Superior”, que teve como tema o “O fim das universidades como conhecemos hoje” e se estendeu ao longo de todo o dia.

Evento discute possibilidades de futuro para as instituições de ensino superior

No período da tarde, o primeiro painel girou em torno do tema “Como uma universidade pode se reinventar: inovar sem perder a essência”, em que o vice-reitor da PUC-PR, Vidal Martins, respondeu a perguntas (“por que mudar e como mudar? e nessa mudança, o que fica e o que muda?”) para defender a reinvenção das instituições de ensino superior.

Segundo ele, sim, as IES precisam se reinventar porque a convergência de diferentes tecnologias tem impactado o ensino superior. “Isso porque essas mudanças requerem novos comportamentos de consumo e estratégias que afetam de forma profunda a sociedade e a economia. As IES preparam as pessoas para o mundo e o mercado de trabalho, daí a urgência em mudarmos. E as IES devem mudar não apenas porque formam profissionais, mas porque elas próprias são empresas inseridas em um mercado em constante transformação”, defendeu.

Em seguida, Vidal apresentou uma série de questões que contextualizam essas mudanças, como uma alteração da dinâmica dos diplomas com o surgimento das microcredenciais e da necessidade que os profissionais se insiram mais rapidamente no mercado. “Essa nova dinâmica demanda o aprendizado de competências e habilidades, já que há uma grande disponibilidade de informações, o que obriga as IES a oferecerem novos aprendizados, não apenas conteúdos”, decretou.

“Outra questão importante é que os processos de ensino e aprendizagem precisam levar em conta uma nova dinâmica também de trabalho, com maior concorrência internacional em virtude do trabalho remoto, e a necessidade de profissionais multidisciplinares para a busca de soluções para problemas mais complexos”, disse lembrando ainda de pontos como aprendizagem mais personalizada e educação ao longo da vida.

Usando o exemplo da própria PUC-PR, Vidal Martins apontou que a IES vem passando por um processo de transformação nos últimos três anos com o objetivo de se tornar uma instituição mais inovadora e ágil. “Para isso, definimos cinco princípios que tem nos guiado, como a fidelidade à nossa missão, adaptabilidade, centralidade do cliente, liberdade com responsabilidade e governança horizontalizada”, listou.

Ele apontou também pontos importantes que para a IES escolha o que precisa ser transformado e o que é a essência da instituição e precisa permanecer. “Nesse processo de transformação, mantemos nossa missão, valores, competências identitárias e princípios orientadores da atividade acadêmica”, explicou. “Em relação às mudanças, buscamos a inovação em termos de estrutura organizacional, modelos de negócio e de gestão, ecossistema de inovação, estratégia de relacionamento com o cliente, estratégia de transformação digital e agilidade”, finalizou lembrando que existe diversos caminhos para que as IES busquem a mudança.

Painel Navegando na era híbrida: o papel do professor na universidade do amanhã

Nova era híbrida

No painel 4, “Navegando na era híbrida: o papel do professor na universidade do amanhã”, Roberto Paes de Carvalho Ramos, diretor de Ensino da Unisuam, e Washington Lemos, especialista em inovação curricular e Metodologias Ativas, discorreram sobre o tema.

Roberto Paes começou o painel falando da importância do papel do professor unindo tecnologia, aprendizagem e academia. “Antes já se fazia sala de aula invertida, mas, com o advento da tecnologia, essas metodologias evoluíram porque hoje o aluno se conecta antes, durante e depois da sala de aula”, afirmou. “E essas conexões são muito importante para currículos baseados em competências”. De acordo com o especialista, o ensino híbrido requer uma relação orgânica entre o aluno, o docente e a instituição. “Após a pandemia, a hidridização do ensino se acelerou muito, e o professor precisa dar respostas a esses alunos que estão conectados o tempo todo”.

O outro ponto abordado foi o uso da Inteligência Artificial e dos chatbots, como o ChatGPT, o Gemini e outras tecnologias. “Quando pensamos em conteúdos associados com a IA generativa, chegamos a um modelo em que o conteúdo deixou de ser carro chefe do professor. No ensino superior, o novo papel do professor é estar fora dentro de sala de aula, e fazer o papel que a IA nunca fará: resgatar o afeto e a empatia de um aluno que não confia nas situações vividas ao seu redor”, afirmou lembrando ainda que o “o professor é o grande responsável pela política de retenção do aluno”.

O desenvolvimento das soft skills foi outro ponto levantado pelo educador. “Se em sala de aula os professores não desenvolverem comunicação, trabalho em equipe e liderança em seus alunos, estes não irão se desenvolver para o mercado de trabalho. E o desenvolvimento passa por metodologias que trabalham estudos de caso, resolução de problemas e trabalho em equipe”, complementou finalizando que, atualmente, o papel do professor como mentor e gestor da aprendizagem. “Hoje, o principal papel do professor é vencer as dificuldades das tecnologias e ser gestor da aprendizagem do aluno”.

Washington Lemos encerrou o painel afirmando que a IA nunca vai substituir o professor. “A IA, de modo algum, substitui o professor, porque o processo de aprendizagem é essencialmente relacional, humano. O professor tem a capacidade de conversar, dialogar, exercer empatia e entender o que o aluno está fazendo com a jornada dele”, explicou.

“A IA é treinada com dados do passado e só consegue olhar os temas do passado, além de ter limites técnicos e de algoritmos. O ser humano não é como a IA. Ele tem capacidade de ter suas vivências. A obrigação do professor é estar ao lado do aluno e facilitar sua aprendizagem”, afirmou reforçando que o professor é estratégico dentro de uma instituição e precisa atuar de forma alinhada com a cultura da instituição. “O professor do futuro é que sabe usar as tecnologias e tenta trabalhar a empregabilidade do estudante”, finalizou.

Painel “É preciso preparar gestores que saibam conduzir processos de transformação institucional e evitar a crise”

Transformação institucional

No último painel do evento, o presidente da Rede de Educação Continuada para a América Latina e Europa (RECLA), Jorge Blando Martinez, apresentou o painel “É preciso preparar gestores que saibam conduzir processos de transformação institucional e evitar a crise”, em que ele apresentou tendências que apontam que as universidades precisam se transformar para fortalecer o papel dos docentes e a experiência dos estudantes.

A partir do seu trabalho na Tecnológico de Monterrey, onde trabalha há mais de 30 anos, ele apresentou como a IES se transformou a partir de tendências como os usos da Inteligência Artificial e Realidade Virtual, do desenvolvimento de soft skills e do conceito de sustentabilidade.

Em relação aos usos de Inteligência Artificial e Realidade Virtual, Jorge Blando Martinez listou os seguintes aspectos: aprendizagem automatiza, adaptativa e hiperpersonalizada; análise de Big Data revolucionando a aprendizagem; educação em qualquer lugar do mundo e em tempo real; tecnologia apoiando a valorização contínua; e credenciais digitais. “É importante que as IES tenham uma estratégia de uso da IA para os processos de ensino e aprendizagem”, defendeu listando um guia de implementação dessa estratégia, com foco no uso consciente e responsável das IAs generativas.

Em relação ao desenvolvimento de competências e habilidades, Martinez afirmou que as IES devem desenvolver nos estudantes aspectos como criatividade, pensamento crítico, colaboração e capacidade de adaptação. “Para isso, as IES precisam oferecer processos de aprendizagem baseados em fatos, flexibilidade, experiências de ensino memoráveis e professores inspiradores”, citou. “Isso vai proporcionar que os estudantes adquiram conhecimento e capacidade de autogestão, inteligência social, habilidades de empreendedorismo e inovação, compromisso ético e cidadão, etc”.

Outra tendênciaa apontada por Martinez é a sustentabilidade, com as IES promovendo iniciativas ecológicas e mudanças ambientais, responsabilidade social e desenvolvendo programas que busquem soluções para questões sociais e econômicas.

Prêmio de inovação

“O Admirável Futuro da Educação Superior” contou ainda com a apresentação dos projetos selecionados para concorrer a quarta edição do do Prêmio de Inovação no Ensino Superior Gabriel Mario Rodrigues. Confira no canal do Instagram do Consórcio STHEM Brasil os vencedores nas categorias Instituição de Ensino Superior (modalidades Gestão Pedagógica, Ações junto à Comunidade; e Inovação na Aprendizagem) e Educador (modalidades Gestão Pedagógica, Ações junto à Comunidade; e Inovação na Aprendizagem).