No primeiro dia oficial da Missão Técnica Internacional 2024, a primeira parada da Comitiva do Semesp foi o Ministério da Educação

A Comitiva do Semesp abriu o primeiro dia oficial da Missão Técnica Internacional do Japão nesta segunda-feira, 20 de maio, em Tóquio. Na programação das visitas, o Ministério da Educação, a University of Tsukuba  e a Cyberdyne, uma renomada empresa de robótica.

No Ministério da Educação, o Diretor de Políticas Públicas do Ministério da Educação, Yoshihara Takao, fez uma apresentação dos dados do ensino superior no Japão, com informações e números sobre o sistema educacional japonês, como ele funciona e é dividido, entre IES privadas e públicas.  Segundo ele, um dos desafios educacionais do país tem sido a interdisciplinaridade, com uma demanda cada vez mais alta por profissionais da área de TI com conhecimentos também em outras áreas.

Um ponto importante para o Ministério da Educação é a questão da globalização, com intercâmbio de estudantes japoneses em outros países, e vice-versa. O objetivo, segundo Yoshihara Takao, é aumentar o conhecimento geral, a diversidade e inclusão, a colaboração entre universidades e a melhoria da qualidade e acesso ao ensino superior.

Yoshihara Takao apresentou ainda à comitiva do Semesp dois projetos de internacionalização. Um deles propõe que toda atividade no ensino médio seja globalizada por meio de intercâmbios, aumentando a interação dos estudantes japoneses com estrangeiros.

Comitiva da Missão Técnica Internacional do Semesp visita a University of Tsukuba, em Tóquio

University of Tsukuba

Reconhecida pela formação de professores, a Universidade de Tsukuba, localizada em Tóquio, possui escritórios fora do Japão e iniciativa em vários países, inclusive no Brasil, mais precisamente na USP, em São Paulo. Com o objetivo de aprimorar o intercâmbio, a iniciativa funciona como um campus estendido, com mais 2.500 estudantes de fora do Japão estudando na universidade, sendo, atualmente, 36 brasileiros.

A Universidade de Tsukuba, inclusive, possui um projeto em parceria com o Ministério da Educação para recrutar estudantes estrangeiros. Dentro desse projeto, a universidade fica responsável por acolher estudantes da América do Sul. O projeto visa motivar e incentivar estudantes a virem estudar no Japão. Outro ponto importante é o idioma: o estudante precisa estudar japonês antes de vir para o Japão e, caso ele queira ficar no país depois de concluir os estudos, a universidade dá uma ajuda de custo para que eles fiquem no país por um período determinado.

“O que mais me chamou atenção aqui na Universidade de Tsukuba é que eles já têm um protocolo preparado para que a universidade seja efetivamente internacionalizada e com representatividade no mundo inteiro”, elogiou Beatriz Balena, reitora da Universidade Veiga de Almeida. “É muito importante que nós de universidades tenhamos contato com essas possibilidades porque essa é, exatamente, uma das razões de estarmos participando da Missão Técnica Internacional do Semesp, abrir frentes para nossos alunos e docentes expandindo as nossas fronteiras”.

Comitiva da Missão visita a Cyberdyne, uma empresa de robótica conhecida por seus exoesqueletos robóticos utilizados na área da saúde, medicina regenerativa e sistema neuromuscular

Cyberdyne

A última parada da Comitiva da Missão Técnica Internacional visitou a Cyberdyne, uma empresa de robótica conhecida por seus exoesqueletos robóticos utilizados na área da saúde, medicina regenerativa e sistema neuromuscular. Yoshiyuki Sankai, Ph.D., presidente e CEO da Cyberdyne, recebeu a delegação do Semesp e falou mais sobre como a empresa opera, já trabalhando para o avanço da sociedade 5.0. que busca a fusão de diversas tecnologias, IA, big data e robôs para atender as necessidades humanas.

Segundo ele, a ideia da empresa, que já recebeu diversos prêmios importantes na área da robótica, é que as tecnologias avancem também para a parte da psicologia. Em relação à educação, ele afirmou aos presentes que a educação precisa começar por uma visão de futuro para que todas as partes possam dialogar e trabalharem em conjunto. “As universidades precisam ser incubadoras de pessoas que têm ideias inovadoras. Essas pessoas ainda não têm onde trabalhar/atuar porque elas estão trabalhando em algo para o futuro, ainda não tem vaga para elas”, disse.

Um dos membros da Comitiva da Missão, Felipe Flesch afirmou que a visita à Cyberdyne foi bastante rica para se ter uma noção dos avanços tecnológicos e o que está sendo desenvolvido na área da saúde. “É um tipo de tecnologia que pode mudar a vida de muito gente, e isso nos dá uma esperança de que a tecnologia está a nosso favor”, disse. “Essas descobertas trazem um impacto gigantesco na saúde e começam em pesquisas dentro das universidades”, complementou. “A visita nos serve de inspiração para que esses avanços também possam ser desenvolvidos no Brasil e que as nossas IES incentivem pesquisa e inovação”.

Após à visita à Cyberdyne, também da delegação da Missão, Gustavo Hoffman, defendeu uma maior conexão entre a academia e o mercado de trabalho. “Ainda existe um abismo muito grande hoje entre o que fazemos na academia e o que as empresas e a sociedade precisam”, lamentou ele. “O que vimos agora é uma conexão de alto nível entre mercado e academia, com praticamente todos os colaboradores da empresas advindos da área da pesquisa acadêmica. Eles conseguem conectar de forma extraordinária as demandas do mundo, criando soluções impressionantes e usando mão-de-obra advinda de universidades”.