A 16ª Missão Técnica Internacional do Semesp, que acontece de 15 de abril a 3 de maio, tem como objetivo observar de perto como universidades, governo e setor produtivo articulam um projeto nacional de ciência e tecnologia que hoje influencia o mundo.

Quando participei da Missão Técnica do Semesp à China, em 2012, o país vivia um momento de inflexão. Já estava claro, nas conversas que tivemos com os gestores das universidades chinesas, que ali se gestava um projeto nacional de longo prazo baseado no fortalecimento do ensino superior.

Representantes da Peking University e da Shanghai Jiao Tong University (então posicionadas em 49º e 224º lugar nos principais rankings internacionais) insistiam que o futuro da competitividade chinesa passaria necessariamente por ciência, inovação e formação de alto nível. À época, impressionava-nos o volume de investimentos, a clareza estratégica e o papel do Estado em fomentar a excelência acadêmica. Ainda assim, era difícil projetar a velocidade com que esse plano se concretizaria.

Quatorze anos depois, ao nos prepararmos para retornar à China em 2026, o cenário é outro; e confirma aquilo que escutamos naquele maio de 2012. As universidades chinesas, por exemplo, subiram nos rankings: algumas agora figuram entre as melhores do mundo, e várias aparecem à frente da instituição latino-americana mais bem colocada, a USP.

Essa ascensão não é acidental. Resulta do desenvolvimento de políticas públicas de incentivo ao ensino superior, da consolidação de parques tecnológicos universitários e da criação de ecossistemas de inovação que conectam governo, empresas e academia. Por isso, a China tornou-se referência global em pesquisa aplicada, inteligência artificial, energias renováveis e biotecnologia, transformando seu sistema de ensino superior em ativo central de sua projeção econômica e geopolítica.

A 16ª Missão Técnica Internacional do Semesp reflete esse novo contexto. O itinerário é mais amplo, contempla novas cidades e universidades, e busca capturar as múltiplas facetas de um sistema que se tornou complexo, robusto e internacionalizado. Se, em 2012, visitamos instituições que buscavam aprender com o Ocidente, em 2026 encontraremos universidades que agora definem parâmetros globais, influenciam métricas internacionais e disputam os primeiros lugares em quase todas as áreas do conhecimento. Mais do que observar práticas de gestão e governança, teremos a oportunidade de entender como a China articula política industrial, desenvolvimento tecnológico e expansão educacional dentro de um projeto coeso de país.

Ao olharmos para o passado e compararmos com o presente, a impressão é contundente: nesses 14 anos, a China mudou, mas, sobretudo, concretizou aquilo que já anunciava. Seu ensino superior assumiu um importante papel estratégico, com esse movimento ajudando a explicar a transformação mais ampla do país no cenário mundial. Voltar à China em 2026 será acompanhar de perto esse percurso, compreender suas implicações para o Brasil e identificar oportunidades de cooperação acadêmica e institucional.

Convido todos os gestores e mantenedores a participarem da 16ª Missão Técnica Internacional do Semesp. Ela certamente nos permitirá entender como a educação superior se tornou base para o desenvolvimento econômico de um país que enxergou o futuro antes dele chegar. O que era promessa em 2012 já é realidade. Nossa missão este ano é aprender ao vermos de perto como essa visão ajudou a China a se tornar uma potência.

Rodrigo Capelato

Rodrigo Capelato

Diretor Executivo do Semesp

Confira a programação completa da 16ª Missão Técnica Internacional do Semesp.