A Missão Técnica Internacional do Semesp para a África do Sul proporcionou diferentes aprendizados. Faço referência aqui a cinco insights:

1- A África do Sul é um país marcado pela diversidade (11 línguas oficiais), pela desigualdade (1º do mundo no índice Gini, uma medida da desigualdade de renda em uma população), pela permanência de traços do Apartheid (racismo), com muitas oportunidades de negócios (crescimento econômico), encantador do ponto de vista cultural, em processo de consolidação da democracia e em expansão do ensino superior privado.

2- O sistema de ensino superior é burocrático, com amarras que precisam ser superadas. É fortemente influenciado pelos conselhos profissionais e com um sistema privado que representa 19% das matrículas. O marco regulatório publicado em 2024 irá proporcionar a expansão do setor privado, que deverá dobrar de tamanho nos próximos cinco anos. Apenas 6.8% das pessoas com 25 anos possuem diploma, o que aponta uma demanda reprimida e a necessidade de políticas de acesso e financiamento. O setor privado tem na SAPHE uma associação representativa e  responsável por dialogar com o governo. Hoje, somente as instituições públicas são reconhecidas como universidades. As privadas são IES, com ou sem fins lucrativos. Há instituições privadas listadas na bolsa de valores. O atual governo é de coalisão e tem claramente impulsionado a expansão do sistema.

3- Há discussões sobre qualidade e uma desconfiança se o setor privado é capaz de oferecer diplomas de alto nível e relevantes. Dois grupos educacionais de capital aberto puxam o crescimento das matriculas do setor privado, AdvTech e Stadio, que possuem respectivamente 61 mil e 52 mil estudantes. Ambos fazem a gestão de diferentes brands, com públicos diversos. A pujança das IES privadas está em sua capacidade de ser ágil, de manter cooperação com o setor produtivo, o que explica os bons índices de empregabilidade, do uso da tecnologia em benefício da gestão e do aprendizado e de conceber modelos acadêmicos inovadores. As universidades públicas, aparentemente, não estão com o mesmo dinamismo do setor privado, mesmo com o financiamento governamental. A África do Sul avança em um modelo de ensino superior semelhante ao Brasil. Só espero que não cometa os mesmos erros.

4- Visitamos oito IES privadas com propósitos diferentes, com gestão profissional, planos de expansão, público alvo definido, modelos acadêmicos consistentes, forte diálogo com o setor produtivo e abertas ao diálogo com instituições brasileiras. Os participantes da Missão ficaram surpresos positivamente com as IES visitadas. No ensino superior, o Brasil precisa fortalecer a cooperação com os sul africanos.

5- Os desafios das IES sul africanas são semelhantes ao das brasileiras. Visitamos instituições com modelos de EAD que estão bem estruturados e que podem inspirar as nossas IES. O EAD é estratégico para a inclusão e expansão do ensino superior da África do Sul. Visitamos instituições com aproximadamente 700 estudantes que possuem gestão profissional. Conhecemos IES com planos de marketing que geram resultados. Estivemos em IES com estratégias de permanência e combate à evasão.  Dialogamos com instituições que demonstraram capacidade de desenhar o seu futuro.

A África do Sul é um país complexo e encantador. A missão organizada pelo Semesp proporcionou inspiração aos participantes. Espero que o diálogo com os sul africanos continue.

Que venha a Missão 2026, que já começou a ser planejada!

Fábio Reis

Fábio Reis

Diretor de Inovação Acadêmica e Redes de Cooperação do Semesp