ESPECIAL 6º FNESP - Informativo on-line para mantenedoras filiadas ao SEMESP

6º FNESP – Fórum Nacional: Ensino Superior Particular Brasileiro

Novas perspectivas para o Ensino Superior

De 5 a 7 de outubro aconteceu em Brasília o 6º Fórum Nacional: Ensino Superior Particular Brasileiro, que promoveu um amplo debate sobre os conflitos e parcerias do setor com o governo e a sociedade civil

Mesa da Sessão Solene, em que estiveram presentes autoridades e personalidades ligadas à Educação
Debater aberta e profundamente as relações entre o governo e as instituições representativas da educação superior particular foi a proposta do 6º Fórum Nacional: Ensino Superior Particular Brasileiro – FNESP, realizado pelo SEMESP em Brasília, entre os dias 5 e 7 de outubro. Para discutir o tema “Políticas Públicas para a Educação Superior e o Setor Particular: Conflitos e Parcerias” o evento reuniu educadores, representantes do governo federal, da sociedade civil, dirigentes e mantenedores de instituições particulares de ensino superior, que abordaram os impactos e os desdobramentos das propostas do governo para o setor, que é responsável por 70% das matrículas no país.

Entre os debatedores e expositores convidados, estiveram presentes
Hermes Ferreira Figueiredo é empossado Presidente do SEMESP
membros da diretoria do SEMESP, o educador Claudio de Moura Castro, os ex-Ministros da Educação Paulo Renato Souza e Jarbas Gonçalves Passarinho, o Senador Jorge Konder Bornhausen, o Deputado Federal Gastão Vieira e o atual Secretário-Executivo do Ministério da Educação – MEC, Fernando Haddad, além de outros representantes do órgão e personalidades de grande expressão no cenário nacional.

O Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior – SINAES, o Programa Universidade para Todos – PROUNI, a Reforma Universitária, a alteração do Marco Regulatório, o Ensino de Massa e a Expansão do Ensino Superior foram alguns dos assuntos que estiveram no centro das discussões nos oito painéis expostos durante os três dias de evento.

Ao promover o debate a respeito de temas de extrema relevância para o setor particular de ensino, o 6º FNESP buscou propor ações estratégicas e reafirmar, junto ao Governo e à sociedade como um todo, a unidade e o caráter empreendedor da categoria.

Clique nos links abaixo e saiba o que aconteceu em cada um dos painéis do encontro em Brasília:

Sessão Solene de Abertura
Gabriel Mário Rodrigues (SEMESP)
Hermes Ferreira Figueiredo (SEMESP)
Fernando Haddad (MEC)


Expansão do Ensino Superior: Necessidade e Livre Iniciativa
Claudio de Moura Castro (Faculdade Pitágoras)


Políticas Públicas para o Desenvolvimento e a Qualificação do Ensino Superior Particular: Cenários para a Regulação
Jorge Konder Bornhausen (Senador e ex-Ministro da Educação)
Paulo Renato Souza (Ex-Ministro da Educação)
Jarbas Gonçalves Passarinho (Ex-Ministro da Educação)


Autonomia, Corporativismo e Interesse Público - Regulamentação das Profissões e Papel dos Conselhos Profissionais
Rui Otávio Bernardes de Andrade (CFA)
Mário Sérgio Fernandez Sallorenzo, (COFECON)
Roberto Luiz D' Ávila (CFM)
Paulo Roberto Moglia Thompson Flores (OAB-DF)


Pesquisa Interativa
Resultados de enquete realizada com os participantes do 6º FNESP.


Propostas Governamentais para a Reforma do Ensino Superior
Fernando Haddad (MEC)
Roberto Cláudio Frota Bezerra (CNE/MEC)
Iara de Moraes Xavier (INEP)


Ensino de Massa: Novos Formatos de Ambientes de Ensino e Tecnologia
Antonio Carbonari Netto (SEMESP)


Governança Corporativa, Gestão Universitária e Modelo de Negócios para Instituições de Ensino Superior
Sérgio Duque-Estrada (Valormax Consultoria Financeira)


Regulação do Sistema de Educação Superior - Propostas do Setor Particular
Édson Raymundo Pinheiro Souza Franco (FUNADESP)
José Roberto Covac (SEMESP)


O Papel da Educação Superior Particular como Fator Estratégico do Desenvolvimento Brasileiro
João Manuel Cardoso de Mello (FACAMP)


Documento de encerramento
Gabriel Mário Rodrigues (SEMESP)



SESSÃO SOLENE DE ABERTURA

Reforma Universitária: para quê?

Gabriel Mário Rodrigues questionou a reforma universitária
Durante a sessão solene de abertura do 6º FNESP, o Presidente do SEMESP, Prof. Gabriel Mário Rodrigues, questionou a necessidade de reforma universitária, defendendo que o governo agregue valor ao que já está em curso ao invés de destruir o que já foi realizado. Após seu discurso, Prof. Gabriel nomeou oficialmente como novo Presidente do SEMESP o Prof. Hermes Ferreira Figueiredo, então 1º Vice-Presidente da entidade, que reiterou o compromisso em bem representar o ensino superior em São Paulo e defender a livre iniciativa junto aos órgãos do governo.

Convidado a compor a mesa para a sessão solene, o Secretário-Executivo do MEC Fernando Haddad permitiu-se discordar do presidente do SEMESP, enfatizando a “necessidade de alteração do Marco Regulatório” diante da existência do atual conjunto de normas e regulamentos “que inibem a iniciativa privada, sem necessariamente conduzir ao desejo do Estado no aprimoramento da educação superior”.

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EXPANSÃO DO ENSINO SUPERIOR: NECESSIDADE E LIVRE INICIATIVA

Contra o “mandonismo atávico do MEC”

Moura Castro criticou a “dinastia de atrapalhadores” do MEC

Dando início à Conferência Magna do 6º FNESP, o educador Claudio de Moura Castro revelou que há no país um potencial de crescimento do ensino superior privado de cinco vezes. “A equação econômica é boa, há um cenário de retomada do crescimento”. Para ele, porém, “o mandonismo atávico do MEC ainda atrapalha” e ao longo das várias gestões da pasta, cultivou-se “uma dinastia de atrapalhadores”. O educador criticou, ainda, o critério de demanda social para abertura de cursos, justificando que “não há fórmula para calcular essa demanda”.

Moura Castro, que é Presidente do Conselho Consultivo da Faculdade Pitágoras, defendeu a adoção do ensino de massa para a diminuição de custos sem sacrifício da qualidade, apontando que “não existe correlação observável entre tamanho de sala de aula e rendimento do aluno. Nos Estados Unidos, por exemplo, as universidades chegam a ter 500 estudantes em classe”. O educador também falou da necessidade de se desenvolver novos formatos pedagógicos, em substituição às seguidas horas de aula expositiva. “O aluno tem que assistir a vídeos, ler, escrever e falar também”, explicou.

E quem ganharia com a expansão do ensino superior privado? Segundo Moura Castro, em primeiro lugar, os próprios estudantes, com a perspectiva de ter salários três vezes maiores que os trabalhadores que possuem apenas o ensino médio. Em última instância, “quem ganha é a própria sociedade, que pode ver aumentado seu nível educacional e diminuídas as taxas de desemprego, pois o ensino superior particular emprega mais que a indústria automobilística. Quem perde”, declarou, “são os defensores ideológicos do ensino público, que são, na verdade, elitistas disfarçados”.


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POLÍTICAS PÚBLICAS: CENÁRIOS PARA A REGULAÇÃO

Ex-ministros criticam atual governo

Jorge Bornhausen criticou o desprezo do governo atual por políticas anteriores
A manhã do segundo dia do encontro foi marcada por duras críticas às atuais políticas do governo federal para o setor. Os ex-Ministros da Educação Jorge Konder Bornhausen, hoje Senador da República, Paulo Renato Souza e Jarbas Gonçalves Passarinho foram os expositores do primeiro painel do dia 6.Bornhausen iniciou sua participação afirmando que, quando ministro, procurou continuar e aprimorar as políticas do ministério anterior. “Na ânsia de deixar sua marca, o governo atual despreza as políticas anteriores, impondo, muitas vezes de forma arbitrária, inúmeras portarias, decretos e resoluções. A Reforma Universitária é um exemplo”. Quanto ao PROUNI, considera a medida provisória “de constitucionalidade no mínimo duvidosa”. Para finalizar, questionou o futuro do Programa de Financiamento Estudantil – FIES, alertando que “corremos o risco de grave retrocesso nos caminhos do já lento processo de expansão do ensino superior privado”.

Jarbas Passarinho considera nefasta a restrição à abertura de cursos
Jarbas Passarinho, em sua exposição, questionou a restrição à abertura de novos cursos, classificando esse tipo de regulação, que compromete a competição, a qualidade e o futuro da universidade, como “nefasta, burocratizante e centralizadora”. Também criticou o sistema de cotas, que teria o efeito negativo de beneficiar os negros ricos.
Paulo Renato Souza propõe que novo Provão seja anual e universal
Já Paulo Renato Souza traçou um panorama do ensino superior no Brasil. “Até 1994 tínhamos um quadro de estagnação, mas a partir de 1998, houve uma expansão espetacular”. Para ele, isso foi possível com a flexibilização na criação de novos cursos e com a inclusão no ensino básico, que gerou aumento na demanda. Sobre o novo Provão, Paulo Renato declarou que “a avaliação tem que ser transparente, anual e universal”, e sobre o PROUNI, sugeriu que “o governo deveria remunerar pelos serviços prestados e não oferecer isenções, que podem dar margem a distorções”. Como desafio, Paulo Renato propôs a flexibilização da oferta, com cursos seqüenciais de curta duração, cursos de tecnologia e ensino a distância. “É preciso continuar a expansão do sistema, mas mantendo o que vem dando certo”, finalizou.

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REGULAMENTAÇÃO DAS PROFISSÕES E PAPEL DOS CONSELHOS PROFISSIONAIS

Corporativismo X Interesse Público

Rui Otávio defendeu a interação entre os conselhos e o governo
Rui Otávio Bernardes de Andrade, presidente do Conselho Federal de Administração – CFA, foi o primeiro expositor da segunda conferência da quarta-feira, 6. Ele declarou que os conselhos profissionais têm o papel de “aportar os reclamos da sociedade contra o mau profissional” e, devido a essa importância, há “necessidade de uma maior interação entre os conselhos e os órgãos do governo, porém, sem corporativismo nocivo”.

Sallorenzo acredita na função dos conselhos de fixar códigos de ética
Na palestra seguinte, Mário Sérgio Fernandez Sallorenzo, membro do Conselho Federal de Economia – COFECON, definiu os conselhos profissionais como autarquias especiais que “têm a função pública de organizar as lutas de seu setor e estabelecer códigos de ética, que devem ser rigorosamente observados”. Como desafios, propôs que haja maior sintonia entre a escola e os conselhos. “Não pode existir um fosso entre as entidades de fiscalização do exercício profissional e as universidades”, advertiu.

Roberto D'Avila defende a qualidade no ensino para se ter bons médicos
Para representar o Conselho Federal de Medicina – CFM, o convidado da manhã foi Roberto Luiz D’Avila, médico cardiologista e conselheiro-corregedor do órgão. Para ele, os conselhos são importantes por funcionarem como “fiscais dos fiscais; ou seja, verificam com rigor todas as condutas profissionais”. Porém, concluiu, “somente com qualidade no ensino e ênfase na formação humanística é possível ter bons médicos. E isso é uma responsabilidade da instituição formadora”.

Paulo Thompson falou sobre a legitimidade de fiscalização profissional
Paulo Roberto Moglia Thompson Flores, vice-presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB no Distrito Federal, defendeu a legitimidade de fiscalização profissional, que é a principal função dos conselhos, afirmando que existe uma preocupação da OAB com a qualidade do ensino jurídico. “Há índices elevados de punições, e isso demonstra o compromisso ético da OAB. Essa rigorosidade, porém, muitas vezes é confundida com corporativismo”. Sobre o exame da Ordem, reconheceu que ainda há questões que devem ser melhoradas e que há uma proposta de uniformização da primeira fase. Da mesma forma que outros expositores do painel, Thompson também reforçou a necessidade de maior sintonia entre o mundo acadêmico e a OAB, em prol da “qualidade do ensino e do profissional”.


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PESQUISA INTERATIVA

Políticas do governo só prejudicam, acreditam faculdades

Os trabalhos da tarde do segundo dia do encontro em Brasília começaram com uma atividade lúdica que, por outro lado, revelou um dado muito sério: 71% dos mantenedores presentes acreditam que as políticas do governo só prejudicam o setor, contra apenas 13,2%, que vêem nas ações governamentais uma contribuição para o progresso das instituições de ensino superior particulares. Esses números são resultados de uma pesquisa interativa realizada com os cerca de 150 mantenedores e representantes das instituições de ensino superior privado que voluntariamente responderam às questões.

A pesquisa demonstrou, porém, que 43,2% das entidades vão aderir ao Programa Universidade para Todos – PROUNI e apenas 24,3% não oferecerão bolsas. 32,4% ainda não tomaram a decisão. Quanto ao Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior – SINAES, 42% dos participantes responderam que não estão totalmente prontos para receber as comissões de avaliação externa e 34,2% ainda esperam a divulgação oficial das regras para se preparar. Somente 23,7% estão totalmente prontos para receber as comissões.

Procura por vagas e modelo pedagógico

Outra informação interessante revelada pela pesquisa refere-se à procura por vagas na universidade: 42,9% estão otimistas e acreditam que a procura aumentará, contra 21,4% que consideram que ela diminuirá e 35,7%, que a procura continuará estável. No que diz respeito ao modelo pedagógico adotado pelas instituições, apenas 10,8% adotam estudos de casos e resolução de problemas. 29,7% se utilizam apenas de aulas expositivas e 59,5%, uma combinação dos dois tipos de atividades.

A enquete abordou, ainda, dados importantes como concorrência, valores de mensalidades e modelos de gestão, como balanced scorecard e posicionamento estratégico. Somente 18,9% se adequam totalmente a modelos de gestão do segmento corporativo e 62,5%, apesar de delegar altos cargos a executivos contratados, ainda mantêm traços de empresa familiar.


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PROPOSTAS GOVERNAMENTAIS PARA A REFORMA DO ENSINO SUPERIOR

Governo apóia expansão com qualidade

Bezerra falou da intenção do MEC de superar as assimetrias sociais
“Propostas Governamentais para a Reforma do Ensino Superior” foi um dos painéis mais aguardados do evento em Brasília. Para debater sobre o tema, foram convidados o secretário-executivo do MEC, Fernando Haddad, o presidente do Conselho Nacional de Educação – CNE/MEC, Roberto Cláudio Frota Bezerra, e Iara de Moraes Xavier, coordenadora-geral de Avaliação Institucional e das Condições de Oferta do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais – INEP.
Iara de Moraes Xavier aponta o ENADE como um benefício para as IES
Roberto Bezerra deu início às apresentações da tarde, fazendo uma análise da realidade em que se encontra o ensino superior no país, alegando que “o modelo de expansão já chegou à exaustão e a inclusão social ainda está reduzida à estratégia de adoção de cotas”. Porém, declarou que “é intenção do governo superar as assimetrias sociais e regionais, promover a inclusão social, melhorar a qualidade das IES, monitorar a expansão e articular um projeto nacional através do Marco Regulatório”.Iara de Moraes Xavier, em sua exposição, falou a respeito do SINAES, declarando que “é um sistema que permitirá o diálogo para a melhoria da formação do aluno”. Afirmou que há muitas críticas ao ENADE, mas que existe no INEP um canal aberto para debates e questionamentos. “É preciso olhar a avaliação como uma política pública para o benefício das IES”, finalizou.

“O nó do ensino médio precisa ser desatado”, diz Fernando Haddad


Fernando Haddad: flexibilização das normas sem perda de qualidade
Para encerrar as apresentações do painel, Fernando Haddad falou sobre o ímpeto para a expansão do ensino superior, que “depende do cuidado e da atenção com o ensino médio”. Alertou que “se temos a pretensão de atingir minimamente as metas do Plano Nacional de Educação, teremos que aportar recursos da União para o ensino médio. O nó do ensino médio precisa ser desatado”. Sobre o setor privado de ensino superior, definiu-o como uma m atriz que tem como um de seus eixos o regime jurídico da instituição (com ou sem fins lucrativos e filantrópicas) e, nas linhas dessa matriz, a tipologia conhecida (universidades, centros universitários ou faculdades isoladas). “As assimetrias nessa matriz impactam diretamente na escolha do aluno. Ele pode estar deixando de escolher uma faculdade por causa da alta carga tributária, que recai sobre a mensalidade, ou pode desistir de freqüentar uma instituição muito boa que, no entanto, não tem autonomia para abrir mais vagas. Já demos um passo importante tentando dar uma isonomia maior ao regime jurídico das IES”, concluiu. Como desafios, apontou a possibilidade de regular a expansão levando em conta a flexibilização das normas sem perda de qualidade e de fechar aquelas instituições que não demonstram esforço para se aperfeiçoar.

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ENSINO DE MASSA: NOVOS FORMATOS DE AMBIENTES DE ENSINO E TECNOLOGIA

Enxergar o presente com olhos no futuro

Antonio Carbonari sugere maiores salas, sem perda de qualidade
O segundo painel da tarde de quarta-feira, dia 6, foi destinado à questão do Ensino de Massa. A palestra ficou a cargo do Prof. Antonio Carbonari Netto, 2º Vice-Presidente do SEMESP. Carbonari iniciou sua apresentação com um alerta: para que seja possível cumprir o Plano Nacional de Educação, o número de alunos a se formar no ensino médio deve crescer para pelo menos 9% ao ano (hoje, essa taxa se restringe a 2%). “Se isso não acontecer, vai haver sobra de vagas a granel”.

Partindo do mesmo princípio que o educador Claudio de Moura Castro na Conferênia Magna, Carbonari enfatizou que “é preciso mudar o conceito de qualidade, colocando mais alunos em sala de aula, levando em conta o novo perfil de aluno e adotando novos currículos. É possível mantermos a qualidade com turmas de 300, 400 alunos em classe”. Segundo ele, o alunado hoje é formado por “trabalhadores-estudantes que têm menos tempo para estudar e menor renda. É necessário diminuirmos as cargas horárias, criarmos novas disciplinas e outros tipos de atividades”.

Para finalizar a exposição, Antonio Carbonari reforçou que as instituições devem “levar em conta a satisfação do aluno, e não dar tanta atenção à titulação dos professores. Devemos dar a ele o ‘bom e barato’, tendo uma visão estratégica e passando a enxergar o presente com os olhos no futuro”.

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GOVERNANÇA CORPORATIVA, GESTÃO UNIVERSITÁRIA E MODELO DE NEGÓCIOS

“O modelo familiar está falido”, diz consultor

Duque-Estrada recomenda adaptação ao cenário de competitividade

O consultor Sérgio Duque-Estrada, da Valormax Consultoria Financeira, foi o convidado da tarde do dia 6 para falar de novas estratégias de negócios nas instituições de ensino superior. Conforme sua análise, os problemas estratégicos no setor de educação superior privada estão comprometendo a perenidade das empresas. Segundo ele, é preciso adaptar-se ao novo cenário, em que há grande inadimplência e evasão e um acirrado ambiente competitivo. “Não vivemos mais como na última década, quando havia margem de lucro confortável e a concorrência era mais amena”. Duque-Estrada recomenda que, para promover essa mudança, é necessário abandonar o “modelo familiar de gestão, em que há muita emotividade nas decisões, adotando um posicionamento estratégico e modelos de governança corporativa, em que prevaleçam a transparência, a eqüidade e o cumprimento das normas com ética”.

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REGULAÇÃO DO SISTEMA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR: PROPOSTAS DO SETOR PARTICULAR

Legismania e a terra do carimbo

Covac acredita que é preciso acabar com a parafernália jurídica
O primeiro painel da manhã do último dia do encontro foi marcado por críticas ao MEC. Édson Raymundo Pinheiro Souza Franco, Presidente do Conselho Curador da Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular – FUNADESP, e José Roberto Covac, consultor jurídico do SEMESP,
Édson Souza Franco criticou a afeição do MEC em burocratizar o sistema
abordaram a afeição do MEC em fazer leis e burocratizar os processos do sistema educacional. Para Souza Franco, dentro do MEC existe uma “legismania”, e para Covac, “Brasília é a terra do carimbo”. Ambos consideraram que é preciso acabar com a lentidão e a parafernália jurídica que ainda prevalece no Ministério.

Mais que promover reformas, concordam, é necessário aperfeiçoar a legislação que já existe, retirando, como finalizou Covac, “os entulhos que passam de governo para governo”.

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O PAPEL DA EDUCAÇÃO SUPERIOR PARTICULAR COMO FATOR ESTRATÉGICO DO DESENVOLVIMENTO BRASILEIRO

Formando inteligências sofisticadas

Cardoso de Mello alertou: é preciso melhorar o ensino básico

Para concluir as atividades do 6º FNESP, o convidado da manhã do dia 7, quinta-feira, foi o Prof. João Manuel Cardoso de Mello, Diretor Geral das Faculdades de Campinas – FACAMP. Ele iniciou sua exposição mencionando a imagem deformada que a sociedade cultiva a respeito das entidades de ensino superior privado. Traçou também um panorama a respeito da realidade brasileira hoje, em que há uma mobilidade social descendente associada a altas taxas de desemprego. “É dentro desse ambiente macroeconômico e macro-social que devemos examinar o papel do ensino superior privado”, esclareceu. Cardoso de Mello alertou, ainda, para a necessidade de melhorar o ensino básico, para melhorar o nível do aluno que chega à universidade. Como conclusão, declarou que o ensino superior privado tem “o importante papel de formar profissionais para um mercado de trabalho segmentado, que exige inteligências sofisticadas, domínio das técnicas e da comunicação”.


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DOCUMENTO DE ENCERRAMENTO

O papel social, científico e cultural ensino superior particular

Para encerrar as discussões do 6º Fórum Nacional, Gabriel Mário Rodrigues, então presidente do SEMESP, redigiu o documento que reproduzimos integralmente abaixo:

“Não poderia ser mais apropriado o momento em que realizamos este 6º Fórum, quase ao final do prazo fixado pelo Ministro da Educação para divulgar os termos do projeto estabelecendo lei orgânica para o ensino superior em nosso país. Tema central do encontro: Políticas públicas para a educação superior e o setor particular – Conflitos e parcerias.

Durante três dias estiveram reunidos dirigentes das instituições de ensino superior particular, de suas entidades representativas, professores e estudantes que, junto com especialistas de reconhecida experiência e conhecimento, discutiram pontos de vista e propostas que deveriam ser consideradas na elaboração do projeto.

Já na abertura dos trabalhos ouvimos a palestra instigante e provocativa de Claudio de Moura Castro, que traçou um amplo panorama das necessidades de expansão, das potencialidades do nosso sistema de ensino superior e dos obstáculos que se interpõem na caminhada que precisamos empreender em direção ao futuro.

Com igual proficiência outros especialistas trataram de variados temas, tanto no que diz respeito ao sistema de ensino superior, como um todo, quanto aos interesses dos empreendedores privados que atuam nesse setor. Discutimos questões como a da autonomia, o corporativismo e o interesse público na formação profissional; o ensino de massa e os novos formatos de ambiente de ensino e tecnologia; governança corporativa, gestão universitária e modelo de negócios; regulação do sistema do ensino superior privado e o papel da educação superior particular como fator estratégico do desenvolvimento brasileiro.

Sobretudo, tratamos das propostas governamentais para a reforma do ensino superior e do que é a proposta do setor particular nessa reforma. Se é certo que ficou nítido o pensamento do setor particular no que se refere à fixação de um novo marco legal para a atuação da livre iniciativa conforme previsto na Constituição Federal, pouco se avançou no sentido de saber o que efetivamente pretende o governo com a reforma do ensino superior ou Reforma Universitária.

Na sua palestra sobre as propostas governamentais para a Reforma, destacou o Secretário-Executivo do Ministério da Educação os compromissos do governo com a universidade pública (sob o ponto de vista do seu financiamento e de sua gestão), com a expansão (por via da melhoria de desempenho e da qualidade no ensino fundamental e médio), com a redução das assimetrias hoje existentes (do ponto de vista da tipologia das instituições, do seu regime fiscal e de suas prerrogativas de autonomia) e com a avaliação da qualidade do ensino como instrumento para a reformulação de políticas públicas.

A necessidade de se pensar uma reforma de conteúdos foi abordada em diversos momentos, sem que as discussões pudessem ganhar vulto diante da visão burocrática que predomina no conceito da reforma que está em curso.

E voltamos, então, às perguntas colocadas para o plenário já na sessão solene de abertura deste encontro: para que, afinal, a reforma? O que espera a sociedade desse movimento de mudança que se pretende empreender através de novas leis e decretos? Quais os papéis que deverão ser desempenhados pelo Governo e pela iniciativa privada? Para onde caminharão o setor público e o privado, em empreitada que interessa não somente aos detentores do poder de controle, mas a cada cidadão brasileiro?

Não podemos negar o fato de que está em curso um proveitoso diálogo entre os dirigentes das entidades representativas das instituições do setor privado e as autoridades governamentais da área de educação: a nenhuma dessas autoridades é dado desconhecer os nossos pleitos e pontos de vista.Por isso mesmo, a nenhuma autoridade é dado fugir ao enfrentamento dos problemas que precisamos ver solucionados: a exacerbação dos controles burocráticos, a desconfiança quanto aos reais propósitos dos dirigentes das instituições de ensino, as amarras normativas que tolhem a capacidade de inovação de instituições públicas e privadas, os mitos que ainda conformam antigas idéias sobre o que é qualidade do ensino e como aferi-la.

Se altamente proveitoso o 6º Fórum, novas contribuições do setor privado só podem ocorrer após conhecermos os termos do projeto ou projetos que vêm sendo elaborados no âmbito do Ministério da Educação.

Estamos convencidos de que prestamos contribuição positiva para isso, tanto quanto estamos seguros com relação ao papel social e à função econômica, científica e cultural que representamos como parte integrante do sistema de ensino superior brasileiro”.

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Notícias SEMESP é uma publicação mensal do SEMESP - Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo. Rua Cipriano Barata, 2.431 - Ipiranga - São Paulo - CEP 04205-002 - Tel. (11) 6169-4444 - E-mail: semesp@semesp.org.br. Produzida e editada pela Segmento Comunicação Integrada - Jornalista responsável: Carlos Battesti (MTb: 8.526). As notícias deste informativo são resumidas. Para mais esclarecimentos, favor acessar o site http://www.semesp.org.br/