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20º FNESP

Desafios da Quarta Revolução Industrial para o ensino superior

Como enfrentar questões como o valor do diploma, as novas profissões e a tecnologia digital

A Quarta Revolução Industrial, ou “Indústria 4.0”, representa uma convergência de avanços tecnológicos que permitem inovações generalizadas, e que provocarão mudanças mais sistemáticas e profundas em diferentes áreas da sociedade. Seus princípios, alicerçados na revolução digital, terão impactos consideráveis no mundo do trabalho e, consequentemente, no ensino superior. Há uma preocupação permanente dos gestores de IES em relação ao valor do diploma e às profissões do futuro em um mundo digital e flexível.

O Semesp, como organização que congrega um grupo expressivo de mantenedoras de ensino superior brasileiras, propõe no 20º FNESP uma reflexão sobre os desafios da quarta revolução industrial e quer apontar caminhos para que os líderes das IES possam elaborar projetos que permitem a sintonia das instituições com as mudanças que estão por vir.

Inteligência artificial, robótica, gamificação, utilização de plataformas que integram diversas áreas de conhecimento, avanço da oferta de produtos e serviços pelas Startups e uso contínuo de algoritmos para a tomada de decisão são alguns dos alicerces da Quarta Revolução Industrial, e que terão impacto na vida das pessoas e das instituições de ensino.

Para Klaus Schwab, autor do livro “A Quarta Revolução Industrial” e que em 1971 fundou o Fórum Econômico Mundial, o emprego crescerá em ocupações e cargos criativos e cognitivos e diminuirá em trabalhos repetitivos e rotineiros. Schwab apresenta uma pesquisa da Oxford Martin School que indica a possibilidade de risco de perda do emprego para 47% do total dos trabalhadores nas próximas duas décadas, nos EUA. Essa situação é similar ao que pode acontecer no Brasil. Não é comum no ensino superior valorizarmos a criatividade e a capacidade de resolver problemas, o que pode tornar nossas IES obsoletas nos próximos anos.

Diante desse cenário, será que nossas IES estão preparadas para enfrentar o desafio da Quarta Revolução Industrial? Será que nossos gestores já perceberam que é preciso repensar o modelo e o currículo de formação dos jovens?

No relatório “The Future of Degree: how colleges can suvive the new credential economy”, publicado em agosto de 2017 pelo “The Chronicle Higher Education”, a questão que se coloca é que a economia global, os empregadores e a própria sociedade exigem conhecimentos, competências e atitudes que, no atual contexto, não estão presentes na dinâmica das IES. O distanciamento entre o modelo de formação dos estudantes do mundo acadêmico convencional e as expectativas dos empregadores poderá ser cada vez maior, em função da Quarta Revolução Industrial.

De um lado, a Indústria 4.0 nos proporciona acesso a produtos inteligentes, fomenta a inovação colaborativa, exige a reorganização de modelos operacionais das instituições burocráticas e pouco criativas e demonstra que haverá uma fusão dos mundos digitais, físicos e biológicos. Do outro, o relatório do “The Chronicle” indica que o diploma do ensino superior como conhecemos hoje poderá perder sua relevância nos processos de seleção e contratação, pois empregadores querem contratar pessoas que sejam capazes de resolver problemas, de trabalhar com desafios e com a diversidade.

Klaus Schwab argumenta que em um futuro próximo, as pessoas irão prestar serviços e realizar projetos para diferentes empresas e empregadores. Surfar na carreira e desenvolver projetos em áreas que tenham convergência exigirá maior flexibilidade das pessoas e uma reorganização da estrutura acadêmica das IES.

É nessa perspectiva que os jovens tendem a priorizar o investimento em uma série de cursos de curta duração, para que constituam um portfólio de habilidades e competências requeridas por um mundo que será impactado pela Quarta Revolução Industrial.

O Semesp acredita que os líderes das IES precisam compreender os princípios das mudanças que estão por vir. Por esse motivo, quer provocar a reflexão sobre o impacto da Quarta Revolução Industrial na organização e na dinâmica das instituições e apontar possibilidades de projetos que as insiram no século 21.

Através do 20º FNESP, bem como de outras iniciativas relevantes, o Semesp exerce sua função de organização que defende seus associados e busca a melhoria da qualidade do sistema de ensino superior ao antecipar as tendências e indicar caminhos para que as IES possam repensar suas estratégias.

História do Fnesp

Como tudo começou

O FNESP, maior evento do ensino superior privado do Brasil, é realizado pelo Semesp desde 1999 para discutir os desafios e o empreendedorismo das instituições educacionais particulares, como modelos de inclusão e de participação do setor no contexto econômico nacional ao garantir o acesso dos jovens à educação superior.

Ao longo desses 20 anos, o FNESP reuniu 527 palestrantes, teve a presença de mais de 7.900 participantes e debateu 244 diferentes temas, que contribuíram para a transformação e regulamentação do setor.

Os desafios das primeiras edições

Nesses 20 anos de edição, com o objetivo de provocar a reflexão do setor e do governo, o Fnesp, por meio do intercâmbio entre lideranças das Instituições de Ensino Superior e especialistas da educação nacional e internacional, promoveu o debate de 244 temas, como controle do sistema, papel das IES na educação superior particular, globalização e inovação dos cursos, parâmetros internacionais, controle de qualidade e financiamento restrito, entre outros assuntos contemporâneos, apontando assim os caminhos para o aprimoramento da educação superior brasileira e a sintonia da área acadêmica com as demandas do mercado de trabalho.

A internacionalização do Fnesp

A internacionalização da educação é apontada como um imperativo para a renovação cultural e acadêmica das Instituições de Ensino Superior. Por isso, o Fnesp, ao trazer especialistas acadêmicos de diversos continentes, promove as conexões de IES brasileiras e internacionais, aumentando a competitividade do setor e a capacitação dos estudantes.

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