*Fábio Reis

O seu emprego será substituído por um robô? Essa pergunta é retórica, provocativa, e também foi tema de uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo, em julho.

O fato é que temos mais incertezas do que certezas. Como será o ensino superior daqui dez anos? É possível fazer previsões, não afirmações. No entanto, temos apenas uma certeza: não podemos deixar de considerar os avanços da tecnologia e o seu uso nos processos educativos.

Os líderes das IES não podem mais se furtar de discutir o tema da inteligência artificial (AI), já utilizada em diversos setores da economia, inclusive na educação. É muito perigoso o distanciamento entre o mundo do ensino superior e o dos avanços tecnológicos.

No Brasil ainda temos muita coisa para ser resolvida na área da educação. Há problemas básicos de inclusão, alfabetização e de dificuldade dos alunos em operações básicas de matemática, de comunicação, leitura e escrita, mas isso não é justificativa para as IES não tratarem do tema da AI.

Já há situações reais em que robôs entregam pizza. Já há casos em que a pizza é feita por um processo automatizado. Na Califórnia, nos Estados Unidos, há robôs que recorrem das multas ao elaborarem petições de contestação da multa recebida. Não é mais preciso recorrer a pessoas. O uso da tecnologia aumenta a eficiência do setor produtivo. A economia cresce sem gerar empregos. No caso das petições, faço uma pergunta para as IES que possuem cursos de Direito: vocês vão continuar a oferecer cursos nos mesmos modelos que há anos são ofertados, priorizando os exames da OAB?

Há várias questões que precisamos discutir, como a questão da ética e o lugar dos humanos. Tudo será automatizado? E as pessoas, o que farão nesse mundo novo? Qual será o papel dos professores e como será a sala de aula? Os gestores de IES deverão investir em máquinas ou em pessoas? Sim, é uma pergunta forte e pode ser estranha.

O 20º. FNESP irá discutir a AI e o ensino superior. Teremos Joanna Bryson, pesquisadora Transdisciplinar da Bath University, especialista em AI e no tema da ética; Guilherme Pereira, da FIAP, instituição de São Paulo, provavelmente seja uma das IES do Brasil que mais avançou no assunto sobre o uso da AI aplicada no processo de ensino e aprendizagem dos estudantes; Maurício Garcia, da Adtalem Brasil que utiliza a machine learning em suas instituições. Esses são alguns dos palestrantes do 20º FNESP.

O Semesp procura mapear as mudanças que já estão impactando e também as que irão impactar o ambiente do ensino superior e a dinâmica das IES. Temos a convicção que as mudanças dos próximos dez anos serão mais intensas e de mais impacto se compararmos aos últimos dez anos.

Não deixem de participar do 20º. FNESP. Para fazer as inscrições, acesse este link.

*Fábio Reis, diretor de Inovação Acadêmica e Redes de Cooperação do Semesp