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AVALIAÇÃO EFICAZ
O que está subjacente à avaliação do educando na escola é
o conhecimento disponibilizado pelo educador, portanto,
ela se impõe aos dois. É essa constatação que explica o
medo instalado hoje nas salas de aula em dias de
provas/exames, aterrorizando docente e discente e levando
à indagação: para que o conhecimento se ele não é testado
e avaliado?
Qual a validade do teórico se não é
posto em prática? No entanto, a inexorabilidade da
substituição, do upgrade do conhecimento – do que até
neste minuto era atual e ficou obsoleto – mostra que os
ciclos tecnológicos com respectivas rupturas são
apavorantes. Imagine-se o conhecimento obtido no início de
um curso e que, ao final dele, não terá a menor
importância e valor porque ficou velho.
Assim será (ou já é?) a sociedade do
conhecimento, que interioriza a sociedade avaliativa – ou
valoradora, ou avaliadora – sem distinguir, com efeito,
onde começa a informação e onde termina o conhecimento. E
se uma ou outro leva ao saber, evitando-se a chamada
“indústria da cultura inútil”.
Eis uma situação típica de imbricação
conhecimento/informação, quando o conhecimento passa a ser
o maior, o único tesouro e principal bem de consumo,
conforme Peter Drucker (o guru do marketing), para quem é
imperativa a necessidade de mantê-lo permanentemente
atualizado.
Mas, se a informação leva ao conhecimento e
se transforma em saber, que se consolida e estratifica
pela sua validação/constatação utilitária e consumerista,
que papel tem aquele que aprova, avalia, dá certificação
e validade ao conhecimento? O próprio detentor do
conhecimento, na sua utilização ou não, assim como o
avaliador que imprime o seu passed e o utilizador
final (sociedade) são os degustadores desse alimento e,
portanto, também responsáveis por sua aprovação.
Se a sociedade está disposta a abrir mão de
qualidade garantida, em qualquer campo da atividade
humana, avalizada/avaliada, é direito próprio, mas não do
avaliador. A tarefa responsável, portanto, está antes no
avaliador, no agente do processo que visará como fim aos
resultados.
Então, o que é possível verificar
sobre avaliação educacional, estabelecendo uma diagnose
nos processos cognitivos dos estudantes, na avaliação do
aprendizado?
Até pouco tempo, um Plano de Ensino de
disciplina era elaborado visando integrar um currículo de
curso com algumas premissas: ementa, objetivos, conteúdos
programáticos, metodologia, avaliação e bibliografias
(básica e complementar). Em algumas instituições,
inclusive o Plano de Aulas. Com algumas discussões na
"semana de planejamento pedagógico", sempre antes do
início do ano letivo, consideravam-se o público-alvo, o
mercado de trabalho, as mudanças e alterações do cenário
sociopolítico e econômico, etc.
Com o recente surgimento das Novas
Diretrizes Curriculares, cujo propósito é contemplar o
entorno das disciplinas ou ir além delas, com o
estabelecimento de competências e habilidades sob
impregnância no educando, a tarefa de avaliar o nível e
grau de aquisição de conhecimentos dele tornou-se
perigosa. Deixa o professor/avaliador em duas situações
bastante incômodas: a de refém ou de cúmplice do aluno.
A avaliação responsável e isenta do
avaliador, com ele próprio, com o aluno e com a sociedade,
não se permite dúvidas e fragilidades. Avaliação
equivocada ocorre porque o conhecimento proposto era um
equívoco, de forma e conteúdo, e suspeito é o avaliador
que se coloca ambiguamente, ao desdém do que deve(ia) ser
ensinado porque precisa ser aprendido.
Não é mais possível o uso do velho clichê
"o aluno será capaz de..." e completar a frase com
qualquer verbo no infinitivo. Pode ser o coração, mas não
é a alma do que deve estar contido nos objetivos e
justificativa da disciplina.
Sabendo que o ensino e o aprendizado devem
ser conduzidos para estimular, provocar no educando uma
consciência de construção, interatividade e crítica,
visando descobrir e mergulhar em habilidades e
competências pessoais, que conduzam a alguma capacitação,
o educador sempre levará em conta os resultados impostos e
a se obter do processo, ou nas palavras de T. Kellaghan,
“a busca por resultados responsáveis .
Cresce significativamente tal
responsabilidade na medida em que os currículos mínimos e
plenos deixaram de ser a sustentação basilar na formação
profissional do aluno. Há muito mais situações e
acontecimentos sendo aplicados no ensino atual,
impensáveis há cinco anos. Aplicação, essa é a palavra do
momento no ensino, aliás, a volta dela.
A agenda reformista da educação é sempre dominada
pelos modismos, por algum tempo. É preciso, a qualquer
custo, ampliar o potencial de uso e aperfeiçoamento das
capacidades de avaliação dos professores com relação aos
alunos. Nisso reside, no mínimo, o acerto da escolha.
Não deve ser a busca da aprovação na “coitadice” nem a
reprovação na “vitimez” do avaliado.
O emprego adequado de um "molde de
avaliação" , sem extremos e exageros, torna-se um
facilitador nessa tarefa tão difícil. Afora poder colocar
em sacrifício absoluto o futuro de um jovem, sobretudo o
que está em desencanto com o ambiente atual e dele foge,
se rebela e se angustia pela aparente falta de
perspectivas socioprofissionais.
Essa moldura, entretanto, não é fórmula,
padrão ou gabarito estabelecido. É antes um método
pessoal, pelas singularidades do avaliador e do avaliado.
Deve-se caracterizar como ato de neutralidade, sem a rixa
ou acidez inquisitória. Não deve mostrar-se como esgrima
rancorosa, desafiadora de quem, não obtendo resposta
satisfatória, desabafe "...eu sabia que você não sabia"
ou "...tinha certeza de que você não responderia".
As habilidades e competências,
hoje na moda, podem dar sinais indicativos apropriados na
elaboração de um momento de avaliação. Por conseqüência,
na construção de uma vida profissional mais realizada.
Adequada às aspirações pessoais, grandes ou pequenas porém
autênticas. Desse modo, aqueles objetivos da disciplina
têm de ser repensados, refeitos para outras realidades e
dimensões: a das competências e habilidades. Não é tarefa
simples para quem não está inserido nos mercados e
desconhece perfis. Só por esse aspecto, hoje, o Plano de
Ensino ganha importância fundamental na montagem de um
curso, e deve estar sob a batuta de um competente
coordenador.
A juventude atual tem forte razão
para a recusa em ser avaliada, de fora para dentro, à moda
antiga. É simples, certo ou errado, possível ou não. O
jovem admite ser avaliado, porém, de dentro para fora. Não
admite ser questionado pelo avaliador sobre o que ele não
sabe, mas deveria saber, e o avaliador insiste em saber o
que ele não sabe. Será que o avaliador não sabe que não
adianta querer saber o que o avaliado não sabe?
A questão central é por que o aluno
não sabe ? Por incrível, a resposta todos sabemos.
NOV/2003 |