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Não basta
ver, é preciso enxergar
O
ensino superior privado precisa ser o único responsável pela
educação de
massa. E essa não é a tarefa do ensino público.
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Alguns
importantes momentos históricos da educação brasileira
Em 1549 ( 29 de março ) chegaram ao Brasil os primeiros educadores.
Eram da Companhia de
Jesus*,
liderados por Manuel da Nóbrega, junto com o 1º
governador geral, Tomé de Souza.
Em 1553 chega o padre José de Anchieta com a expedição de Duarte
da Costa.
Em 1759 o Marquês de Pombal expulsou
todos os jesuítas. Ficaram os beneditinos, franciscanos e
carmelitas.
Em 1890, pela reforma de Benjamin Constant Botelho de Magalhães,
nasceu o primeiro órgão voltado à educação : Ministério
da Instrução Pública, Correios e Telégrafos.
Fortaleceu-se a pedagogia tradicional misturando a influência
jesuítica com as teorias de Pestalozzi (na educação, a essência
é o amor), inclusive com boa dose do Positivismo.
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Foi fundada em Paris, em 1534, pelo espanhol
Inácio de Loiola, só oficializada em 1540
pelo Papa Paulo III. Nesse mesmo ano alguns membros
da nova ordem foram introduzidos em Portugal onde reinava D.João
III.
Manuel da Nóbrega e outros seis jesuítas acompanharam Tomé
de Sousa que
partiu de Lisboa em 1/2/1549
e chegou à Bahia só em 29 de março.
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A
história da educação superior privada no Brasil começa em 1891
com a Constituição da República, descentralizando o que era
exclusivo do poder central, inclusive delegando para os governos
estaduais, com resultado imediato pela ampliação e diferenciação
do sistema de ensino superior.
Entre 1889 e 1918 foram criadas no país 56 novas instituições de
ensino superior, na maioria privadas, de iniciativa confessional.
O projeto de uma universidade para o Brasil, então, elaborado por
uma elite intelectual, inscrevia-se em um movimento de modernização
cultural e educacional, defendendo o ideal de uma universidade pública
com a proposta de institucionalização da pesquisa no interior do
sistema.
Passadas muitas décadas, sem que hoje as autoridades governamentais
de ensino conheçam a fundo a evolução da história educacional do
país, o
setor privado está diante de transformações que conduzem
para uma maior diferenciação entre os estabelecimentos que o
integram e de uma organização mais segmentada da representação
de seus interesses. Uma capilaridade desafiadora que retém mais água
nas ruas do que nos reservatórios. Daí a renovação na oferta de
cursos, respondendo a demandas heterogêneas, da clientela, e do
mercado ocupacional.
Um grande problema da iniciativa privada, senão o maior, e ao que
tudo parece insistente, de mandato a mandato, é a crescente e
asfixiante subordinação aos controles e trâmites burocráticos
que no mais das vezes induzem ao abortamento ou retardamento de
projetos institucionais, quando o mercado exige celeridade máxima.
E há um sem-número de ações de governo que demonstram a implicância
contra a educação privada, quer pelas contradições nos
pronunciamentos pela mídia, quer pelas ações regulatórias que só
infernizam o setor por meio de esdrúxulas normas constritoras.
Sobretudo quando o mercado precisa se mexer e se desenvolver pelas
próprias pernas, neste acirrado momento de competitividades. Se nos
detivermos em todos os paredões erguidos, sob pretexto dos policy
makers, em continuamente inibir investimentos e participação
maciça no PIB nacional, pelas desastrosas medidas de engessamento
como as MPs que instituíram o calote, por reformas universitárias
que se assemelham a lendas ou episódios mitológicos e que num
passe de mágica desandam ao sabor de amargo laxante, o setor vai
parar. São urgentes as necessidades de políticas educacionais e não
só de políticas de avaliação.
Não se trata de considerar a iniciativa privada como demônio ou
como anjo decretando a ela o destino de Sísifo,
porque é o que vem acontecendo, ou ainda, a de transformar o
setor educacional na caixa de Pandora.
Vez por todas, é preciso ter presente que condicionantes legais e
interesses dos dois atores do sistema - público e privado -
somados aos fatores de mercado, podem e devem direcionar o rumo das
mudanças, mas nunca de modo inverso a inibi-las. Contudo, elas
certamente ocorrerão, e só podem ocorrer, quando haja
contrapartida e ajuste de interesses voltados aos objetivos, recíprocos.
Ainda que ao ensino superior público o mercado não conste de sua
agenda, de seu planejamento.
Os estabelecimentos de ensino superior privado, nas suas
perspectivas e iniciativas, não podem depender, com a freqüência
atual, do aval do Estado. Ou melhor, dos que dominam a fiscalização
e controle do sistema. Um mercado, primariamente, exige inovações,
e constantes. E não há lei que se oponha à ocorrência delas em
situações competitivas, sobretudo ante a solar e inevitável
expansão decorrente da globalização sócio-industrial e da
economia.
Por que a imposição de vagas, em turnos específicos, a cotização,
as avaliações draconianas, as contumazes críticas ácidas quanto
a qualidade, interrupção de autorizações de cursos, estatização
de vagas particulares, etc. etc.?
É de se perguntar se as autoridades de governo, voltadas à
educação, enxergam a majestade numérica de concluintes nos cursos
superiores no Brasil, entre 1980 e 2002, de resultados muito
expressivos: total de 6.129.388, sendo 4.004.900 na iniciativa
privada e 2.124.488 nas três esferas públicas (
federal = 1.079.018, estadual = 725.573 e municipal = 319.897 ).
Pelo Estado de São Paulo a marca de concluintes do ensino
superior no mesmo período foi de 1.824.073 na iniciativa privada e
357.001 na alçadas públicas
(
federais somente 18.237, estaduais = 204.048 e municipais = 134.716
).
É preciso dizer em voz alta que a posição de grandeza do ensino
superior privado desde a década de 60, com intensidade e
velocidade, ocorreu como resposta à demanda da juventude que
aspirava a esse nível de ensino e a do mercado ocupacional sem que,
no entanto, o setor público tivesse se voltado para o atendimento
de massas. Este ficou exclusivamente para o particular, com suas
inerências, inclusive do risco, no nicho da educação massiva
superior.
Um volume imenso de vagas não ocupadas estão azedando nas
particulares como nas públicas e se isso é indicador de falta de
qualidade então contraímos a mesma doença.
Mas não é a realidade. Esta transcende aos muros das
escolas pois está na economia que não marcha, que não propicia
empregabilidade. Assim, o problema não está na escola mas nas políticas
monetárias de governo.
Por que, então, a investida contra o ensino superior privado
? Faz lembrar a crônica de Stanislaw Ponte Preta, da velhinha que
atravessava todo dia a Ponte da Amizade com uma Lambreta. Revistada
na fiscalização, nunca portava nenhum contrabando. A materialidade
do crime era o próprio biciclo motorizado.
É de se perguntar o que faria o Estado se tivesse que suportar
aquela cifra de concluintes das escolas privadas em seu abrigo. Com
que recursos ? Aliás, as receitas da União só cresceram, por via
de todas as incidências
tributárias que asfixiam a iniciativa privada, com destaque
no setor.
Tirou-se proveito das arrecadações dirigindo expressivas
verbas para o setor público educacional superior. Não fosse isso
talvez nem educação pública teríamos, por absoluta pobreza do
Estado e sua condição de inadimplência, ou melhor,
de insolvência.
E esta última é a que se verifica com o falido Estado
brasileiro.
É preciso ter olhos de enxergar.
Não se deseja desregulamentação, ausência de avaliações,
facilitismos franciscanos, ouvidos de mercador, os três macacos
sensoriais, véus e fumaças mas também não se quer a pecha de vilões
e algozes dos mirrados salários familiares. Exige-se, isto sim,
normatividade estável e perene e não um cipoal de regras
desconexas que não respeitam, minimamente, a hierarquia técnica do
diploma constitucional. E a regulação é um dos maiores entraves
à qualidade, que se assemelha a uma montanha russa, asfixiando na
descida e tonteando na subida. Cobra-se o respeito, de direito, até
porque o ensino privado é maioria.
Alguém duvida e discute a expoência tecnológica alcançada pelo
Japão ?
Por lá a iniciativa privada no ensino responde por 80% das instituições,
assumindo a responsabilidade do ensino de massas e tornando possível
preservar as universidades públicas, estabelecendo-se funções e
atuações complementares, não suplementares, ao mercado mas com um
divisor de águas. Ainda que não seja a mesma coisa ter o maior número
de matrículas e/ou maior número de estabelecimentos de ensino,
registramos alguma semelhança com aquele país.
Mesmo que o Estado seja aquele que detém o poder coercitivo,
fiscalizador e controlador do sistema, é preciso ressaltar,
entretanto, que são os governos que formulam e implementam políticas
na área educacional superior, quando o fazem. Há anos,
estamos em quase beligerância com um exército de Brancaleone,
constritos num valo à espera de definições, agudizadas desde
janeiro do ano passado.
O setor precisa de uma alforria e não de escravocracia,
arrogante, orgulhosa, vaidosa e soberba.
A caixa-preta em que se transformou a regulação do ensino superior
só
traz inseguranças e perplexidades ao setor que todo santo
dia amanhece com desvios e sinuosidades de um serpentário
legislativo. É uma enxurrada de portarias, resoluções, decretos,
MPs, pareceres normativos herméticos, sem divisarem a carta
constitucional.
Ao que tudo indica, a iniciativa privada parece não importar ao
governo, tanto que não se preocupa com e por ela, ao contrário,
deseja sua fragmentação, debilidade e insucesso como a quem está
incomodando. E mais, como sendo o setor privado de ensino superior
um desvio indesejado do sistema porém no qual mais de 75% dos
universitários recebem sua formação. Esta, quando relacionada
diante de cursos e escolas, transcende o mundo acadêmico pois se
comprimem aos valores das gerações, apoiadas em demandas autênticas.
O apressamento do ensino, via catapulta, de crianças do fundamental
e médio, sem adequada formação educativa, tem levado as IES
privadas a um sem-número de ações aflitivas, no afã de
“resolver essa educação incompleta” dos egressos do médio.
Basta uma análise nem tão profunda do grau de semi-alfabetização
que lhes é perpetrado, seja por “aprovações automáticas”
seja pela incúria do Estado nos primeiros graus da educação.
Motivadas, as críticas não menos ácidas às autoridades
governamentais de ensino são abundantes e em espírito colaborativo
a iniciativa privada vem tentando minimizar seus efeitos com
verdadeiras UTIs educacionais, tentando aparar arestas numa matéria
prima de “carregação”.
Algumas delas de grande sucesso, outras nem tanto, deixam as IES
privadas nas incômodas condições de cúmplices ou reféns do
processo. E mesmo assim atiram pedras querendo nos abater com
boleadeiras mortais.
Como entender o fenômeno do descaso e desprezo pelos cursos de
formação, as licenciaturas, onde reside o maior número de vagas
ociosas no cenário educacional do país ?
Está na pouca qualidade atribuída a eles ou a resposta fica
mais embaixo, porque se é o Estado que detém a quase exclusividade
dessa oferta e não paga salários condizentes, o que esperar ?
Ainda que por medida governamental se leve à ocupação de
milhares dessas vagas nas IES, nem por isso haverá interesse
da juventude, que olha e enxerga além do umbigo.
Mostra disso é a oferta que já vem sendo feita pelas IES,
espontaneamente, em regime de gratuidade a tais cursos. Não terá
êxito, nem por Decreto nem ao modo de convocação para o serviço
militar.
O que dizer também da última medida de impedir a abertura de
outros cursos de Direito no país com a falácia argumentativa de
que existem muitos ou de que os existentes não cumprem o papel ?
A injustiça assoberba na medida em que a análise só localiza o
resultado do Exame da OAB sem tecer comentários sobre a qualidade
que o ingressante / seletivado carrega para dentro das salas de
aula. Desnecessário nos estender quão mínima formação obtiveram
no ensino fundamental e médio. Qualquer semi-alfabetizado tem notícias
do ENEM. E não é preciso ser jornalista, advogado ou pós-graduado
para interpretar o significado e relevância dos resultados.
O Estado sim é que deveria abrigá-los em escolas superiores públicas
como "herança", ou punição, de seu próprio trabalho no
nível anterior de formação. Mas não, os "lança" para
a educação privada como a se "livrar" deles porque propõe
vestibulares / seletivos que se afiguram como parede de
concreto às
públicas, que só permitem ingresso àqueles que obtiveram
adequada formação.
Afora isso, o que dizer do corpo docente dos cursos de Direito que dão
sustentação como todos os demais
ao ensino-aprendizagem ? Não são os professores, na sua
maioria, todos operadores do Direito ( Advogados, membros do Ministérios
Público e da Magistratura, inclusive Ministros ) dando contribuições
pessoais pela dedicação na passagem do conhecimento jurídico-legislativo
?
Quem prepara os alunos dos cursos de Direito não são eles ? Não são
capazes ?
Sabidamente, nem todos os graduandos
vão a um exame generalista -- como o praticado --
senão com competências exclusivas a exercer este ou aquele
campo do Direito. Assim é em todos os campos do saber, em todas as
áreas do conhecimento.
Levar um futuro operador do Direito Trabalhista e se expor a um
rigoroso exame no espinhoso campo Penal, antes de ser sabatina
exigente é um crime. Inexiste na atualidade aquela generalidade de
atuação mas, ao contrário, por especificidade, por especialidade.
O mesmo se pode dizer de quem quer abraçar o campo do Direito
Ambiental mas não tem "queda" para o campo do Direito
Tributário. Dúvidas à parte, alguns velhos advogados, com bancas
promissoras, não conseguem(iriam) responder aos testes.
Estatísticas do MEC/INEP dão conta de que em 2002 nada menos que
600 mil candidatos procuraram pelo vestibular/seletivo aos cursos de
Direito no país, numa contenda de 150 mil vagas que foram
preenchidas por 120 mil aprovados.
Assim, 480 mil não lograram aprovação/ingresso. Isso se
chama demanda real.
Ademais, falar do que está errado é preleção de mercador, sem a
devida sensibilidade interpretativa dos problemas
já abordados acima.
Não são cursos e vagas em demasia. O que abunda e excede é
“falação”, desídia e negligência.
Assim, instala-se a metralhadora crítica disparando impropérios
para o segmento educacional privado, sem o descortino de sua imensa
contribuição à educação nacional, porque nas últimas décadas
o abandono ao ensino público foi realmente total, em todos os níveis.
Bibliografia
Castro, Cláudio M. 1997. “Ensino privado ou público: eis a (
falsa ) questão.”
Ensaio (Rio de Janeiro) 5 (17 (out/dez))
Sampaio, Helena. 2000. Ensino Superior no Brasil – o setor
privado. São Paulo: FAPESP-Hucitec |