Assessoria
Educacional
AVALIAÇÃO
É ATO DE JUÍZO
Em
fevereiro de 2002 a Diretoria
de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior --DAES/INEP/MEC
apresentou às instituições de ensino do país o Manual Geral de Avaliação das Condições de Ensino - ACE.
Dando asas ao imaginário,
as autoridades do ensino brasileiro, responsáveis pela elaboração desse
manual, apresentam um arrazoado
na peça introdutória, justificando os motivos da necessidade de continuísmo
daquela que chamam de cultura de
avaliação. Ou seja, o quê e porquê avaliar. Ainda que avaliar por
avaliar.
Sob certa ansiedade, as
instituições aguardavam a edição de manuais respectivos aos cursos, em
função das peculiaridades.
Um dos primeiros, como curso específico, foi o de Administração e hoje
estão todos à disposição.
Nenhuma novidade, daquele,
generalista, para os atuais específicos, senão o uso de
"Pesos", antes expressos por letras (P1 - P2 - P3) e agora
por números, além de soluções semânticas,
empregadas nos campos de "Critérios de Avaliação", que
de Insuficiente - Regular - Ótimo
chegaram a Muito Fraco - Regular - Muito Bom.
A avaliação continuará sendo igual para os desiguais. Ficam
todas as instituições no mesmo critério: particulares, fundacionais e
confessionais; isoladas, centros ou universidades, com um ou noventa
cursos. Com duzentos ou 50 mil
alunos, 40 ou 4 mil docentes. As federais e estaduais, excluídas.
ACE versus
ACO
A
atual Avaliação das Condições de Ensino - ACE, sucessora da antiga Avaliação
das Condições de Oferta - ACO,
antes de resultar em efetiva avaliação das escolas, em meio aos trancos,
vai conseguiu provocar uma equivocada aceleração valorativa ao processo
educacional no país.
As IES, despreparadas para
enfrentar os centuriões do julgamento, com inchaço via expedientes e
medidas que não levaram aos resultados desejáveis para se sujeitar a
Avaliação, jogam a poeira debaixo do tapete. Cosmetologia educacional
inexorável, mas necessária, para suportar a exagerada pressão dos
instrumentos e dos instrumentadores.
Episódios relatados dão
conta que alguns avaliadores "ad hoc" criaram muitos conflitos,
tal a prepotência e desregramento de quem avocava para si o direito ou
prerrogativa de bater na mesa, radicalizar e exacerbar naquela atividade
que seria, ou deveria ser, a de orientar e diligenciar na avaliação.
Agora têm até um “Código de Ética” próprio, tais foram os
destemperos constatados nessas avaliações/visitas “in loco”.
A relação é uma corda
esticada, o cabo de guerra: iniciativa privada
versus autoridades
educacionais, em geral oriundos das federais. E para segurar o excesso de
oferta de cursos, dá-lhe regulação, dá-lhe controle, dá-lhe punição.
O processo, sem dúvidas,
é avaliatório-punitivo e a pretender insistir com a avaliação como se
apresenta hoje, pelo Manual e roteiros recomendados aos especialistas
avaliadores, a sociedade vai pagar alto preço pelos resultados.
Alguns nefastos, a ponto de ver fechadas muitas escolas pela desonrosa avaliação
classificatória de "Insuficiente".
Os padrões satisfatórios
exigidos do que deve ser examinado durante a verificação "in
loco" é sem dúvida possível, porém debaixo de um preço que ninguém
por ora está preparado a enfrentar, sobretudo o aluno que em última análise
é quem suporta os custos. Tudo é possível se antecedida a análise da
relação custo-benefício.
Inegavelmente, a avaliação
das instituições de ensino é fundamental e necessária mas tratar
diferentes como iguais é um erro bíblico.
Não é possível dispor de instrumentos isônomos para grandes, médias e
pequenas escolas. Não tem sentido aplicar o mesmo questionário com os
mesmos pesos na universidade, no centro universitário e nas IES isoladas,
inclusive como se fossem todas constituídas juridicamente iguais.
Como explicar à sociedade
que educação tem os meandros
e serpenteios dos quesitos da avaliação nas três dimensões, a Organização
Didático-Pedagógica, o Corpo Docente e as Instalações ?
Os desdobramentos das
categorias de análise, os indicadores são tantos e tão complexos,
robustos e pesados que, rigorosamente, apenas uma parcela de escolas poderá
atendê-los.
BRIGADA
DE INCÊNDIO EDUCACIONAL
Da leitura do
Manual, suas entrelinhas e subjacências, os Mantenedores terão muito
presente a necessidade de mudanças político-administrativas. Não será
nem um pouco prudente continuar
com o "turn-over" de
cargos e funções, contratos e distratos efêmeros que até agora
dominaram as relações trabalhistas.
Ganha importância o ambiente acadêmico, quanto ao envolvimento nas
atividades e inter-relações na comunidade, além das situações do
cotidiano como atividades realizadas pelos alunos, sustentadas por corpo
docente engajado.
No tocante às Orientações Gerais, do Manual, destaca-se o processo de
auto-avaliação do curso.
Não há saída. Todas as
escolas vão precisar de uma brigada de incêndio constantemente em
alerta. Preparadas para receber as comissões de avaliação e com elas
conviver nos antagonismos, nas impossibilidades efetivas de implementações
dos PDIs -
Plano de Desenvolvimento Institucional
anunciados, das promessas de manutenção de relações com os
egressos, assistência pedagógica e/ou didática aos docentes, apoio à
participação docente em eventos, produção científica, técnica, pedagógica,
cultural e artística dos docentes, publicações sobre encontros de
iniciação científica, de monitoria, de extensão, medidas permanentes
de atendimento aos alunos, para não ir mais além. E, tanto maior a
instituição de ensino, com muitos cursos, redobradas preocupações com
o entra e sai, chega e vai.
Não
foi por outra razão que o ex-Ministro Paulo R. Souza criou a avaliação,
senão “para ter argumentos contra pressões políticas(sic)”. Incluam-se também a Avaliação
Institucional - AI e o Exame Nacional de Cursos - ENC.
Se os índices e parâmetros
estabelecidos nos Manuais conduzirem à inflexibilidade, já que foram
pensados em momento político específico, teremos
pela frente um quadro muito caótico para as instituições,
descendo ladeira abaixo em direção a fusões pela insustentabilidade
daquela pretensão de se querer construir
não uma escola, casa digna desse nome, mas um negócio.
A
Falta de Transparência no Processo
A
adjetivação que consubstancia o processo é rica quanto a avaliar,
medir, julgar, pesar e valorar.
Para esse expediente é preciso ter a sabedoria para distinguir velocidade
e pressa e não foi o que aconteceu com o DAES/INEP ao editar aqueles
manuais.
Aliás, debaixo de grita geral e totalmente procedente, hoje a escola não
tem a menor idéia ao se submeter a uma visita de avaliação, por ignorar
as porcentagens nas diversas somatórias representativas dos índices/indicadores.
Tomando apenas o exemplo relativo ao corpo docente, a antiga ACO, dispunha 15 itens quanto a Avaliação Global do Corpo Docente,
atribuindo a cada um deles o porcentual dos indicadores:
Dedicação ao Curso = 15%, Formação Específica = 5%, Titulação Acadêmica
- stricto sensu (técnica) = 10%, dentre outros.
Se a escola tivesse em seu quadro docente mais de 30% dos professores em
dedicação integral lograva conceito “A” no item. Porém, se mais de
15 e até 30% em dedicação integral ou mais de 60% em dedicação
parcial o conceito era “B”.
Daí, a instituição acumulava aqueles 15% relativos à Dedicação ao
Curso, digamos, no conceito “B”.
Conduzindo os diversos conceitos obtidos nos 15 itens, para uma verificação
final, tínhamos a seguinte tabela :
CMB - Condições
Muito Boas - se conquistados 70% de conceitos “A”
CB - Condições Boas
- se conquistados 70% de conceitos “A” e “B”
CR - Condições
Regulares - se conquistados 70% de conceitos “A”, “B” e “C”
CI - Condições
Insuficientes - se menos de 70% nos três conceitos.
Não se trata de
dificultar. É para impedir mesmo. É ocultação da nota, dos critérios,
dos pesos e medidas que não constam do Manual, omisso nas informações
que são vitais para a sobrevivência das IES.
É como negar aos alunos a explicação de suas notas/avaliações numa
atitude vil de dizer que está reprovado “porque está reprovado”.
Em final do mês de abril
o atual Ministro Cristóvão Buarque baixou norma constituindo comissão
para avaliar a avaliação com prazo até agosto próximo. É esperar para
ver.
VOLTAR
|